Walter Williams: o economista radical e politicamente incorreto

Walter Williams foi um daqueles pensadores que quebrou a barreira entre a Academia e o público geral. Por sua maneira descomplicada de explicar a economia e por suas ideias contrárias ao senso comum, ele ganhou notoriedade internacional.

Williams nasceu em 31 de março de 1936, na Filadélfia. De origem humilde, foi criado junto com sua irmã pela mãe, já que seu pai abandonara a família.

Quando jovem, participou dos protestos do Movimento pelos Direitos Civis e, aos 23 anos, foi levado à Corte Marcial pela sua desobediência no Exército. Para ele, não fazia sentido servir ao seu país sem ter os mesmos direitos garantidos na Constituição.

Mas, à medida que progredia academicamente, ele se afastou daquelas suas posições associadas a Malcolm X. A partir dai, Williams percebeu que o verdadeiro vilão das minorias era o estado. Assim, adotou uma posição favorável ao livre mercado que, por sua vez, o colocou em conflito com o movimento negro americano.

Abraçado pelos movimentos liberal e conservador, Walter aderiu a ambos os rótulos durante sua trajetória. No entanto, ele gostava mesmo era de se considerar um radical. Isso porque, defendia posições que vão na contramão do movimento negro, do mainstream econômico e do politicamente correto.

Quanto pode ser explicado pela discriminação segundo Walter Williams

Ao analisar as desigualdades entre as etnias nos Estados Unidos, Walter Williams não se convenceu de que a situação atual dos afro-americanos se deve inteiramente ao preconceito. Segundo ele:

Muitos dos problemas aparentemente insolucionáveis que um número significativo de americanos negros se depara não se resultam da discriminação racial. Isso não quer dizer que a discriminação não existe, nem que ela não tem efeitos adversos. Para as políticas públicas, entretanto, o problema não é se a discriminação racial existe ou não, mas até que ponto ela explica o que vemos hoje.

No seu livro Race and Economics, ele apresenta dados do século XIX e XX para mostrar que a situação dos negros americanos não era relativamente ruim como hoje. Williams vai até os casos extremos: ele demonstra o papel fundamental que ex-escravos tiveram no comércio do Norte após a Guerra Civil e, do Sul no período do Antebellum.

A piora nos índices socioeconômicos desse grupo coincide justamente com as décadas de 1930 a 1950. Período no qual houve um aumento da intervenção governamental na economia sem precedentes.

Por exemplo, com o estabelecimento de um corpo de legislação que restringia a determinação privada dos salários, como o Fair Labor Standards Act, o Davis-Bacon Act, Walsh-Healy Act e o National Labor Relations Act.

A origem segregacionista das leis trabalhistas

Toda essa legislação nem sempre foi defendida e aprovada de boa fé. Como Williams relata, a rápida ascensão dos negros após a Guerra Civil incomodou bastante uma parcela da população americana, já que eles representavam uma mão-de-obra menos qualificada e barata.

Para ele, esse era justamente o motivo do sucesso: no mercado, aqueles com pouca experiência podiam cobrar um preço menor pelos seus serviços para garantir um emprego. Essa necessidade, que logo se transformou em estratégia, foi incentivada pelos abolicionistas, como Frederick Douglass e William Lloyd Garrison, “demonstrando um entendimento econômico que se perdeu no movimento negro atual”.

Por isso, muitos deles se reuniram e formaram sindicatos para tentar estabelecer pisos salariais para diversas atividades. Esse foi o caso da Davis-Bacon Act.

Essa lei exigia que um salário mínimo fosse pago aos trabalhadores envolvidos em projetos  federais de construção civil. Deputados apoiadores dessa lei lamentavam que essa “mão-de-obra barata”, “imigrante” e “mínima” superasse os trabalhadores americanos no mercado. Seu desejo foi atendido, uma vez que o Davis-Bacon Act praticamente excluiu os trabalhadores negros das grandes empresas desse ramo. 

Contudo, se à época esse tipo de legislação fosse justificada por puro preconceito, hoje ela é defendida ferrenhamente como uma ferramenta para ajudar as minorias. Walter se opunha a estas medidas, dizendo:

Embora o Congresso possa legislar a que preço as transações de trabalho devem ocorrer, ele não pode demandar que essas transações aconteçam. Isto é, o Congresso ainda não exigiu que um trabalhador, de fato, seja contratado. À medida que a lei de salário mínimo aumenta a remuneração do trabalhador acima do seu nível de produtividade, os empregadores, previsivelmente, ajustarão seu uso de mão-de-obra.

O estado de bem-estar social e a pobreza comportamental

É fácil perceber, portanto, que a discriminação racial por si só não é suficiente para explicar as disparidades socioeconômicas entre as etnias. É necessário incluir o estado na equação. Sem ele, como Williams nos mostra, os negros estavam muito bem.

Mas o que mais o preocupa na atualidade não é a pobreza material, já que o capitalismo elevou os padrões de vida nos Estados Unidos a níveis confortáveis. Ele voltou sua atenção a outro tipo de pobreza, que impede que os afro-americanos tenham uma ascensão como tiveram nos dois séculos anteriores. Sobre isso, Williams afirmava:

Refere-se à conduta e aos valores que impedem o desenvolvimento de famílias saudáveis, de uma ética de trabalho e da autossuficiência. A ausência desses valores virtualmente garante estilos de vida patológicos, o que inclui vício a drogas e álcool, crime, violência, encarceramento, ilegitimidade, famílias com pais ausentes, dependência e a erosão da ética de trabalho.

Para Williams, é inegável que todo o esquema assistencialista criou uma dependência pelo Estado na população negra. Essa armadilha não é denunciada o suficiente, afinal, “as políticas apaixonadas requerem análise desapaixonada. Intenções e os efeitos de uma política pública muitas vezes não têm qualquer relação uma com a outra.”

Walter Williams e seu legado

O melhor amigo de Walter Williams, o economista Thomas Sowell, disse em seu obituário que, “como um economista, Williams nunca recebeu a moral que merecia”. Entretanto, ele está certamente entre os maiores dos últimos tempos, principalmente como um divulgador das ideias da liberdade, no mesmo patamar de Sowell e Milton Friedman.

É fato que muito do que escreveu chamou a atenção por ser politicamente incorreto, por ir contra uma narrativa associada à esquerda. Mas, o fio condutor que move toda a sua obra está claro: o estado é o grande vilão que segura as minorias na sua condição desigual e, enquanto, não acordarmos para essa realidade, continuaremos a lamentar.

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Estuda e trabalha com Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações em Belo Horizonte.

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