A teoria das bandeiras: mais liberdade e menos impostos

Perpetual Traveler (Viajante Permanente), Permanente Tourist (Turista Permanente), People of Talent (Pessoas de Talento), Previous Taxpayer (Ex-pagador de impostos) ou, simplesmente, PT. Em poucas palavras, eis o resumo da teoria das bandeiras.

Talvez você possa também tenha cruzado com o termo “nômade digital” em algum lugar, mas não necessariamente esses nômades possam estar aplicando todas as bandeiras que buscam alcançar a liberdade suprema.

A ideia por traz dessa estratégia é basicamente você não se apegar a apenas um país. Acredito que neste momento a imensa maioria dos leitores deste artigo moram, vivem, trabalham, possuem cidadania e mantêm o patrimônio todo dentro do mesmo país. Estou errado?

Pode soar natural, mas na verdade não precisa ser assim para todo mundo. A maioria das pessoas apenas repetem o que os pais fizeram ou o que os pares têm feito. Quando surge alguma coisa diferente, as pessoas têm medo. Não tenho dúvida de que tenha gente lendo este site desde quando o dólar valia R$ 2,25 e mesmo assim não abriu uma conta no exterior, ou porque tem medo ou porque não vê os mais próximos fazendo.

PT é uma estratégia voltada para indivíduos que buscam a soberania individual, mas isso não significa “ficar pulando” de país em país. Ele apenas precisa organizar sua papelada de modo que todos os governos o considerem um turista. Um turista que visita o Brasil precisa se alistar no serviço militar daqui? Não. Um turista que visita os Estados Unidos precisa pagar imposto de renda lá? Não. O indivíduo PT atua legalmente, mas fora das regras usuais. Quanto mais repressor for o país em que você mora, maior será a liberdade alcançada pela estratégia PT.

Praticamente qualquer lugar do mundo pode ser um bom destino para um PT, desde que NÃO seja seu local de partida.

A teoria das bandeiras

A teoria original das bandeiras foi criada na década de 1950 e envolvia originalmente apenas três bandeiras.

Nas décadas de 1980 e 1990, expandiu-se para cinco bandeiras e, com o advento da internet nos anos 2000, a sexta bandeira foi criada.

Nos últimos anos, graças a tecnologia blockchain, a sétima bandeira ganhou vida. Cada bandeira representa uma parte da sua vida, e você deve escolher o país mais adequado para fincar cada uma.

A primeira bandeira: Cidadania

Além do passaporte original do país onde nasceu, você deve ter um segundo passaporte. Mas, não deve escolher qualquer segundo passaporte. Deve ser de um país respeitável e preferencialmente neutro em situações e conflitos internacionais. O ideal é que seja de um país que permita acessar o maior número de países sem a necessidade de visto.

Os melhores passaportes são os da União Europeia. Você pode conseguir um por ascendência ou por meio de investimentos.

A segunda bandeira: Residência

Este país será a sua residência oficial. A característica principal dele é que não deve tributar a sua renda conseguida fora deste.

O objetivo é você não precisar declarar imposto de renda em nenhum país do mundo, já que você organizará seus negócios e investimentos para lhe trazer renda vinda de fora.

Quais países possuem essas características? As Ilhas Turcas e Caicos, Panamá, Andorra, Bermuda, Liechtenstein, Suíça, Mônaco, Reino Unido, Irlanda, Paraguai e Emirados Árabes Unidos.

A terceira bandeira: Base de negócios

A base de negócios é o país onde você estabelecerá legalmente sua empresa. A escolha obviamente se dá entre os diversos paraísos fiscais espalhados pelo mundo.

Não apenas esses países lhe proporcionarão uma vida com menos impostos pelo resto da vida, como a estrutura offshore que você escolher deve proteger a sua pessoa física dos negócios da pessoa jurídica.

Em uma economia global, você pode estabelecer sua empresa em qualquer lugar do mundo. E não são apenas negócios, a sua companhia poderá adquirir imóveis, fazer dívida, abrir contas, proteger e expandir seu patrimônio (inclusive para suas próximas gerações).

E saiba que em sua base de negócios estarão apenas os registros de sua empresa. Não precisa necessariamente que você ou algum funcionário esteja lá.

Em termos de negócio, Estônia e Panamá são países que valem consideração. Já em se tratando de proteção e privacidade Nevis e Ilha em São Cristóvão e Nevis são centros importantes.

A quarta bandeira: Contas bancárias

É o país onde você guardará seu dinheiro e seus investimentos. Ele deve ser altamente qualificado no que se refere a privacidade, comunicações, estabilidade e profissionalismo. Deve ficar longe de onde você primeiramente ganha o dinheiro, de onde você tem residência ou passa a maior parte do tempo.

Os países que preenchem esses requisitos são o “crème de la crème” dos centros financeiros mundiais, como Suíça, Liechtenstein, Áustria e Singapura.

A quinta bandeira: Playgrounds

É o país onde você vai estar fisicamente. Justamente pelas questões legais, você somente poderá ficar o suficiente para que não seja considerado um residente fiscal.

Há arranjos legais complexos que podem lhe permitir morar em apenas um país indefinidamente sem se tornar residente fiscal, entretanto o mais comum é que o PT tenha de dois a quatro países para morar. Daí vem o apelido de nômade digital.

A escolha do país dependerá do seu gosto pessoal quanto a clima, vida social e noturna, gostos culinários, custo de vida, etc.

A sexta bandeira: Presença e segurança na internet

Esta bandeira indica a parte do seu negócio que ficará na internet e inclui a localização dos seus servidores e a segurança dos seus dados que ficarão armazenados.

A sua presença eletrônica poderá ser em qualquer lugar do mundo onde você não esteja. De preferência, seus dados e os de seus negócios online devem estar encriptados. O provedor também deve lhe fornecer Firewall, backups e demais sistemas de proteção.

É uma bandeira fundamental para desenvolver um negócio online. Isso, aliado a um sistema de pagamento capaz de receber dinheiro de qualquer lugar do mundo, tornou-se a base de negócios multimilionários e bilionários mundo afora. É o ponto de partida das pequenas multinacionais, vale ressaltar.

A sétima bandeira: Criptomoedas

É a última bandeira criada e a única que não envolve um país. Graças a tecnologia blockchain e ao surgimento do Bitcoin e demais criptomoedas, a transferência monetária entre contas e países ganhou uma velocidade, um baixo custo e uma privacidade jamais vistas.

É a solução que realmente lhe permite controlar suas finanças de uma forma totalmente autônoma e fora do sistema bancário, que possui suas regras e restrições.

Considerações finais

Toda a estratégia envolvida na teoria das bandeiras é voltada para ampliar sua liberdade, permitindo que você maximize o lucro de seus negócios e investimentos com o mínimo de custos e burocracia.

O mundo de hoje mudou bastante desde que a versão original do plano foi criado há mais de 60 anos. O ataque a privacidade bancária e o excesso de regulamentações têm colocado obstáculos em quem deseja alcançar a soberania individual.

Hoje, é preciso mais cautela e orientação adequada para que você faça as melhores escolhas de maneira legal, caso queira seguir neste caminho. Por outro lado, a era digital trouxe novas ferramentas que possibilitaram que pessoas comuns também pudessem seguir as mesmas estratégias daqueles de maior patrimônio.

Nem todo mundo precisa necessariamente usar todas as bandeiras. Há circunstâncias individuais que podem dificultar uma ou outra, mas quanto mais delas você conseguir implementar, maior será a sua liberdade.

As regras deste jogo vivem mudando e um PT deve estar informado e saber se adequar a elas. Lembre-se de que um PT sempre segue as leis locais.

E você? Vai ficar com suas bandeiras fincadas para sempre no país onde nasceu, ou vai procurar o melhor lugar para elas e extrair tudo que a internacionalização tem de melhor?

A Sette Consultoria pode ajudar a desenvolver a teoria das bandeiras em sua vida.

Texto de Raphael Monteiro

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Desde 2015 o Ideias Radicais busca difundir o libertarianismo e ajudar a construir uma sociedade livre.

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