Užupis: a nação de 600 metros quadrados

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Užupis: a nação de 600 metros quadrados

A República de Užupis é um pequeno país auto-declarado com área de 0,6 km², situado na capital da Lituânia. Užupis, cuja tradução significa “do outro lado do rio” – do Rio Vilnia – , é uma república boêmia, artística e de espírito livre.

Apesar de a região ter se declarado independente da Lituânia em 1º de abril de 1997, esta não foi uma piada do Dia da Mentira. Dessa forma, a pequena república tem um presidente, um ministério de Relações Exteriores, carimbos de passaporte, moeda e, é claro, uma constituição.

Em julho de 1998, a constituição foi redigida pelo então ministro Thomas Chepaitis e Romas Lileikis, presidente de Užupis à época. Além disso, já foi traduzida para mais de 30 idiomas, como nepalês, armênio e farsi.

Constituição de Užupis

  1. Todos têm o direito de viver à beira do Rio Vilnia e o Rio Vilnia tem o direito de correr por todos.
  2. Todo mundo tem direito à água quente, aquecimento no inverno e a um teto.
  3. Todos têm direito de morrer, mas isso não é uma obrigação.
  4. Todo mundo tem o direito de cometer erros.
  5. Todos têm o direito de serem únicos.
  6. Todo mundo tem o direito de amar.
  7. Todos têm direito de não serem amados, mas não é obrigatório.
  8. Todo mundo tem o direito de ser banal e desconhecido.
  9. Todos têm direito ao ócio.
  10. Todo mundo tem direito de amar e cuidar de um gato.
  11. Todos têm direito de cuidar do cão até que um deles morra.
  12. Um cão tem o direito de ser um cão.
  13. Um gato não é obrigado a amar o seu dono, mas deve ajudá-lo em tempos difíceis.
  14. Todos têm o direito de não estar ciente de seus deveres de vez em quando.
  15. Todas as pessoas têm direito de estar em dúvida, mas isso não é uma obrigação.
  16. Todo mundo tem direito de ser feliz.
  17. Todos têm direito de serem infelizes.
  18. Todo mundo tem direito de ficar em silêncio.
  19. Todo mundo tem direito de ter fé.
  20. Ninguém tem direito à violência.
  21. Todo mundo tem o direito de observar a própria insignificância.
  22. Ninguém tem o direito de ter um projeto em eternidade.
  23. Todo mundo tem direito de entender.
  24. Todos têm o direito de não entender nada.
  25. Todo mundo tem o direito de ter qualquer nacionalidade.
  26. Todas as pessoas têm direito de celebrar ou não celebrar seu aniversário.
  27. Todo mundo deve se lembrar do próprio nome.
  28. Todo mundo pode compartilhar o que tem.
  29. Ninguém pode compartilhar o que não tem.
  30. Todas as pessoas têm direito de ter irmãos, irmãs e pais.
  31. Todo mundo pode ser independente.
  32. Cada um é responsável pela sua própria liberdade.
  33. Todo mundo tem o direito de chorar.
  34. Todo mundo tem direito de ser mal interpretado.
  35. Ninguém tem o direito de culpar ao outro.
  36. Todo mundo tem o direito de ser único.
  37. Todos têm o direito de ter direitos.
  38. Todo mundo tem o direito de não ter medo.
  39. Não aceite a derrota.
  40. Não se vingue.
  41. Resista.

Por fim, os últimos três são, na verdade, máximas, e não artigos.

Estrutura da sociedade Užupis

Visto que, o parlamento está alojado em um bar local, por uma das entradas de Užupis, as pessoas são encorajadas a se envolver no governo. Por exemplo, tornando-se embaixador em qualquer número de nações, reais ou imaginárias.

Isto é, há mérito em trabalhar tanto na Embaixada da república localizada na Islândia, assim como na Embaixada dos Abraços ou na Embaixada dos Beija-Flores.

“Eu levo tudo isso a sério, mas com humor, é claro, porque o humor é um fluido vital da vida. Em certo sentido, o Ministério é o meu maior acontecimento ou evento, no qual participam mais de 500 pessoas”, afirmou Thomas Chepaitis em relação às embaixadas.

Origem dessa micro-nação

Apesar dos aspectos leves e despreocupados desta república, Užupis realmente simula ideias gerais do liberalismo em relação à liberdade e à independência, acompanhadas por uma atitude geralmente antiestatista.

Afinal, a ideia para Užupis surgiu após o colapso da União Soviética, quando a Lituânia se declarou independente em 1990. Logo após a independência, as pessoas começaram a derrubar todas as estátuas de Lenin. Em seu lugar, o fotógrafo Saulius Paukstys teve a ideia de erguer uma estátua de Frank Zappa.

“Estávamos desesperados para encontrar um símbolo que marcasse o fim do comunismo, mas ao mesmo tempo expressar que nem sempre foi desgraça e tristeza”, disse Paukstys ao The Guardian em 2000.

“Ok, Zappa nunca visitou a Lituânia e não teve nenhuma conexão com o país, mas, para mim, esse foi um teste de nossa liberdade recém-encontrada”, acrescentou Paukstys. “A Lituânia acabara de se declarar um país democrático. Eu queria testá-lo e ver se seria capaz de realizar minhas ideias. ”

Em um tempo de corrupção e clientelismo pós-soviético, a bandeira de Užupis ostenta uma mão azul com um buraco na palma, aludindo ao fato de que seus funcionários não aceitarão suborno. “O principal é que não temos nada a esconder em nossas mãos”, disse Kestas Lukoskinas.

Republic of Užupis - MicroWiki
Bandeira de Užupis

Portanto, se você não gosta dos costumes particulares de Užupis, tem todo o direito de sair. Embora as pessoas obtenham seus vistos carimbados, todos têm a liberdade de ir e vir de Užupis sem que nenhum governo diga uma única palavra sobre.

Gabrielle Okun é Coordenadora de Marketing do site libertarianism.org.

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Por | 2020-06-11T18:56:32-03:00 12/06/2020|Libertarianismo|Comentários desativados em Užupis: a nação de 600 metros quadrados