O que são vantagens comparativas

Quando questionado pelo matemático Stanislaw Ulam se ele poderia nomear uma ideia em economia que fosse universalmente verdadeira e não óbvia, o exemplo do economista Paul Samuelson foi o princípio das vantagens comparativas.

Esse princípio foi derivado por David Ricardo em seu livro de 1817, Principles of Political Economy and Taxation. O resultado de Ricardo, que ainda se mantém hoje, é que o que importa não é a capacidade absoluta de produção, mas a capacidade de produzir um bem em relação ao outro.

Calculado na produção física — por exemplo, cachos de bananas produzidos por dia — a eficiência de um produtor no cultivo de bananas depende da quantidade de outros bens e serviços que ele sacrifica ao produzir bananas. Isso se chama custo de oportunidade em comparação com as quantidades de outros bens e serviços sacrificados por outros que cultivam ou podem cultivar bananas. Vejamos um exemplo:

Bananas e peixes

Ana e Bob são as únicas duas pessoas em uma ilha. Eles consomem apenas dois produtos: bananas e peixes.

Se Ana gasta todo o seu tempo de trabalho colhendo bananas, ela colhe 100 cachos por mês, mas não pega nenhum peixe. Ao invés disso, se ela passa todo o seu tempo de trabalho pescando, ela pega 200 peixes por mês e não colhe nenhuma banana. Já se ela dividir seu tempo de trabalho igualmente entre essas duas tarefas, a cada mês ela colherá 50 bananas e pescará 100 peixes.

Se Bob passa todo o seu tempo de trabalho colhendo bananas, ele coleta 50 cachos. Mas se ele passa o tempo todo pescando, pega 50 peixes. A Tabela 1 mostra as quantidades máximas de bananas e peixes que cada um pode produzir.

vantagens comparativas
Tabela 1: Possibilidades de Produção

Caso Ana e Bob se recusem a negociar, as quantidades que cada um pode consumir são estritamente limitadas às que cada um pode produzir. Nesse sentido, o comércio permite a especialização com base nas vantagens comparativas e, assim, desfaz essa restrição, permitindo que cada pessoa consuma mais do que pode produzir.

Agora, Ana conhece Bob e, depois de observar os hábitos de trabalho de Bob, oferece a ele o seguinte negócio: “Vou lhe dar 37 dos meus peixes”, diz Ana, “em troca de 25 das suas bananas”. Então, Bob aceita.

Em paralelo, suponha que eles dividissem seu tempo de trabalho igualmente entre pescar e colher bananas. A Tabela 2 mostra as quantidades que Ana e Bob produziriam todos os meses.

Tabela 2: Quantidades produzidas antes da especialização e comércio

Especialização

Voltando para o exemplo, suponha agora que Ana e Bob desejam consumir o mesmo número de bananas que cada um consumia antes do comércio. A Tabela 3 mostra a quantidade de bananas e peixes que os dois produzem antes do comércio um com o outro.


Tabela 3: Quantidades produzidas após especialização

No dia da negociação, fiel à sua palavra, Ana dá a Bob trinta e sete peixes e Bob dá a Ana vinte e cinco bananas. A Tabela 4 mostra as quantidades de bananas e peixes que Ana e Bob consomem no comércio.

Tabela 4: Quantidades após o comércio

Observe que Ana e Bob estão em situação melhor do que antes do comércio. Cada um tem o mesmo número de bananas para consumir, mas Ana agora tem mais treze peixes e Bob tem mais doze peixes para consumir. Esta pequena sociedade é mais rica em um total de vinte e cinco peixes.

Este aumento na produção total não é o resultado de nenhum dos fatores identificados por Adam Smith. É o resultado exclusivamente de Ana ter se especializado mais em pesca, enquanto Bob se especializou em colher bananas.

Esse resultado feliz ocorre porque, nesta sociedade (aqui, apenas duas pessoas), cada pessoa se concentra na produção dos bens que cada uma produz comparativamente com eficiência — ou seja, com mais eficiência.

Vantagens comparativas do comércio

Para cada peixe que apanha, Ana sacrifica metade de uma banana; isto é, para cada peixe que apanha, ela produz metade a menos de bananas do que de outra forma. Para cada banana que coleta, ela sacrifica dois peixes.

Sozinhos, esses números não fazem sentido. Mas quando comparados com os números análogos de Bob, os resultados mostram onde existe a vantagem comparativa de cada pessoa.

Para cada peixe que Bob pega, ele sacrifica uma banana. Portanto, o custo de produção de peixes de Ana é menor do que o de Bob — metade de uma banana por peixe para Ana em comparação com uma banana por peixe para Bob. Portanto, Ana deveria se especializar em pesca.

Mas se Ana pesca a um custo menor do que Bob, então ele produz bananas a um custo menor do que ela. Enquanto o custo de Ana para produzir uma banana é de dois peixes, o custo de Bob é de apenas um. Dessa forma, ele deve se especializar na coleta de bananas.

Visto da perspectiva de cada indivíduo, Ana sabe que cada peixe que pega custa metade de uma banana; portanto, ela está disposta a vender cada um de seus peixes a qualquer preço superior à metade de uma banana. (Em nosso exemplo, ela vendeu 37 peixes para Bob a um preço de cerca de dois terços de uma banana por peixe).

Assim, Bob sabe que cada banana custa a ele um peixe para produzir, então ele venderá bananas a qualquer preço superior a um peixe por banana. (Em nosso exemplo, ele vendeu vinte e cinco bananas a um preço de cerca de um peixe e meio por banana).

Trocas mutuamente benéficas

Não há nada de especial neste preço em particular. Qualquer preço de peixe entre meia banana e uma banana inteira gerará ganhos com o comércio para Ana e Bob. O importante é a existência de pelo menos um preço que seja mutuamente vantajoso para ambos. E esse preço (ou faixa de preços) existirá se houver vantagens comparativas — ou seja, se cada pessoa tiver um custo diferente para produzir cada bem.

Quando o pescador de baixo custo (Ana) produz mais peixe do que ela própria planeja consumir — ou seja, captura peixes que pretende comercializar — Bob aproveita sua maior eficiência na pesca.

Ele não pode produzir peixe a um custo inferior a uma banana por peixe, mas negociando com Ana, ele adquire peixes a um custo de dois terços de uma banana. Da mesma forma, ao negociar com Bob, Ana aproveita a maior eficiência dele na coleta de bananas.

O exemplo acima, embora simples, revela a característica essencial das vantagens comparativas. Tornar o exemplo mais realista ao adicionar milhões de pessoas e milhões de bens e serviços apenas aumenta a aplicabilidade e o poder do princípio. Afinal, um número maior de pessoas e produtos significa maior escopo para especialização e intercâmbio mutuamente vantajosos.

Além disso, embora o princípio das vantagens comparativas seja tipicamente introduzido para explicar o comércio internacional, esse princípio é a razão básica para toda especialização e comércio.

Nada sobre a presença ou ausência de uma fronteira geopolítica separando duas partes comerciais é essencial. Mas o estudo desse princípio deixa claro que os outros países estão dispostos a exportar apenas porque desejam importar. É o desejo de troca lucrativa de bens e serviços que motiva toda especialização e troca.

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Donald J. Bordeaux

Por:

Professor de Economia na George Mason University.

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