Se você é de esquerda deveria odiar o comunismo

O pouco caso da esquerda brasileira com as vítimas da ideologia comunista é um fenômeno curioso. Bem como, é impossível encontrar alguém que se autodenomine mais interessado com o próximo do que um esquerdista.

São “os inteligentinhos”, como afirma o filósofo Luiz Felipe Pondé, os detentores do monopólio das virtudes. Quem é esquerdista costuma justificar a opção ideológica por “se importar com as pessoas”.

Basta pedir mais detalhes do porquê estar na esquerda e você provavelmente terá a seguinte resposta:

Bem, eu não gosto da desigualdade que existe hoje. Eu me importo com o sofrimento das minorias, defendo os direitos humanos e gostaria de mais liberdades individuais para as pessoas.

Todos estes quatro pontos – igualdade, proteção das minorias, defesa das liberdades individuais e dos Direitos Humanos — são muito importantes, mas significam exatamente que a esquerda deveria rejeitar o comunismo.

Regimes comunistas reprimem minorias

Analisando os fatos, verifica-se que não houve nada pior para os grupos minoritários do que os governos estabelecidos na União Soviética, na China, na Coreia do Norte e em todas as outras experiências comunistas.

Em 1971, homossexuais foram proibidos de ocupar cargos públicos e a sodomia constou no Código Penal Cubano até 1979. Assim como, beijos entre pessoas da comunidade LGBT eram punidos com cadeia por atentado ao pudor até 1997.

Essa também era a realidade na União Soviética. Entre 1934 e 1992, mais de 50 mil homossexuais foram condenados com base no artigo 121 do Código Penal Soviético, em que ser gay era crime punido com trabalhos forçados.

Além disso, embora seja uma ilha majoritariamente negra, eles quase não aparecem na composição do governo cubano. Bem como, são minoritários entre cargos de prestígio, como de professores universitários.

Liberdades individuais são completamente ignoradas pelo ideal comunista

A despeito de a legalização ser a bandeira dos militantes de esquerda, não é isso que acontece nos países comunistas. Até hoje, Cuba é um dos poucos países do mundo que pune o tráfico de drogas com pena de morte.

Na China, durante a ditadura de Mao Tse Tung, as políticas para eliminar a venda de ópio foram realizadas por meio do assassinato de todos os vendedores.

Além disso, o governo chinês também tem o controle de quantos filhos cada cidadão pode ter. Bem como, pode decidir em que local eles devem morar, haja vista os passaportes internos, cujo propósito é impedir a população de mudar de uma cidade para outra.

O Partido Comunista chinês está ainda implementando um sistema de monitoramento chamado “Sistema de Crédito Social”. A pontuação é feita por meio de um algoritmo que combina informações a partir de diversas fontes de dados pessoais.

Dessa forma, comportamentos bem vistos pelo regime, como utilizar o transporte público, não receber multas de trânsito e pagar impostos contabilizam pontos.

Do contrário, publicar algo que desagrade o governo ou entrar em contato com cidadãos chineses mal avaliados pelo sistema pode significar perda de pontos.

Enquanto isso, em Cuba, diversos músicos foram censurados pelos irmãos Castro ao longo dos anos. Afinal, no Comunismo, entre outras manifestações, música não é autêntica arte, mas uma mera máquina de propaganda do poder.

Além disso, atualmente, todas as aulas lecionadas na Coreia do Norte são gravadas para controlar o que é transmitido aos alunos. Há diversos temas proibidos, como falar sobre a internet ou contar como é a vida fora da península.

Por fim, há registros de vítimas do comunismo que morreram pelo crime de cantar canções “ocidentais” no Camboja. Já na Rússia, o rock era considerado subversivo, fascista e tinha de ser contrabandeado.

Ditadores comunistas violaram direitos humanos em todos os níveis

Os direitos humanos foram conquistas liberais, ao passo que os regimes comunistas configuraram-se em quadros completos de controle e violação da dignidade humana.

Enquanto os chineses comiam casca de árvore para não morrer de fomeMao Tse Tung mantinha um harém privativo. Assim como, Kim Jong-un ainda faz em seu país.

Em Cuba, a família Castro e dirigentes do partido levam vidas luxuosas na mesma ilha em que o povo raciona comida há mais de cinco décadas. Ou seja, não há nada mais desigual do que uma ditadura do proletariado.

Mas, para além disso, durante seu governo, Joseph Stalin foi responsável por conduzir as Grandes Purgas na URSS e pelo genocídio de Holodomor.

Por fim, ser preso pela polícia de um país comunista significa ser condenado com limitados recursos de defesa ou trancafiado em uma masmorra. Isso quando não em um campo de concentração, como ainda ocorre na Coreia do Norte.

A ideologia comunista causa o oposto do que defendem

Apesar de tudo isso, a esquerda brasileira ainda presta homenagens aos regimes totalitários que assolaram a humanidade. O grande mal de cada um deles é a concentração de poder, que, por sua vez, não apenas permite, mas estimula desastres humanitários.

Stalin, Fidel e Maduro, entre outros líderes comunistas, se mantiveram e ainda se mantém no poder não apesar de todo esse desastre, mas graças a ele.

Se a esquerda realmente se preocupa com: igualdade, proteção às minorias, liberdades individuais e direitos humanos, não deveria lutar por mais poder ao estado, mas pela maior autonomia dos indivíduos.

Hoje, mais do que nunca, a esquerda deve-se perguntar se quer perseguir o poder ou ajudar pessoas. No primeiro caso, que sejam comunistas. No último, afastar-se e cessar qualquer apoio a esse sistema são os únicos caminhos.

O historiador marxista Eric Hobsbawn chegou ao ponto de se referir aos milhões que perderam suas vidas para o comunismo como algo menor: “não se faz omelete sem quebrar alguns ovos”.

Assim como, Stalin endossava: “um homicídio é trágico, milhões são apenas números”. Porém, para nós, indivíduos não são nem ovos, tampouco números. São seres humanos, cujo direito à vida ninguém tem o direito de revogar.

E, apesar do discurso e do monopólio das virtudes, ao celebrar o ideal comunista, a esquerda demonstra não se preocupar verdadeiramente com eles.

Texto escrito em parceria com Luan Sperandio, Head de conteúdo do Ideias Radicais.

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Ivanildo Terceiro

Por:

Diretor de Comunicação do Students for Liberty Brasil.

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