5 coisas que você precisa saber sobre os protestos na Colômbia

A Colômbia está há vários dias mergulhada no caos e na violência. Alguns chamam de “explosão social”, mas na realidade é uma revolução molecular. No país sul-americano, os que perderam nas eleições tentam agora ganhar com violência.

Aqui estão cinco questões fundamentais que você deve saber para entender o que está acontecendo em relação aos protestos na Colômbia.

1. A reforma tributária é apenas uma desculpa

Nesses processos revolucionários que acontecem em toda a América Latina, qualquer questão pode desencadear uma revolta. No Chile, por exemplo, foi um aumento de 4 centavos de dólar no transporte público. Os protestos, supostamente devido ao aumento do preço do transporte, culminaram na destruição da Constituição chilena. Na Colômbia, eles usaram como “desculpa” uma proposta de reforma tributária que já tinha nascido morta.

A reforma tributária proposta pelo presidente Iván Duque Márquez foi rejeitada por todos os setores, inclusive pelo próprio partido do presidente, o Centro Democrático, que se opôs ao projeto desde o início. Não havia possibilidade de que essa reforma fosse aprovada no Congresso. 

Além disso, é surpreendente que a esquerda se opusesse tão ferozmente a essa tentativa do presidente porque, em grande parte, aquela reforma tinha pontos elogiados e demandados pelos socialistas, como renda básica e aumento de impostos sobre as classes mais altas. 

Nada disso importa. Eles apenas precisavam de uma faísca, então não importava se a reforma nunca iria acontecer ou se eles tinham políticas socialistas. Tampouco importa que o presidente tenha anunciado que está retirando sua proposta. 

Embora a reforma tenha sido descartada, o terrorismo urbano continua, porque essa não foi a causa, mas uma desculpa para tentar começar uma revolução. 

2. Não são protestos, é terrorismo urbano 

Até o momento, as autoridades relataram mais de 540 policiais feridos e um assassinado, 306 civis feridos, 20 ônibus de transporte público incinerados, 59 estabelecimentos comerciais saqueados, 21 delegacias destruídas e 43 vandalizadas.

94 bancos, 254 lojas, 14 pedágios, 4 estátuas, 23 veículos institucionais, 69 estações de transporte, 36 caixas eletrônicos e 2 administrações foram vandalizados. O Mobile Anti-Riot Squad (ESMAD) implantou 563 ações.

Na noite de 28 de abril, o capitão Jesús Alberto Solano Beltrán, chefe da Unidade de Investigação Soacha, de apenas 34 anos, foi esfaqueado por manifestantes enquanto tentava impedir o assalto em um caixa eletrônico. Solano deixou sua esposa viúva e uma menina de cinco anos órfã. Embora o capitão tivesse sua arma tripulada, ele nunca a usou, presumivelmente por medo de ser julgado se a usasse.

As imagens de empresas saqueadas e queimadas são surpreendentes. Em cidades como Cali, faltam produtos básicos e gasolina; os vândalos bloquearam as estradas de acesso. Eles queimaram edifícios com pessoas dentro. Em Usme, Bogotá, eles incendiaram uma delegacia com 10 soldados dentro. Felizmente eles conseguiram se salvar, mas quando fugiram das chamas foram atacados por uma multidão que queria matá-los.

O que está acontecendo na Colômbia não são simples protestos, é terrorismo urbano e um conceito chamado de Revolução Molecular.

3. A estratégia de Revolução Molecular

Em 3 de maio, o representante das FARC na Câmara, Sergio Marín, tuitou: 

A estratégia em curso a partir dos protestos na Colômbia representam uma revolução molecular, mas não basta que um guerrilheiro das FARC o diga abertamente. 

É importante que os defensores da liberdade saibam o que significa uma revolução molecular. É necessário compreender e identificar claramente a ameaça para combatê-la. Este termo vem da escola da desconstrução e é um modelo revolucionário que repensam a estratégia para alcançar o comunismo.

O psicanalista Félix Guattari escreveu um livro intitulado A revolução molecular, onde propõe uma estratégia diferente das revoluções até então conhecidas. A ideia é trocar a estrutura vertical usual por uma horizontal. Não há líder identificável, não há raiz que possa ser cortada e, portanto, acabar com a revolução. Eles são moléculas.

Essas moléculas fazem ataques simultâneos e depois se dispersam, para depois atacar novamente de forma inesperada. O objetivo é criar o caos e amedrontar a população, para que se sinta abandonada e sem esperança. Como resposta, eis que surge a esquerda como salvadora.

Na Colômbia não há lideranças visíveis dessas manifestações, elas são apresentadas como um surto social, mas na realidade é uma revolução para mudar o governo e o status quo.

4. A inteligente estratégia de #NosEstánMatando 

Como sempre, habilidosos na linguagem e na comunicação, adotaram como slogan a frase “eles estão nos matando”. Procuram fazer com que a população colombiana veja a polícia e as autoridades como inimigas, defendem o desarmamento de todas as autoridades que acompanham os protestos na Colômbia, apresentam a polícia como a única vilã e culpada pela violência. 

Afinal, é necessário desmoralizar a polícia e tirar sua autoridade para tomar o país com violência. 

O movimento é tão inteligente em comover sentimentos que conseguiram fazer uma parte da população acreditar que se trata de um povo que se manifesta espontaneamente contra os impostos e é brutalmente reprimido pelas autoridades.

Foram publicados diversos vídeos e fotos falsas para que as pessoas vejam os terroristas urbanos como vítimas e enxerguem os policiais como inimigos.

Contudo, na realidade, a Colômbia enfrenta o terrorismo urbano e a polícia tem salvado vidas ao impedir ataques terroristas.

5. As peculiaridades da Colômbia 

A Colômbia é um país com um ordenamento jurídico muito forte, que entende que o indivíduo tem o direito de defender sua vida e propriedade privada. Somado a isso, é um país onde as armas são muito comuns, embora seja difícil conseguir uma licença legal para possuí-las.

Essas particularidades fizeram com que a Colômbia, em diferentes momentos de sua história, vivesse confrontos extremamente dolorosos, mas que, em alguns casos, retardaram o avanço da esquerda. A história mostra que os colombianos não estão dispostos a perder sua liberdade e ser escravos de um regime comunista, ao menos não sem antes lutar. 

O que vimos nos últimos dias indica que a maioria dos colombianos continua com esse caráter e com a firme disposição de se opor à perda de suas liberdades. Em muitos casos, foram os civis que impediram ataques e mortes de policiais. Vídeos de pessoas fazendo “rondas” circulam nas redes sociais; Vizinhos se organizaram para proteger suas casas.

Enquanto no Chile a “direita” marchou com a esquerda, na Colômbia a direita pediu por mais liberdade individual.

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Vanessa Vallejo

Por:

É Co-editor-chefe do The American. Economista. Podcaster. Análise política e econômica da América. Exilada colombiana nos Estados Unidos

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