Quem foi Wilhelm Röpke: reconhecido economista liberal alemão

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Quem foi Wilhelm Röpke: reconhecido economista liberal alemão

Wilhelm Röpke, economista e escritor, foi integrante da Escola Austríaca e uma influência fundamental em Ludwig Erhard, o ministro da Economia da Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra.

Röpke era professor de economia na Universidade de Marburg quando Adolf Hitler se tornou chanceler da Alemanha em 1933. Sendo crítico declarado dos nazistas, Röpke deixou a Alemanha naquele mesmo ano para aceitar um cargo na Universidade de Istambul.

Assim, ele permaneceu e lecionou na Turquia até 1937, quando ingressou no corpo docente do Instituto de Pós-Graduação de Estudos Internacionais de Genebra, cargo que ocupou até sua morte em 1966.

Carreira

Os primeiros escritos de Röpke foram sobre a teoria do ciclo de negócios. Suas opiniões sobre as causas das crises econômicas eram amplamente consistentes com os escritos de F. A. Hayek e outros economistas austríacos do período.

No entanto, ele estava mais otimista do que muitos de seus colegas austríacos sobre o uso da expansão do crédito para ajudar uma economia a se recuperar de uma depressão.

Ainda assim, ele foi altamente crítico às teorias de “injeção de energia” de John Maynard Keynes, que ele argumentou “seguiram a bandeira do ‘pleno emprego’ até a inflação permanente”.

Enquanto estava em Genebra, Röpke foi colega do economista Ludwig von Mises, que deixou a cidade em 1940 e foi para os Estados Unidos.

Röpke também tinha oportunidades de emprego lá, mas recusou ofertas da New School for Social Research – um paraíso para muitos estudiosos continentais durante a Segunda Guerra Mundial -, e optou por ficar na Europa.

Em 1947, ele se juntou a Hayek, Mises e outros na reunião de fundação da Mont Pelerin Society. Por fim, ele atuou como presidente dessa organização de 1961 a 1962.

Ideias

Na década de 1950, Röpke desviou sua atenção das questões estritamente econômicas para problemas de teoria política e social. Embora permanecendo um defensor constante da economia de mercado, ele enfatizou a importância das normas sociais e da religião.

Em seu livro mais famoso, A Humane Economy: The Social Framework of the Free Market, Röpke argumentou:

No lugar de Deus, estabelecemos o culto do homem, sua ciência e arte profana ou mesmo ímpia, suas realizações técnicas e seu estado. Podemos estar certos de que algum dia o mundo inteiro verá, em um clarão ofuscante, o que agora é claro para apenas alguns, a saber, que esta tentativa desesperada criou uma situação em que o homem não pode ter vida espiritual e moral. Isso significa que ele não pode viver por muito tempo, apesar da televisão, das estradas, das viagens de férias e de apartamentos confortáveis.

Röpke também era cético em relação a alguns dos efeitos da industrialização. Em particular, ele temia que as grandes corporações comprometessem o espírito e a humanidade de seus funcionários.

Embora estes poderes industriais “possam se tornar a fonte de graves perigos para a sociedade livre”, Röpke insistiu que “a ameaça mais imediata e tangível é o próprio estado. Eu quero repetir isso porque não pode ser muito enfatizado”.

Milagre econômico alemão

Junto com Walter Eucken, Alexander Rüstow e outros, WIlhelm Röpke aconselhou Ludwig Erhard sobre como reformar a economia da Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra.

Esse grupo de ordoliberais, como vieram a ser conhecidos, fez pressão por um sistema substancialmente mais orientado para o mercado do que o que o precedeu. Assim como, por um sistema modesto de pagamentos de transferência consistente com as metas do moderno estado de bem-estar. Posteriormente, no entanto, Röpke foi bastante crítico ao crescimento de tais programas de transferência.

Em última análise, o liberalismo de Röpke deve ser visto à luz de seu compromisso com a descentralização: política, social e econômica. Em A Humane Economy, Röpke descreveu a “ordem natural” como tendo as seguintes características:

[A riqueza] seria amplamente dispersa; a vida das pessoas teria bases sólidas; comunidades genuínas, da família para cima, formariam um pano de fundo de apoio moral para o indivíduo; haveria contrapesos à competição e ao funcionamento mecânico dos preços; as pessoas teriam raízes e não ficariam à deriva na vida sem âncora; haveria um amplo cinturão de uma classe média independente, um equilíbrio saudável entre cidade e campo, indústria e agricultura.

Portanto, não é surpreendente que Wilhelm Röpke tenha sido visto com bons olhos tanto por libertários quanto por conservadores sociais, como Russell Kirk, que considerou Röpke seu economista favorito.

Na verdade, Röpke pode ser visto como uma figura importante no projeto fusionista defendido pelo editor da National Review, Frank S. Meyer.

Escrito por Aaron Steelman

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Por | 2020-09-20T16:08:57-03:00 15/09/2020|Pensadores da liberdade|Comentários desativados em Quem foi Wilhelm Röpke: reconhecido economista liberal alemão