Paraíso fiscal: vale a pena residir e abrir offshore em Malta?

A Ilha de Malta é um desses países que sempre é mencionado quando se fala em otimização de impostos e paraísos fiscais. Isso não é nada surpreendente, pois é de fato um país atraente com um bom padrão de vida, que também oferece certas vantagens aos empresários.

Por um lado, a ilha está localizada na UE (União Europeia), o que traz consigo várias vantagens se você pretende oferecer os seus serviços ou produtos dentro do mercado comum europeu. Por outro lado, graças ao seu sistema tributário non-dom (não-domiciliado), oferece melhores condições aos estrangeiros do que muitos outros países do bloco.

Malta oferece muitas opções para se mudar para lá como residente ou apenas abrir a sua empresa. Em ambos os casos, a ilha oferece oportunidades fiscais muito interessantes.

Infelizmente, ainda existem muitos mitos sobre Malta e é nesse sentido que você deve ter cuidado. Muitas agências e escritórios de advocacia na ilha tentam atrair empresas estrangeiras para mudar seus negócios para lá com a promessa de economizar em impostos. As soluções que propõem podem funcionar durante algum tempo, mas nem sempre são confiáveis do ponto de vista jurídico.

Em outros casos, o problema é uma questão de custos. As estruturas financeiras que propõem são desnecessárias e seus altos custos de manutenção podem ser um grande baque para a lucratividade e, até mesmo, a sustentabilidade do seu negócio.

O sistema tributário maltês tem várias peculiaridades que costumam ser motivo de confusão; na verdade, é o país com os níveis mais altos e mais baixos de impostos corporativos na UE ao mesmo tempo. Deixe-nos explicar como esse sistema funciona.

Abrindo uma empresa em Malta

Malta é um dos poucos estados do mundo com um sistema de imputação para tributação corporativa. Isso significa que o país cobra um imposto sobre as empresas relativamente alto, mas a maior parte dele acaba sendo reembolsado posteriormente. A taxa de imposto sobre pessoas jurídicas em Malta é de 35%.

No entanto, dado que a autoridade fiscal maltesa reembolsa 6/7 destes 35% no prazo de duas semanas, a alíquota de imposto efetiva está entre as mais baixas da UE, sendo de apenas 5% (com exceção das zonas de livre comércio e as isenções para proprietários de pequenas empresas).

Isso parece ótimo na teoria, mas na prática nem sempre é tão simples. Recentemente, houve casos em que os reembolsos não chegaram ou foram muito atrasados, atrapalhando a gestão de tesouraria das empresas. Este sistema de reembolso de impostos não se desenvolveu totalmente sem problemas, por mais simples que o mesmo tente se mostrar (o sistema tributário de empresas maltês é muito confuso e estipula que há muitas exceções ao reembolso).

Por fim, o maior obstáculo ao reembolso é o fato de o dinheiro não ser devolvido à empresa, na verdade esses 30% são depositados em outra conta de sua preferência. Não é difícil imaginar os problemas que isso pode causar.

Portanto, o reembolso não é recebido na forma de dividendos, mas sim como renda.

Se você estiver sujeito a altos impostos vivendo em países como Portugal, Brasil ou Moçambique, por exemplo, seu reembolso será avaliado (quando o dinheiro for transferido para uma conta privada) por um imposto de renda progressivo.

Se, por outro lado, você mora e opera sua empresa em Malta como um não-domiciliado, o reembolso do imposto é considerado como renda nacional e é tributado inteiramente de acordo com um sistema progressivo.

Dificuldades em Malta e a atratividade do Chipre

Diante dessas dificuldades, nos últimos anos, a ilha mediterrânea de Malta ficou à sombra de sua irmã, o Chipre. Além do mais, como resultado do nosso conteúdo, muitos empresários descobriram as vantagens de fundar empresas e estabelecer a sua residência no Chipre sob um regime non-dom (não-domiciliado) e compreensivelmente deram preferência ao Chipre em detrimento de Malta.

No entanto, agora existem novas razões para se interessar por Malta. Não há dúvida de que o Chipre continua sendo um dos lugares mais atraentes para fixar residência dentro da União Europeia. Mas é precisamente no campo da constituição de empresas que Malta oferece, no momento, oportunidades ainda melhores do que o Chipre. No entanto, não há necessidade de escolher entre uma e a outra, uma vez que uma residência no Chipre com uma empresa em Malta pode ser a combinação ideal.

Como mencionado anteriormente, Malta sempre teve o imposto corporativo mais baixo e, ao mesmo tempo, o mais alto da União Europeia. Sem os contadores certos, o sistema de reembolso em Malta que deveria durar apenas duas semanas podem rapidamente se transformar em mais de dois meses e, em alguns casos, esses impostos podem nunca ser reembolsados.

Por isso, a alíquota de imposto efetiva de 5% para as empresas maltesas não era muito popular, embora este não fosse o único motivo. Além disso, o reembolso do imposto de 30% (na forma de receita oriunda de empresas ativas) não era transferido de volta para a própria empresa, mas diretamente para os proprietários da empresa. Isso significava que, em muitos casos, esse reembolso era tributado de acordo com a alíquota de imposto de renda sobre pessoa física do país onde eles possuíam residências fiscais. 

Mas há soluções para aproveitar as baixas tributações em Malta

Felizmente, existe uma solução para os problemas descritos, mas necessariamente requer a fundação e manutenção de uma segunda empresa, com os custos adicionais que isso acarreta. 

Como as restituições de impostos sempre vão para os proprietários, a solução é ter uma empresa matriz que atue como uma holding. De forma bastante astuta, Malta acrescentou à lei que uma holding maltesa pode cobrar restituições de impostos de suas subsidiárias livres de impostos após um certo tempo de espera. Isso resolveu o problema de todos aqueles que não são residentes em Malta.

A última inovação: o Regime de Integração Fiscal em Malta

A partir de meados de 2019, tem sido possível, sob certas condições, evitar totalmente este sistema de reembolso de impostos e pagar diretamente a taxa de imposto de 5% sobre as empresas. Esta consolidação fiscal torna agora Malta muito mais atraente, embora, como antes, ainda seja necessário ter duas empresas.

Ambas as empresas formam um regime de integração fiscal, ou seja, são tratadas como uma única empresa para fins fiscais. Isso requer que duas das seguintes condições sejam atendidas: 

  • A empresa matriz detém, pelo menos, 95% dos direitos de voto da subsidiária;
  • A empresa matriz tem o direito de receber, pelo menos, 95% dos lucros da subsidiária;
  • A empresa matriz teria direito a, no mínimo, 95% dos ativos da subsidiária no caso de sua dissolução.

Além disso, é necessário que os períodos contábeis das duas empresas coincidam e que seja obtida autorização de todas as sociedades minoritárias. Como ambas as empresas são administradas como uma unidade tributária, os custos contábeis e de declaração anual são menores do que se fossem duas empresas independentes.

Portanto, com a alíquota de imposto efetiva de 5%, Malta tem o imposto corporativo mais baixo da UE, independentemente do volume de faturamento ou dos lucros. Uma vez que não existem impostos retidos na fonte sobre os dividendos e o IVA é bastante baixo (18%), as empresas de Malta são ideais para uma estratégia fiscal internacional. E como os provedores de serviços de pagamento internacionais, como a Stripe, agora aceitam empresas maltesas, a ilha também se tornou muito interessante para negócios online.

As semelhanças entre Malta e Chipre

Como ambas são ex-colônias do Reino Unido, a ilha de Malta e o Chipre são relativamente semelhantes. A administração das empresas segue normas e padrões contábeis semelhantes. No entanto, uma LLC (Limited Liability Company) maltesa requer 1.250€ de capital social, enquanto no Chipre requer de apenas 1€.

Apesar de ambos os países terem a mesma moeda (o Euro), Malta oferece melhores serviços bancários e um sistema financeiro muito mais estável. Com uma dívida pública de apenas 40%, Malta é um dos países menos endividados da UE. O tempo de voo da maioria dos países da Europa Central é consideravelmente mais curto do que para o Chipre, portanto, tende a ser mais atraente para todos aqueles que querem construir uma substância econômica na ilha e ainda permanecer em seu país de origem.

O inglês é mais falado em Malta do que no Chipre. Na verdade, é também uma língua oficial na vida administrativa e no cotidiano de lá. No setor judiciário, a língua oficial é o maltês, o que soa um tanto exótico, pois é uma mistura de árabe, italiano e inglês. Isto tem vantagens importantes para os gestores de empresas em Malta, uma vez que lá é difícil ser processado ou mesmo sancionado.

Embora os custos estruturais e afins sejam um pouco mais altos em Malta do que na Europa Oriental, a economia de impostos é claramente maior. Em comparação com o Chipre, você poderia se beneficiar de uma economia de 12.5% para 5% de impostos corporativos, com custos apenas ligeiramente mais elevados.

É por isso que pode ser conveniente, mesmo se você for residente não-domiciliado (non-dom) no Chipre, administrar o negócio através de Malta, nem que seja apenas para evitar os desastrosos bancos cipriotas.

Como obter residência fiscal em Malta como cidadão da UE

Para obter o status de não-domiciliado no Chipre, você deve abrir uma empresa lá, enquanto em Malta qualquer estrangeiro pode se tornar um não-domiciliado sem sequer solicitá-lo.

Graças à liberdade de estabelecimento na UE, os requisitos são mínimos para cidadãos europeus. Entre eles estão os seguintes:

  • Você precisa passar, no mínimo, seis meses por ano em Malta;
  • Você precisa pagar aluguel o ano inteiro ou ser proprietário de uma casa (o valor da propriedade é irrelevante);
  • Você precisa ter um seguro de saúde válido;
  • Você precisa ser financeiramente independente (14.000€ por ano ou 84.95€ por semana. Um contrato de trabalho também é valido).

O único requisito que poderia ser um problema para alguém que deseja abrir a sua empresa ou mudar a sua residência fiscal para Malta, é a permanência mínima obrigatória de seis meses no país.

Residência non-dom em Malta

Os não-domiciliados em Malta também podem usar o regime de integração fiscal maltês, mas precisarão de uma terceira empresa estrangeira (holding) para ser proprietária da holding maltesa, a fim de maximizar as vantagens fiscais.

O regime não-domiciliado (non-dom) de Malta existe há muito mais tempo do que o do Chipre e é inspirado no clássico status não-domiciliado inglês. Assim, os rendimentos obtidos no exterior somente serão isentos de impostos desde que não sejam introduzidos no país.

Ao contrário do Chipre, que isenta dividendos e juros de impostos, independentemente da sua origem e utilização, Malta isenta de impostos todos os rendimentos não gerados ou usados dentro do país. Toda a receita usada para despesas pessoais é considerada dinheiro “usado” na ilha.

Em comparação com o status não-domiciliado muito semelhante da Irlanda e da Inglaterra, Malta possui menos restrições há muito mais tempo. Enquanto no Reino Unido e na Irlanda você devia (e ainda deve) declarar todos os seus rendimentos globais, mesmo que não fossem todos tributados, em Malta você só precisa declarar o valor que pretende usar em Malta. Neste caso, “usar” aqui significa não apenas fazer transferências bancárias para Malta, mas potencialmente também fazer pagamentos ou saques com cartão de crédito.

Como isso é bastante difícil de controlar e foi abusado repetidamente, em 2018 Malta impôs um imposto mínimo para todos aqueles que queriam usar o status de não-domiciliado. Desde então, para se qualificar para o status de não-domiciliado em Malta, você deve pagar um imposto fixo mínimo de 5.000€.

Entendendo as peculiaridades fiscais de Malta

O lado bom é que isso compensa uma quantia considerável (cerca de 2.000€ por mês) que pode ser trazida para Malta para cobrir o custo de vida. Desde a introdução do imposto mínimo, a situação fiscal, que antes era geralmente pouco clara, tornou-se mais sólida. Quem não leva exatamente uma vida de excessos, não precisa se preocupar em ter seus gastos controlados em Malta. Claro, todos os rendimentos gastos ou investidos fora de Malta serão isentos de impostos.

O problema para os residentes não-domiciliados em no país é que, se receberem os seus rendimentos por meio da estrutura empresarial maltesa, todas as distribuições de dividendos serão consideradas como rendimento tributável nacional.

Para evitar isso, pode-se constituir uma empresa matriz estrangeira, que ou receba a restituição de impostos e/ou, no caso de regime de integração tributária, o pagamento dos dividendos. Aqui você pode, teoricamente, optar por qualquer tipo de empresa offshore, embora geralmente sejam utilizadas em empresas limitadas inglesas, que também pode ser usada, visto que sob acordos de dupla tributação, elas não têm que pagar impostos corporativos numa restituição de impostos oriunda de Malta.

No entanto, o caminho por intermédio de um acordo societário é preferível, uma vez que os rendimentos podem ser distribuídos diretamente, sem acordos formais, para contas privadas fora de Malta.

Obviamente, também é possível usar o status de não-domiciliado (non-dom) maltês sem operar por meio de uma empresa maltesa. No entanto, Malta fica de olho no verdadeiro lugar de onde a gestão da empresa acontece. Uma empresa fantasma, sem substância, será aceitável se for meramente uma holding que está sendo usada para reembolso de impostos, mas não se for de fato uma empresa operacional.

O que mais é necessário para criar uma offshore em Malta?

Qualquer pessoa que pretenda gerir legalmente uma empresa estrangeira (ou seja, fora da ilha), embora permaneça residente em Malta, deve ter como objetivo ter um mínimo de substância econômica composta, no mínimo, por um escritório e um administrador local. Desta forma, será possível levar uma vida potencialmente isenta de impostos em Malta, exceto para o referido imposto fixo mínimo de 5.000€.

Aliás, além dos impostos, você precisa levar em conta as contribuições obrigatórias para a seguridade social, que são calculadas de acordo com vários aspectos, mas, em todo caso, para trabalhadores autônomos e empresários, representam um máximo de 53,08€ por semana para uma renda de 18.500€. Isso implica uma carga tributária anual adicional de cerca de 2.700€. Para rendimentos inferiores a 18.400€, 15% são aplicados na renda líquida, ou seja, 0,15 × 1.020€ = 153€ extra por mês, quase 1.850€ por ano.

O que muitas pessoas não entendem sobre o sistema non-dom (não-domiciliado)

Essencialmente, o status não-domiciliado significa que a renda gerada no exterior estará isenta de impostos, desde que não seja trazida para dentro do país. A renda estrangeira que permanece numa conta no exterior ficará verdadeiramente isenta de impostos. 

Quando se trata de repatriação de renda estrangeira, muitos non-doms geralmente não estão conscientes sobre o que isso significa. Portanto, iremos explicá-lo novamente.

Trazer dinheiro para o país não envolve apenas fazer transferências eletrônicas para uma conta no país, mas também inclui retirar dinheiro de caixas eletrônicos no país, fazer pagamentos com cartão de crédito ou débito, trazer dinheiro em espécie do exterior (embora seja muito difícil de ser detectado), entre outras coisas.

No fim, todo o dinheiro que você usa em Malta é, na verdade, dinheiro “repatriado”; dinheiro que você traz para o país. Assim, todas as despesas realizadas in situ em Malta também devem ser totalmente tributadas.

Na realidade, muitos não-domiciliados escondem certas despesas que têm em Malta. Especificamente, a transferência de grandes quantias de dinheiro em espécie de países vizinhos é uma prática comum e quase impossível de se detectar, mas na teoria é considerada fraude fiscal em Malta.

Malta, ideal para investidores (não profissionais)

Ao contrário do Chipre, em Malta não existe um requisito de permanência mínima para obter o status de não-domiciliado. Uma vez que Malta faz parte do Espaço Schengen, não é tão fácil controlar as pessoas que entram e saem do país, apesar de ser uma ilha. Por exemplo, existem veículos aquáticos como balsas que se deslocam para a Sicília.

No entanto, para obter um certificado fiscal com o status de não-domiciliado normal, você deve oficialmente ficar no mínimo 183 dias no país. Embora não seja tecnicamente necessário que você esteja lá, você deve ser capaz de comprovar pagamentos regulares com seu cartão de crédito em Malta. Existem, é claro, várias maneiras de tirar proveito dessa brecha, mas como fazer isso depende da imaginação do leitor.

Em todo caso, permanece que, em termos gerais, você não precisa de um certificado fiscal. Você só precisa dele para tirar proveito de certos benefícios dos acordos de dupla tributação, em alguns casos para se retirar como contribuinte ou se há intenção de retornar ao seu país de origem.

Seja como for, para os residentes com certificados fiscais envolvidos em investimentos ou trading, Malta pode ser muito interessante, pois tem muitos acordos de dupla tributação muito bons que podem reduzir os impostos retidos na fonte sobre dividendos e juros.

Para os investidores (não profissionais), há outro regulamento fundamental no regime não-domiciliado maltês: ganhos de capital obtidos no exterior podem ser transferidos para Malta com isenção de impostos. Eles não se enquadram no imposto de “Base de Remessa” (Remittance Base) (tributação da renda que é usada ou transferida para o país), mas são isentos de impostos, mesmo se transferidos para Malta.

O status de HNWI

Devido a esta isenção fiscal sobre os lucros da bolsa — e potencialmente também sobre os dividendos — e seus muitos bons tratados de dupla tributação, Malta é, assim como o Chipre, particularmente adequada para investidores privados do mercado de ações. Eles também podem tirar proveito de um programa especial e pouco conhecido em Malta, que, embora consideravelmente mais caro do que no Chipre, pode oferecer maiores benefícios.

O status de HNWI refere-se ao programa Indivíduo de Alto Patrimônio Líquido (High Net Worth Individual) para cidadãos da UE. Existe também uma versão mais acessível para aposentados.

Este status, projetado para pessoas ricas, tem uma alíquota de imposto geral mais alta do que o status de não-domiciliado (non-dom) normal em Malta, mas não exige uma estadia mínima para obter o certificado fiscal, embora é claro que você deve evitar se tornar um residente fiscal em outro país. Isso significa que você não pode passar mais de 183 dias em outro país.

As vantagens do HNWI e como obtê-lo em Malta

O HNWI permite que você comprove sua residência fiscal em Malta com um certificado de residência fiscal, sem ter que permanecer lá. Em vez de precisar ter uma empresa lá, obrigada a pagar contribuições para a seguridade social, como é o caso de Chipre, os residentes em Malta têm de pagar um imposto fixo mais elevado e fazer um investimento de determinado valor.

Para ser admitido como não-domiciliado com o status de HNWI, é necessário possuir um imóvel no valor de 400.000€ ou alugar um por ao menos 20.000€ ao ano. Esta propriedade deve permanecer como residência principal, portanto não pode ser sublocada por períodos curtos nem longos.

Além disso, não há outros requisitos com relação a patrimônio ou renda, apenas uma verificação do tipo due dilligence no histórico bancário e afins do requerente. Um seguro de saúde privado maltês válido também deve ser contratado.

Como HNWI, você pagará uma taxa anual fixa de 20.000 € em vez dos 5.000 € padrão. Você paga um adicional de 2.500 € por cada membro dependente familiar.

A principal vantagem desse status, além de não haver exigência de permanência mínima, é uma alíquota fixa de 15% sobre a renda trazida para o país, em vez dos impostos progressivos de até 35%.

No entanto, o status de HNWI não é muito útil para aqueles que não desejam passar um bom tempo em Malta. Se você tem que pagar 20.000€ em impostos globais e outros 20.000€ pelo aluguel de um imóvel que mal será usado, você certamente estaria em melhor situação no Chipre, que requer apenas dois meses de permanência no país e tem custos fixos mais baixos.

A taxa de inscrição para o status de HNWI em Malta é de cerca de 6.000€.

Programa especial para aposentados em Malta

O programa HNWI é mais interessante para os aposentados da União Europeia. O imposto fixo neste programa para aposentados permanece em acessíveis 7.500€. O aluguel mínimo é de apenas 9.600€ por ano (8.750€ em Gozo) ou se você possui uma propriedade, ela deve valer pelo menos 275.000€ para se qualificar. Esta pode ser uma opção muito atraente, especialmente se você quiser passar algumas semanas por ano em Malta.

A propósito, pelo menos 75% da renda do aposentado deve realmente vir de sua aposentadoria, e apenas um máximo de 25% de ganhos de capital são permitidos. Naturalmente, isso limita consideravelmente o número de aposentados que podem ter acesso a esse plano. 

A inscrição para o status de HNWI para aposentados custa cerca de 2.500€. Geralmente, o status normal de não-domiciliado “Ordinary Residency Scheme” é mais atraente para os aposentados.

Golden Visa e cidadania maltesa

A propósito, Malta oferece os mesmos programas mencionados acima, para cidadãos de fora da UE/EEE. É claro que eles também precisam obter uma autorização de residência, que é obtida através do chamado “Golden Visa”.

Ao contrário de outros países mediterrâneos, para obter uma Golden Visa, não é estritamente necessário comprar um imóvel no país. Em Malta, um investimento de 5 anos em títulos do governo no valor de 250.000€, bem como uma doação de 30.000€, é suficiente. Além disso, você deve comprar ou alugar um imóvel. Isso totaliza cerca de € 40.000, mas em troca você recebe uma autorização de residência por um período indefinido em todo o espaço Schengen e nacionalidade maltesa após cinco anos.

Também existe a alternativa de comprar diretamente a nacionalidade maltesa, mas para fazê-lo, você terá de realizar uma doação de 650.000€; um investimento em títulos do governo de 150.000€; e comprar uma propriedade por 350.000€ ou pagar um aluguel anual mínimo de 16.000€. Neste caso, a nacionalidade é concedida após apenas um ano de residência em Malta.

Para os cidadãos de fora da UE que desejam obter o status de HNWI, uma alíquota fixa de imposto de 25.000€ também deve ser paga. Isso pode parecer um pouco caro, mas um passaporte da UE abre muitas portas.

No entanto, não se anime muito pois alguns países, incluindo a Alemanha e a Suíça, estipularam acordos de dupla tributação com Malta para seu próprio benefício (você pode ver os tratados assinados por Malta aqui). Uma vez que Malta renuncia à tributação, é cobrado um imposto na fonte sobre os rendimentos de capital pelo valor total nos respectivos países.

Aviso aos traders profissionais

As autoridades fiscais maltesas classificam os negócios do mercado de ações e trading como rendimento interno, desde que sejam conduzidos a partir de Malta em um padrão essencialmente profissional. Os ganhos de capital estão isentos de impostos em Malta apenas para investidores particulares.

O visto de nômade digital maltês

Fora o Golden Visa, Malta recentemente lançou um visto para nômades digitais. O novo visto se chama Nomad Residence Permit, e possui algumas condições especiais. Para começar, os candidatos devem provar que podem trabalhar remotamente. Além disso, os candidatos devem provar que se enquadram em qualquer uma das 3 categorias a seguir:

  1. trabalham para um empregador registrado em um país estrangeiro e tem um contrato de trabalho;
  2. conduzem atividades comerciais para uma empresa registrada em um país estrangeiro e da qual o candidato é sócio/acionista; ou
  3. oferecem serviços de freelance ou consultoria, principalmente a clientes cujos estabelecimentos permanentes estejam em um país estrangeiro, e com os quais o solicitante tenha contratos.

Independente da categoria, o solicitante deve atingir um mínimo de renda mensal bruta de 2.700 euros. Parentes adicionais elegíveis terão valores diferentes de renda necessária.

Fora isso, os requisitos básicos de outros vistos para Malta também se aplicam: 

  1. possuir um documento de viagem válido;
  2. ter seguro saúde que cubra os riscos em Malta;
  3. possuir um contrato válido de aluguel ou compra de propriedade; e
  4. passar uma verificação de antecedentes.

E isto é tudo. O Nomad Residence Permit é válido por um ano e pode ser renovado mediante solicitação, desde que o requerente ainda preencha os critérios de elegibilidade estabelecidos. 

Isenções para não-domiciliados em Malta

Para concluir, podemos dizer que existem duas isenções positivas.

Em primeiro lugar, você pode transferir todo o seu patrimônio existente para Malta sem impostos, se puder provar que o patrimônio existia antes de você se registrar como residente em Malta.

Assim, transferir o patrimônio para uma conta privada em Malta e viver com o dinheiro transferido por um período de tempo é uma possibilidade legítima. 

Em segundo lugar, como mencionado anteriormente, os ganhos de capital estão isentos de impostos em Malta, mesmo que você os use em Malta.

Considerações finais

Não há dúvida de que Malta é uma ótima alternativa ao Chipre, mas decidir sobre um ou outro é uma questão de gosto, da situação e dos objetivos concretos. Se quiser escolher, é aconselhável visitar as duas ex-colônias britânicas e ver o quanto são compatíveis com as suas necessidades. Este artigo tem como objetivo apenas fornecer uma breve visão geral da situação fiscal atual.

Como você pode ver, Malta tem muito a oferecer além de todas as vantagens fiscais. O inglês como língua oficial, muita história e cultura, um ótimo padrão de vida, bom clima e preços aceitáveis, além de segurança e acessibilidade. Tudo isso faz de Malta um ótimo destino, desde que você tenha as informações certas.

Se você quiser que o ajudemos a registrar sua residência em Malta, abrir seu negócio lá ou obter seu Golden Visa, pode entrar em contato com a Settee. Se você ainda tiver dúvidas, não tiver certeza do que fazer e quiser uma consulta para decidir entre Malta ou as muitas outras opções em termos de empresas, residência, entre outras, você pode agendar uma sessão de consultoria também.

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Por:

A Settee é uma equipe internacional de empresários, nômades digitais e consultores especializados em estratégias de internacionalização.

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