Responsabilidade individual: sim, você importa!

Em 1977 os EUA lançaram a Voyager 1, uma sonda espacial de exploração que tinha uma missão simples: ir o mais longe possível e mandar dados de volta. Quando ela passou por Saturno, virou e tirou uma foto. No meio dos arcos do planeta existia um pontinho azul, praticamente irrelevante de tão pequeno: a Terra. Carl Sagan em seu programa Cosmos falou sobre esse ponto, o pequeno ponto azul onde está tudo que é importante para nós.

A lição maior no discurso dele era o quanto entramos em conflitos e guerras apenas para dominar um pequeno espaço desse fiapo de ponto de poeira no meio de um enorme universo. Temos um universo incompreensivelmente colossal, e perto disso é muito fácil se sentir irrelevante.

Talvez você já tenha sentido isso. Provavelmente não foi com o Universo. Meu chute é que se você é um leitor deste site, você se sentiu assim com a política, o estado, eleições ou algo assim. Um processo tão enorme com gente tão grande que você se sente impotente, inútil e irrelevante.

Escrevo este artigo com uma missão: que você pare de se sentir assim.

Eu e minha equipe de eleições já temos em torno de 130 campanhas de experiência, entre vereadores, deputados estaduais e federais. Chutando um pouco, duas ou três pessoas trabalhando de maneira relativamente casual ao longo de um ano conseguem erguer 120 votos. Você fala com algumas pessoas ao longo do ano, vende uma ideia, compartilha algumas coisas, algumas delas fazem isso com outras, e por aí vai.

Por que 120? Porque esse é o numero de votos que fez a diferença para Jonas Dalagna ser eleito vereador pelo NOVO de Canoas. Apenas 120.

Jonas Dalagna apresenta requerimento para criar Comissão de Revisão Legal e  Desburocratização na Câmara de Canoas - NOVO

O impacto que uma única pessoa pode fazer

O sistema eleitoral brasileiro é um pouco peculiar. Para eleger um legislador, calcule o seguinte: tome os votos válidos de uma eleição e divida pelo numero de cadeiras de legislador disponíveis. Este é o numero de votos que um partido precisa fazer para tomar uma cadeira, e o candidato mais votado que tenha ao menos 10% dos votos assume esta cadeira. Uma cidade que teve 100 mil votos válidos para 20 cadeiras de vereador resulta em uma necessidade de 5 mil votos para tomar uma cadeira.

Pois bem, em Canoas em 2020 o NOVO teve 120 votos a mais do que o PSDB, e assim tomou uma cadeira de vereador. Sendo o mais votado, Jonas tomou a cadeira. 

Entre suas várias ações, vamos com apenas duas. Derrubar via questionamentos técnicos duas licitações, num valor somado de R$ 8,9 milhões. Se essas fossem as únicas vitórias do mandato, já teria valido a pena, já que já é um valor superior ao custo do mandato de um vereador na cidade.

Poderia ser você. Afinal, conhece duas pessoas moderadamente interessadas em ideias de liberdade e que querem ocasionalmente falar sobre isso para outras pessoas? Se sim, ok, é possível fazer isso. Você conseguiria ter sido a pessoa que fez a diferença para criar esses votos a mais, que resultou em um mandato que sem dúvida alguma terminará com dezenas de milhões de reais em economias.

Você não é irrelevante, apenas não entendeu e não aceitou o quanto você consegue fazer de diferença. Basta defender nossas ideias com alguma frequência ao longo de muito tempo e os resultados se empilham

A falta que uma única pessoa faz

Infelizmente essa pessoa faltou para Bernardo Abreu, candidato a vereador pelo NOVO de Niterói. O partido fez os votos necessários para a cadeira, porém ele não bateu a porcentagem mínima de votos da cadeira e o partido perdeu ela para outro. A margem? Em torno de 120 votos. 

Faltou uma a três pessoas ao longo de um ano. Um amigo que não achou que a campanha daria certo, um apoiador que se desengajou, alguém que achou que uma doação de uns R$ 500 não valia a pena. Ou alguém que não pensou de me enviar o nome dele para que eu entrevistasse e apoiasse em 2020. Provavelmente isso teria feito 120 votos a mais.

Niterói é um tanto maior que Canoas. 500 mil habitantes versus os 350 mil canoenses. Um mandato de vereador lá também teria a capacidade de economizar dezenas de milhões de reais ao longo de quatro anos, mas não aconteceu porque faltou uma única pessoa causando impacto.

Porque alguém resolveu fazer nada, porque achou que era irrelevante.

Considerações finais

Daqui pra frente, toda vez que alguém tentar me argumentar que é irrelevante que uma pessoa se engaje em apoiar um candidato, uma causa, uma campanha, minha resposta será simples: R$ 8,9 milhões. 

Eu vou contar essa história, dizer que em duas ações temos 8,9 milhões economizados, e que se a pessoa quiser ser levada a sério, que pague esse valor em uma doação sem tremer a mão ou suar a testa, para mostrar que de fato é irrelevante. Se não conseguir pagar, considerarei o argumento refutado.

Se envolvam. Se mobilizem. Isso faz parte da responsabilidade individual. Se você não fizer isso, lembre-se: quem quer jogar mais imposto em você está mobilizado.

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Raphaël Lima

Por:

Fundador e CEO do Ideias Radicais.

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