Risco político de Governo Bolsonaro aumentou

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Risco político de Governo Bolsonaro aumentou

O risco político do governo Bolsonaro aumentou com a crise provocada pelo coronavírus, além de declarações e ações consideradas controversas por parte do presidente Jair Bolsonaro. A popularidade do governo estava em alta, mas os eventos dos últimos dias colidiram com ela. Afinal, é natural que falhas fiquem mais evidentes e sejam menos toleráveis pelo eleitorado em meio a crises.

Entender o peso desse cenário é importante para compreender os próximos acontecimentos políticos, como a aprovação ou não de novas reformas, e seus impactos no mercado, na economia e no futuro do governo.

Dessa forma, a Rodada XP Março mostrou o maior recuo de popularidade do governo desde início do mandato. Agora 30% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, contra os 34% registrados em fevereiro. O índice entre quem considera o governo ruim ou péssimo manteve-se em 36%.

Maioria passa a ser contrária a reformas para o momento

Porém, dois dados despertam o alarme a respeito da possibilidade de aprovação de reformas cair.

Houve uma inversão na aprovação da política econômica do governo:

Agora 48% acham que ela segue um caminho ruim, enquanto em fevereiro o percentual era de 40%. Enquanto isso, apenas 37% avaliam de forma positiva a política econômica do governo Bolsonaro, quando em fevereiro o índice registrava 47%.

Já para 61% dos brasileiros, a melhor opção para combater os efeitos na economia diante do coronavírus são medidas para estimular o crescimento. Em oposição, apenas 24% opinaram que ela deve se dar a partir de reformas tributária e administrativa.

Primeiro pedidos de impeachment protocolados

Houve três pedidos de impeachment protocolados na última semana. Eles se deram por parte do deputado distrital Leandro Grass (Rede/DF), de parlamentares do PSOL e um terceiro por parte do deputado Alexandre Frota (PSDB/SP).

Entre as fundamentações estão a convocação de pessoas para a manifestação do dia 15, contrariando normas de saúde pública, uma possível quebra de decoro em relação à jornalista Patrícia Campos Mello da Folha de São Paulo, apologia à ditadura militar e ao AI-5 e acusação de fraudes eleitorais sem fundamentação.

Pesquisa do Atlas Político perguntou sobre o apoio a saída de Jair Bolsonaro e 44,8% apoiam.

As respostas e possíveis retaliações do Congresso

É natural que o Legislativo responda às ações do Executivo. A aprovação das emendas impositivas pelo Congresso, por exemplo, foi vista como uma retaliação aos ataques do presidente ao parlamento.

Dessa forma, como retaliação é possível que se aprove projetos que resultem em aumento de despesas, ou que se rejeite projetos de interesse do governo. É por isso que o risco político é um indicador importante porque aumenta-se a probabilidade de que decisões afetem negativamente investidores, empresas e as pessoas em geral. O resultado possível é uma redução de investimentos ou queda na lucratividade de organizações empresariais.

Contudo, a avaliação é que isso deve ocorrer apenas após passada a crise do coronavírus e que a chance de um impeachment para o momento é remota porque não há condições políticas e nem interesse por parte dos parlamentares nisso. Afinal, quem pede impeachment no momento é quem já reprovava o presidente Bolsonaro e enxergou uma oportunidade de desgastar mais o governo.

Contudo, a participação de Bolsonaro nos atos repercutiu negativamente e ao quebrar pontes, se dificulta ainda mais seu diálogo com o Congresso, que nunca foi dos melhores. Se ao invés de um paciente Rodrigo Maia (DEM/RJ) a presidência da Câmara fosse ocupada por um Eduardo Cunha (MDB/RJ), as retaliações talvez não esperassem passar a crise do coronavírus para ocorrer e viessem em intensidades maiores.

Parlamentares alinhados com governo diminui

Pesquisa Barômetro do Poder em Março 2020 dividiu os 513 deputados federais e os 81 senadores em três grandes grupos (alinhados com o governo, de oposição e indefinidos).

A média das estimativas dos especialistas aponta para uma base aliada com 91 assentos na Câmara (18%) e 15 no Senado (19%).

É o menor patamar médio estimado desde o início da atual administração. Os analistas estimam que a oposição conte com 150 deputados e 19 senadores e que os incertos somem 272 e 47 assentos nas respectivas casas legislativas.

Com isso, a capacidade de o governo aprovar proposições no Congresso despencou segundo analistas. Ela foi avaliada em março como 0% em alta e muito alta, 8% em muito baixa, 38% regular e 54% em baixa.

Mas em outubro a capacidade do governo de passar proposições era de 0% muito alta, 15% alta, 46% regular e 31% baixa.

Otimismo para o mandato de Bolsonaro despencou e o risco político do Governo Bolsonaro aumentou

Vale lembrar que em janeiro de 2019 63% dos brasileiros tinham expectativa otimista para o mandato de Bolsonaro. O otimismo caiu para 38%, e a queda foi muito antes do Coronavírus…

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Todos esses indicadores mostram que o risco político do Governo Bolsonaro aumentou, e isso nunca é um bom sinal. Depende muito do presidente reverter esse quadro, recriando pontes de diálogo e liderando reformas em um momento delicado como o atual.

Luan Sperandio é Editor-Chefe do Ideias Radicais

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Por | 2020-03-23T19:01:51-03:00 23/03/2020|Política|Comentários desativados em Risco político de Governo Bolsonaro aumentou