Por que decidi criar minha filha com educação domiciliar

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Por que decidi criar minha filha com educação domiciliar

muitos motivos que podem levar famílias a optarem por instruírem seus filhos a partir da educação domiciliar: insatisfação com o ambiente predominante nas escolas, insegurança, baixo nível de aprendizagem ou falta de estrutura, entre outras.

Mas, o presente artigo é o relato pessoal da minha família: Alana — minha esposa — e eu jamais nos portamos como pais que desejavam construir o futuro de seus filhos.

Ou seja, não somos daqueles que sonham com carreiras e vidas ideais para os seus rebentos. Queremos que sejam felizes e sigam os caminhos traçados por suas escolhas, e não pelas nossas.

Na prática, o que nos inspirou ao adotar o homeschooling como forma de instrução foi o fato de se tratar de um modelo de ensino que privilegia o indivíduo e sua individualidade.

Os motivos para nossa decisão

No desfile apoteótico do indivíduo, características como autonomia e autodidatismo emergem das sombras e tornam-se parte da parada rumo a individuação.

Mas é importante explicar: o indivíduo e sua individualidade não despertaram assim que optamos pela educação domiciliar.

Ainda que a individualidade tenha sido algo extremamente cara para nós, carregávamos um modelo mental que nos fazia pensar de acordo com a antiga forma: a do ensino a partir da escolarização.

Inicialmente, pensávamos que educar em casa seria apenas adaptar o conteúdo da escola para o nosso lar. Tal conclusão era potencializada pelo fato de a Alana ser pedagoga da rede pública de ensino.

Portanto, tudo o que empreendemos no início foi uma cópia do modelo educacional: conteúdos, avaliações e projetos.

Nos esforçamos para implementar tal forma e modelo. Mas, com o passar dos dias, percebemos a irrelevância do que fazíamos. E percebemos da forma mais desgastante possível: errando, falhando, percebendo nossa impotência.

Em nossas mentes, naquele momento, havia o interesse de validar diante do estado o que fazíamos. Porém, ainda que timidamente, passamos a entender que a autonomia e o autodidatismo precisavam estar presentes antes da fórmula: apenas assim a estratégia de ensino seria efetiva.

Quando fomos processados pelo estado por abandono intelectual, não nos permitiram nem mesmo mostrar o que fazíamos. Contudo, naquela época, já havíamos aprendido que a educação domiciliar não é método ou conjunto deles.

Na realidade, educação domiciliar é uma possibilidade. Ou seja, o homeschooling compreende em si métodos, programas, abordagens, mas vai muito além destes parâmetros.

Liberdade para aprender

O que tivemos de superar ao longo do caminho – e ainda precisamos continuar superando – é a ilusão de que temos controle.

Nós não controlamos nossos filhos: não controlamos seus interesses, não controlamos a forma como irão reagir a tudo o que ocorre, não controlamos suas escolhas.

Ao buscarmos superar a ilusão de que temos controle, passamos a aprender que nossos filhos possuem interesses que jamais poderíamos nos dar conta caso tentássemos planificar suas vidas.

Enquanto um gosta de aprender idiomas e deseja aprender coreano, outro quer aprender sobre o funcionamento do corpo, pois deseja seguir alguma carreira na saúde.

Mas há uma lição ainda maior que precisa ser aprendida e trazida à memória sempre que possível: educação domiciliar não é um método fechado, sua regra é a flexibilidade e o que melhor se adapta de acordo com a individualidade de cada um.

Ensino x educação

A educação é o que resulta do ato de educar. Educar, portanto, é desenvolver a capacidade intelectual, moral e motora do indivíduo. Dar os subsídios necessários para que ele (se) conheça, (se) compreenda, (se) desenvolva e (se) relacione.

Já o ensino se refere ao resultado da transmissão de técnicas, conteúdos e informações. Ou seja, ensinar para realizar algo específico.

Dessa forma, educação domiciliar não é ensinar. Paramos de ensinar matemática, português e biologia. Passamos a mostrar a vida, a existência que muitas vezes está permeada por dores, desilusões e respostas inconclusivas.

A educação domiciliar na prática

Nas práticas diárias, descobrimos que a educação domiciliar está relacionada com perceber o mundo. E há diversas ferramentas que nos aproximam do objetivo último: conhecimento e compreensão.

Bem como, mostramos o quanto é necessário expressar tal existência com todas as suas idiossincrasias, tomando nossa própria realidade como ponto de partida.

Um exemplo de como isso funciona ocorreu quando em uma de nossas viagens para divulgar a causa da educação domiciliar nossa filha Sophia, de 12 anos, decidiu engajar-se por ela própria.

Ao ver o que conversávamos em uma rádio e experimentar na pele os efeitos do processo por Educação Domiciliar, ela gostou do ambiente e da proposta. Decidiu juntar seu interesse pelo assunto da interferência do estado nas nossas vidas com o ambiente de uma rádio e criou seu próprio podcast.

Ela pesquisou história grega para referenciar um nome de acordo com o que achava mais adequado. Depois, precisou se organizar para pesquisar assuntos que lhe chamaram atenção a fim de criar conteúdo do seu podcast.

Então aprendeu técnicas de criar roteiro, teve de compreender os números e as porcentagens, baixar software para gravar e editar áudio, viu diversos tutoriais de como fazer podcasts, e etc.

O programa de Sophia durou algumas semanas e episódios, mas todas essas lições ficaram: ela aprendeu a produzir conteúdo, explorou suas habilidades de alfabetização digital (algo por alguns apontado como um skill já tão importante quanto o inglês), trabalhou o básico da edição de áudios, entre outras coisas.

Educação Domiciliar ou Educação Familiar?

A partir da adoção da educação domiciliar, uma chave foi virada em nossa família. As transformações têm sido graduais, mas passamos a encarar o homeschooling sob um novo prisma: a gente chama de educação familiar.

Queremos continuar rompendo ainda mais com o modelo educacional que se apropria de nossas percepções de mundo e pelo qual tendemos a analisar e julgar todas as coisas.

Nosso objetivo é fazer com que a Sophia aprimore suas próprias características, bem como o seu autodidatismo e a sua autonomia. Nosso desejo é que ela se torne um indivíduo que exerça sua individualidade com responsabilidade e consciência. Desejamos estabelecer condições para o conhecimento e compreensão.

Em suma, sabemos que educar os filhos em casa não ser alternativa viável para todos. Por essa razão, defendemos que a educação seja sem o estado. Acreditamos que indivíduos, e apenas eles, podem escolher o que melhor lhes convém.

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Por | 2020-05-25T08:36:26-03:00 10/12/2019|Homeschooling|Comentários desativados em Por que decidi criar minha filha com educação domiciliar