Autoritarismo, corrupção e nada de autocrítica: não é hora de perdoar o PT

O histórico do petismo no Palácio do Planalto foi marcado pelo flerte com o autoritarismo, por erros econômicos e pela corrupção. Assim, uma das consequências de sua tentativa de cooptar a estrutura governamental em prol de seu projeto foi a maior recessão da história do país. Agora, depois de ter seus principais líderes presos, inicia-se uma narrativa de que seria hora dos brasileiros perdoarem o partido e “seguirem em frente”.

O movimento, no entanto, não é acompanhado de nenhuma autocrítica do partido, com o PT insistindo na mesma receita que levou o Brasil ao fracasso.

Este texto é um lembrete sobre alguns dos principais episódios que marcaram os erros dos governos petistas. Inclusive, pelos quais o partido nunca reconheceu os erros ou pediu perdão.

Mensalão

Em 2005, veio à tona algo muito maior do que um mero escândalo de corrupção. O Mensalão foi um esquema de desvio de dinheiro público, cuja finalidade ia além de enriquecimento ilícito. No geral, este serviu para a compra de apoio parlamentar no Congresso Nacional. O pagamento de propinas era organizado pelo então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Na prática, isso significava que eram manipuladas as escolhas daqueles que, uma vez eleitos, deveriam “representar o povo”. Mas que, ao invés disso, passaram a compor uma base de governabilidade a favor do projeto de poder petista.

Ou seja, mesmo quem foi eleito com discurso de oposição ao governo Lula, a partir de propinas mensais, passou a votar a favor de projetos propostos à Câmara e ao Senado.

As dimensões da Lava Jato foram ainda maiores do que o Mensalão, mas talvez este escândalo revele mais a natureza do autoritarismo do PT. Desde 2012, por exemplo, o ex-presidente Lula afirma que o esquema sequer existiu, sendo uma “grande farsa tramada contra ele por setores da oposição e da imprensa”.

Lula tentou, inclusive, chantagear o Ministro do STF Gilmar Mendes a retirar o julgamento de pauta para que a prescrição se estendesse a mais réus. Além disso, vendeu a narrativa à imprensa internacional que o julgamento foi meramente político.

Dentre os primeiros 40 acusados, 37 se tornaram réus e 24 foram condenados. Incluindo o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o então presidente do PT, José Genoino.

Afinal, há algum símbolo de autoritarismo maior do que fazer do Congresso um Teatro?

Autoritarismo do PT: o apoio a ditaduras sustentadas com dinheiro dos brasileiros

Governos petistas afastaram o Brasil das democracias do Ocidente para flertar com regimes autocráticos, como Zimbabué, Cuba e Venezuela. Como afirmou Lula, em 2009, “Não podemos ter preconceito com países não democráticos”. O governo não mediu esforços para financiar ditaduras ao redor do mundo com dinheiro dos brasileiros.

Foram desembolsados US$ 11,9 bilhões apenas pelo BNDES. Os empréstimos causaram prejuízo anual de R$ 1,1 bilhão ao trabalhador. Afinal, foram custeados pelo FAT, fundo financiado com parte dos salários de quem tem carteira assinada.

Houve falta de transparência nos contratos firmados, indicando suspeitas de corrupção. Algo posteriormente relevado pela Lava Jato, que condenou Lula por fazer lobby a favor de empreiteiras nessas obras.

Vale dizer que a posição do partido ainda é inabalável nesse sentido e não se limita aos governos de Lula e Dilma.

Nas eleições de 2018, o partido retirou de seu site links de apoio ao chavismo, mas sem mea culpa. O candidato do partido à presidência Fernando Haddad evitou críticas à Nicolás Maduro, mas criticou a oposição venezuelana — posicionamento que manteve em julho de 2020.

Em 2019, mesmo após eleições com diversas evidências de fraude e uma constituinte unilateral na Venezuela, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, foi pessoalmente prestigiá-lo.

Tudo isso mesmo quando a situação no país já caracterizava-se como uma profunda crise humanitária. Entre 2014 e 2018, mais de três milhões dos estimados 32 milhões de venezuelanos já teriam fugido do país, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Além disso, os venezuelanos já eram assolados por uma hiperinflação, que atualmente chega a 9.500%, junto a escassez de medicamentos, suprimentos médicos e alimentos.

Apesar da retórica de defesa dos direitos humanos e à democracia, a ações do partido demonstram o contrário.

Autoritarismo do PT: a falta de apreço à Liberdade de Imprensa

Desde o início do primeiro governo Lula, ele e o partido atacaram todos os veículos que os criticaram.

Em 2004, o presidente tentou expulsar o jornalista americano, Larry Rother, apontar em uma reportagem do New York Times os hábitos etílicos dele. Para tanto, Lula emitiu um pedido de cassação do visto de Rother.

Em reunião ministerial, após os presentes explicarem que a ação seria inconstitucional, ele teria dito: “Foda-se a constituição!”. Dois dias após a publicação do artigo, o governo de fato determinou que o visto de Rohter fosse cancelado. Porém, a medida foi invalidada por decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Além de atacar críticos, o PT criou um esquema milionário de financiamento com dinheiro de imposto a dezenas de blogs, sites e veículos de mídia com editoriais favoráveis ao seu projeto de poder. Esse esquema também servia para criar fake news aos montes para servir ao projeto petista. Inclusive, suspender essa “farra” foi uma das primeiras medidas de Michel Temer quando tornou-se presidente.

Contudo, a repressão à liberdade de imprensa e de expressão não acaba por ai. Por fim, o PT pressionou empresas a demitirem jornalistas, humoristas e analistas econômicos que fizeram críticas ao partido. O auge ocorreu em 2014, quando o vice-presidente do partido divulgou uma Lista Negra de profissionais opositores aos governos petistas.

Década perdida

A década de 1980, protagonizada pelos econômicos da Ditadura Militar, é comumente chamada de A Década Perdida. Mas, a baixa atividade econômica e a lenta recuperação indicam que a década de 2011-2020 será a pior dos últimos 120 anos da história brasileira.

Segundo relatório do FMI, 183 dos 192 países analisados registraram crescimento econômico superior ao brasileiro entre 2015 e 2016. Já de acordo com estudo do economista da FGV Marcel Balassiano, mais de 90% dos países do mundo cresceram mais do que o Brasil entre 2011 e 2018. Entre os 191 países deste levantamento, 174 países expandiram o PIB mais do que o Brasil.

Ou seja: enquanto o mundo cresceu e se tornou mais rico, o Brasil patinou e ficou mais pobre. Situação que reflete uma sucessão de erros de política econômica dos governos petistas e pela falta de reformas que melhorassem a liberdade econômica e o ambiente de negócios do país.

Além disso, a “Nova Matriz Econômica”, lançada pelos governos petistas, foi caracterizada por “políticas de forte intervenção governamental na economia, que combinaram política monetária com redução da taxa de juros e política fiscal com dirigismo no investimento, elevação de gastos, concessões de subsídios e intervenção em preços”.

A partir de 2014, o governo Dilma abandonou a política de superávits primários, passando a gastar mais do que arrecadava. O resultado foi uma crise de confiança que fez o Brasil perder o selo de bom pagador pelas agências de risco.

O resultado foi a maior crise da história do país, e uma nova década perdida.

Perdão ao PT? A ausência de autocrítica

No documento divulgado pelo PT em maio de 2016, intitulado “Resolução sobre conjuntura”, o partido traçou sua análise de cenário e estratégia de atuação da militância.

O texto se refere ao impeachment de Dilma Rousseff como “um rompimento da ordem democrática” por meio de um golpe parlamentar”. Critica a “mídia monopolizada”e o “Grande Capital”, afirmando que há em curso no país uma “conspiração golpista”. E, com a Operação Lava Jato sendo uma “ferramenta na escalada golpista”.

As autocríticas do partido se reservam ao fato de ter intervido menos do que deveria: “relegamos tarefas fundamentais como a reforma política, a reforma tributária progressiva e a democratização dos meios de comunicação”. Nenhuma menção ao excesso de gastos ou descontrole da inflação. Nenhum pedido de perdão.

Não se trata de demonizar as gestões do PT e não reconhecer eventuais avanços e acertos em meio a tantos erros. Mas os brasileiros sentiram na pele os erros que levaram o país a uma derrocada econômica, social e, até, moral — e não houve pedido de desculpas algum a respeito disso.

Autoritarismo não escolhe partido

O PT não apenas flertou com o autoritarismo, como levou o país a maior recessão de sua história e liderou o maior esquema de corrupção já descoberto no Ocidente. Não houve recuos ou reconhecimento de erros por parte do partido. Pelo contrário: lideranças da organização sempre “dobram a aposta”.

Não é hora de perdoar o PT, até porque os prejuízos das políticas implementadas pelo partido serão suportados por toda uma geração de brasileiros ainda.

Mas para criticar o petismo não é preciso andar de mãos dadas com o Bolsonarismo. Afinal, como disse Eduardo Jorge, apenas há o governo Bolsonaro, porque antes houve o Governo Lula.

Por exemplo, quando o governo Bolsonaro ameaça a liberdade de imprensa, manipulando verbas públicas para veículos com editoriais mais favoráveis a seu governo (ao invés de cortar de todos). Ou quando há tentativas de cooptação de órgãos por aliados, apenas se está indo por um caminho cujas grades de proteção institucional foram esticadas pelo projeto petista. Em outras palavras, o PT esticou a corda, e agora ataca quem anda por ela.

Pesquisas indicam que, inclusive, a polarização política faz bem aos dois principais movimentos do país em curso, não à toa sendo incentivada por ambos. Não à toa, sempre que acuado por críticas, Bolsonaro endossa o discurso de ser a única esperança contra o petismo.

Por outro lado, no momento de maior tensão e risco político do Governo Bolsonaro, o PT trabalhou para impedir a abertura de uma CPI no Congresso para investigar supostas interferências na Polícia Federal por parte da presidência.

Por fim, vale lembrar das lições trazidas pelo filósofo político Friedrich Hayek: a tendência é a de que os piores cheguem ao poder. Afinal, mais do que pedir perdão ao PT ou atacar mandos e desmandos do governante atual, é preciso acertar o diagnóstico do problema para não repetir os erros.

Luan Sperandio é Head de conteúdo no Ideias Radicais

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