Precisamos falar sobre a qualidade das universidades públicas no Brasil

Está em tramitação na Câmara dos Deputados a PEC 206/2019, que propõe a cobrança de mensalidades em universidades públicas para alunos de alta renda, garantindo a gratuidade para estudantes que não tiverem recursos suficientes. Diante das controvérsias e falsas narrativas contra o projeto, cujo relator é o deputado Kim Kataguiri (União Brasil), vale trazermos reflexões acerca da qualidade das universidades públicas no Brasil e o seu custo.

Universidades púbicas: custo e resultados

Cada aluno na universidade brasileira custa em média R$ 36 mil por de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Gastamos com universidade no mesmo patamar que Estônia e Espanha, e mais do que Polônia, Itália e a Coréia do Sul. Apenas essas informações já deveriam ser suficientes para ligar um alerta, correto? Mas calma porque piora.

Um levantamento de Marcelo Hermes-Lima (UnB) e Luis Faria Borges (CAPES) aponta que o Brasil é um dos países menos influentes em produção científica: entre 74 países, estamos na 62º posição.

E a tendência ao longo da última década foi de queda.

O gráfico mostra a posição de influência, não a influência. A tendência é que sejamos os últimos do mundo em influência em breve.

Ou seja, gasta-se muito com as universidades públicas, e gasta-se mal.

Vale lembrar: se essa queda de relevância fosse em um governo que não é de esquerda, o PT berraria sobre isso todo santo dia, e a militância da esquerda não pararia.

Mas como isso ocorreu justamente nos governos petistas de Lula e Dilma, vemos silêncio, com poucas pessoas cientes dessas informações.

Quem mais paga imposto é quem menos acessa universidades

Vamos adicionar a isso um lembrete: quem mais paga imposto no Brasil é o pobre. E quem mais usa a universidade pública são os mais ricos da sociedade.

Não que alguém com renda familiar de 10 salários mínimos seja rico, mas é uma renda muito superior a do brasileiro médio.

Então na prática, o pobre paga caro para os mais ricos estudarem em uma universidade de pouco impacto.

Enquanto isso, a despesa pública por aluno do ensino fundamental custa em torno de R$ 12mil/ano, menos da metade da média da OCDE.

Em termos de PIB, dados de 2016 (portanto, quase totalmente em governos petistas), gastamos mais que o mundo, 4,2% do PIB versus uma média de 3,2%.

O resultado disso? Eis a evolução… ou não, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb): praticamente nada.

Quanto educação melhora a renda?

Após os dois anos de escolas fechadas, há risco de que todos os pequenos ganhos obtidos nos últimos 15 anos tenham sido perdidos.

Então atualizando, o pobre paga imposto pesado no consumo para ter uma escola ruim, e pagar a universidade ruim do rico. Sim, Brasil.

Vamos adicionar a isso um levantamento extremamente incômodo. No seu The Case Against Education, Bryan Caplan estima que 80% do ganho salarial não do que é ensinado.

Isso ocorre pela sinalização. Afinal, ter um diploma indica que a pessoa é organizada, pontual, dedicada e boa o suficiente para ser contratada.

Obviamente existem ganhos pessoais em educação além do salário, mas em um país pobre como o Brasil, é bem óbvio que é um indicador prioridade.

A amostra do levantamento de Caplan é nos EUA, porém é um sinal muito incômodo.

O argumento dele é que boa parte do que é ensinado não tem real aplicação, utilidade ou retorno. Sua experiência com educação deve confirmar isso.

Meu caso pessoal

Particularmente, quando cursei psicologia tive 17 cadeiras com um currículo fortemente influenciado pelas ideias de Karl Marx, três de neurologia e uma de psicopatologia.

Não é coincidência que o mercado de cursos online tenha crescido tanto. A ideia base dele é suplementar o que não veio na educação padrão, e focar em habilidades técnicas.

Há “vento” nesse mercado? Lógico. Mas muito, muito menos que na concorrência.

Isso aqui é uma crise monumental. E quase nada se fala disso. Em parte porque são dados muito incômodos, que exigem mais que pequenas reformas. Em parte porque quem causou a crise foram governos de esquerda, mas é um desastre.

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Raphaël Lima

Por:

Fundador e CEO do Ideias Radicais.

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