Revelando as propostas de Guilherme Boulos para São Paulo

A fim de conhecer as propostas dos candidatos Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) para a prefeitura de São Paulo, ao invés de me basear apenas na imagem que eu tinha deles na minha cabeça, fui pesquisar o histórico dos candidatos e ler o plano de governo de cada um. Foram 35 páginas do plano do PSDB e 62 páginas do plano do PSOL. Neste artigo, pretendo expor minhas conclusões após essa experiência.

Em primeiro lugar, o Covas é aquilo que a gente já sabe: um social democrata que vai continuar fazendo seu trabalho de forma meia boca. Isto é, a cidade vai continuar mais ou menos mal gerida e os serviços vão continuar mais ou menos funcionando. Apesar disso, ele não é um cara que quer jogar o capitalismo na lata do lixo.

Inclusive, o atual prefeito candidato à reeleição sinaliza em seu plano a intenção de tirar certas amarras do estado para que as pessoas possam empreender na cidade. Apesar de ser considerada um dos melhores ambientes de negócios do país, o sarrafo no país é baixo. Além disso, ele fala também sobre continuar privatizações, concessões e outras parcerias público-privadas.

Ou seja, as coisas vão ficar praticamente como estão por mais quatro anos com o Covas. Algo que não é bom, mas acreditem, pode ficar bem pior. Afinal, não existe uma terceira opção no 2º Turno das Eleições e o outro candidato é o Guilherme Boulos.

Assim como Lula fez há duas décadas, ele está no processo de reconstruir sua imagem, tentando tirar sua embalagem de comunista terrorista invasor de terras para construir uma imagem de moderado “paz e amor”. E muita gente está comprando o produto, que é a mesma porcaria de antes, só que com nova roupagem. 

Portanto, vamos entender quem é o verdadeiro Boulos e o que ele defende em algumas áreas.

Função social para propriedade privada

Boulos é líder do MTST, um movimento que acredita ser legítimo invadir e se apropriar de propriedades alheias. Ele já falou em vídeo que: “no Brasil, não precisava construir nenhuma casa nova, basta desapropriar e distribuir aquelas que estão ociosas.”

Em complemento, Boulos também costuma dizer que as pessoas podem ter uma propriedade privada, mas desde que esta cumpra sua “função social”. Diante disso, resta a pergunta sobre quem definirá se cada cidadão está cumprindo este requisito ou não. Talvez, será um capanga do Boulos?

Se você quiser ter uma casinha de campo pra descansar,  me desculpa mas não tá cumprindo a função. E aí? Podem tomar a sua propriedade?

Uma expectativa razoável disso também é a pressão por implementar/endossar um IPTU progressivo.

Para Guilherme Boulos, Cuba e Venezuela são democracias

Boulos diz ser um democrata. Será mesmo? Ele afirma em vídeo que Cuba e Venezuela não são exemplos de ditadura, mas sim democracias. Não dá para levar muito a sério, né?

Aumento da máquina pública

O que Boulos propõe é basicamente uma máquina pública altamente inchada, com aumento de funcionários públicos em quase todas as áreas da prefeitura. Junto disso, ele também propõe que todo servidor público deve receber aumento salarial independente do seu desempenho, sendo o critério exclusivamente seu tempo de serviço.

Por fim, o candidato do PSOL pretende também criar novas empresas estatais, de bancos à cooperativas, em várias áreas e reverter as privatizações que já ocorreram. 

Em seu plano de governo, Boulos promete revogar a reforma da previdência que foi aprovada nesta legislatura e traz algum equilíbrio nas contas públicas.

Defendeu ainda a resolução do bilionário déficit da previdência a partir de contratação de novos servidores, o que poderia aumentar a curto prazo a arrecadação, mas aumenta o déficit atuarial ao empurrar o problema para frente.

Mais regulamentação

Boulos não esconde sua intenção de impor fortes regulamentações em várias áreas, como por exemplo nos transportes por aplicativos. Isso não somente encarecerá esse tipo de serviço como deixará uma legião de pessoas sem trabalho. 

Guilherme Boulos faz inúmeras promessas impossíveis

Pelas páginas do plano dele para a prefeitura de São Paulo não faltam promessas de coisas “grátis”. De internet banda larga para geral até transporte público “gratuito” para desempregados e jovens de até 24 anos, entre outras sortes de bondades.

Tudo isso porque matemática não é o forte dele. Ontem, por exemplo, ele propôs que a solução para uma previdência quebrada é a contratação de mais funcionários públicos.

Além disso, dos R$ 19 bilhões parados em caixa que ele tanto menciona, apenas R$ 11 bilhões estão disponíveis, sendo o restante destinado a futuros gastos já previstos.

O fato de que nas projeções de seu plano de governo não estão previstas crises ou até um segunda onda da COVID-19 já vivenciada em outros países também é outra grande imprudência.

Em suma, Boulos assume por conta própria que não haverá queda da arrecadação da cidade nos próximos anos. Porém, dada sua solução mágica de taxar os ricos, provavelmente muitos investidores e empresas deixarão o município em busca de ambientes de negócio mais livres pelo Brasil.

E, para piorar a situação fiscal de São Paulo, Boulos coloca em seu plano reverter as reformas administrativas e previdenciárias já aprovadas. No entanto, são estas mudanças que têm garantido o equilíbrio das contas do município.

Ou seja, com seu plano posto em prática, é certo que ele terá que aumentar impostos como IPTU e ISS para conta fechar. Afinal, a matemática não aceita desaforo. 

Considerações finais

Você pode não gostar de nenhum dos dois candidatos, mas colocá-los na mesma caixinha política e ideológica não é remotamente justo.

Boulos não é o voto anti-Bolsonaro, assim como também não é o voto anti-Doria. Na verdade, é o voto na filosofia marxista, que visa o coletivismo em detrimento do individualismo; o estado interventor em detrimento da liberdade do cidadão; o desrespeito à propriedade privada.

Isso sem entrar no mérito de que Boulos não tem qualquer experiência administrativa e de gestão, sendo irresponsável entregar o terceiro maior orçamento do país na mão deste.

Por fim, o socialismo já se mostrou um desastre em TODAS as tentativas no nosso planeta. Melhor não arriscar aplicá-la mais uma vez, agora, na cidade de São Paulo.

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Tatiana Poroger

Por:

É empreendedora em São Paulo

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