Por que outras ditaduras não recebem o mesmo tratamento dado à Rússia?

Com a invação russa na Ucrânia, nunca uma potência foi tão sancionada economicamente quanto a presidida por Vladimir Putin. Afinal, por que outras ditaduras não recebem o mesmo tratamento dado à Rússia? É relativamente simples: a questão obviamente não é essa.

Por que a Rússia está sendo punida?

A Rússia não está sendo punida por ser uma ditadura em guerra, mas por representar uma ameaça à ordem internacional liberal. Não é o caso da Arábia Saudita, por exemplo.

A punição dada à Rússia tem sido basicamente no sentido de desconectar o país dessa ordem. A mais recente, é a iniciativa de tirar o país o status de “nação-mais-favorecida”. Os Estados Unidos, liderados por Joe Biden, basicamente estão dizendo a Putin que, se ele não está satisfeito com a ordem atual, que “se vire” sem ela.

A ordem internacional liberal

O que é essa “ordem internacional liberal”? É a ordem que reflete os valores principalmente de EUA e Europa. Um conjunto de democracia, direitos humanos, livre comércio, instituições internacionais multilaterais, entre outras.

Essa ordem não é espontânea, sendo construída e refletindo os valores dos países que a construíram.

Ao apoiar a Ucrânia, americanos e europeus estão, em última análise, defendendo os valores e regras dessa ordem. A Ucrânia em si é, relativamente, um detalhe nesse aspecto. O que está em jogo é defender a norma de que um país autocrático não pode simplesmente anexar uma democracia vizinha.

A ordem precisa de ordenadores. Se EUA e Europa não estiverem dispostos a defender essa ordem, ela cai. Putin apostou que seria a hora certa para desafiar esse arranjo, mas os norte-americanos e europeus querem mostrar (inclusive para potenciais revisionistas), que esse desafio tem custos.

Por exemplo, no início da década de 1990, os EUA vislumbravam uma “nova ordem mundial” com o fim da Guerra Fria. Quando o Iraque invadiu, ocupou e anexou o Kuwait, os EUA conseguiram apoio da Organização das Nações UNidas para invadir o Iraque e restaurar a independência kuaitiana.

Por isso o caso da Rússia é muito particular e comparações com outros casos não ajudam a entender essa particularidade porque os valores fundamentais dessa ordem não estavam em jogo.

Com exceção de Donald Trump, Biden segue a tradição de todos os presidentes americanas de defender, em linhas gerais, a manutenção dessa ordem que, evidentemente, tem custos. Contudo, Trump focava apenas nos custos e não entendia os benefícios mais amplos de ser o país ordenador.

Este texto não necessariamente reflete os valores do Ideias Radicais, mas é pedagógico para entender melhor o cenário internacional. É uma adaptação de uma thread de Carlos Gustavo Poggio, é internacionalista, PhD em Relações Internacionais e especialista em política dos Estados Unidos. É profesor da Faap. Você pode seguí-lo no Twitter, onde ele faz threads como esta.

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