Por que Bernie Sanders está errado sobre Cuba

O senador Bernie Sanders é o principal nome entre os candidatos das primárias do Partido Democrata da corrida presidencial americana. Recentemente ele elogiou Cuba em uma entrevista de 60 minutos na CBS. 

O parlamentar aplaudiu os sistemas de educação e saúde de Cuba. Os potenciais apoiadores de Sanders devem saber que a taxa de alfabetização e o sistema de saúde de Cuba não são nada para comemorar.

Primeiro, considere a alfabetização. Segundo Sanders, “Quando Fidel Castro assumiu o cargo, você sabe o que ele fez? Um imenso programa de alfabetização. Isso é uma coisa ruim?”. 

Sanders certamente tem idade suficiente para saber que todas as ditaduras comunistas ao longo da história garantiram que seu povo fosse alfabetizado — em parte para que o povo pudesse absorver a desinformação impressa pelos ministérios de propaganda do governo.

Além disso, uma análise dos dados revela que todo o progresso em relação à alfabetização ocorrido sob o comunismo em Cuba quase certamente teria ocorrido sob um sistema político e econômico diferente. 

O que Bernie Sanders deveria saber sobre a alfabetização de Cuba

Embora seja difícil encontrar dados confiáveis, ou seja, não contaminados pela propaganda cubana, o Departamento de Estado dos Estados Unidos tentou fazer exatamente isso comparando as melhorias no bem-estar humano em Cuba entre os anos 1950 (a última década do odiado regime Batista) e 2000.

Consequentemente, a taxa de alfabetização de Cuba aumentou 26% entre 1950/53 e 2000. Mas a alfabetização aumentou ainda mais, por exemplo, no Paraguai: 37%. 

Já o consumo de alimentos em Cuba diminuiu 12% entre 1954/57 e 1995/97. Enquanto isso, aumentou 19% no Chile e 28% no México no mesmo período. 

Entre 1954/57 e 1995/97, a taxa de mudança na propriedade de carros por 1.000 pessoas em Cuba diminuiu a uma taxa anual de 0,1%, mas aumentou a uma taxa anual de 16% no Brasil, 25% no Equador e 26% na Colômbia, por exemplo.

O que Bernie Sanders deveria saber sobre a saúde de Cuba

Em seguida, considere a assistência médica. Sanders exaltou repetidamente o sistema de saúde cubano, opinando que em Cuba o ditador comunista Fidel Castro “prestou assistência médica [ao povo cubano] e transformou completamente a sociedade”

Contudo, um estudo recente descobriu que o desempenho aparentemente impressionante da saúde de Cuba se deve em parte à manipulação de dados.

A expectativa de vida é a melhor medida de saúde de um povo. Segundo os dados oficiais de Cuba, aumentou em 25% entre 1960 e 2017.

No entanto, a expectativa de vida aumentou ainda mais rapidamente em países comparáveis: no México melhorou em 35%, na República Dominicana em 43% e no empobrecido Haiti em 51%.

Os dados deixam claro que o sistema educacional e de saúde de Cuba não são dignos de elogios.

Os cubanos nos Estados Unidos e outros familiarizados com o histórico de Castro devem estar horrorizados com o afeto de Sanders pelo socialismo na ilha.

Castro cometeu inúmeros crimes contra a humanidade. Ele escravizou milhares de cubanos em campos de trabalho forçado por serem gays, por terem ideais “contra-revolucionários”, por estarem praticando religiões minoritárias ou simplesmente por serem desleixados (como hippies).

O trabalho escravo daqueles que Castro considerava “divergentes” com relação à ideologia do regime forneceu uma importante fonte de renda para o jovem regime comunista.

Por isso, quaisquer realizações do regime devem ser vistas com esse sistema de trabalho forçado em mente.

O apreço de Sanders por ditaduras

“Somos muito contrários à natureza autoritária de Cuba, mas é injusto simplesmente dizer que tudo está ruim”, disse o senador Sanders ao Anderson Cooper, da CNN, durante a entrevista.

Não podemos deixar de pensar se o senador ofereceria um retrato igualmente matizado de um ditador de direita.

A entrevista dos 60 minutos é apenas o episódio mais recente da longa história de Sanders em atuar como apologista do socialismo.

Desde a sua infame viagem para a União Soviética que o levou a exaltar as “forças” do sistema comunista, aos elogios dos anos 1980 à Cuba de Castro e à ditadura sandinista na Nicarágua, Sanders costuma ter palavras simpáticas para as ditaduras de esquerda.

Além disso, em fevereiro de 2019, Bernie Sanders se recusou a descrever Nicolás Maduro, da Venezuela, como um “ditador” . Somente no debate democrata de setembro, quando pressionado, Bernie finalmente admitiu que Maduro era um “tirano”.

Bernie Sanders, aos 78 anos, deveria saber melhor do que exaltar as supostas realizações de ditaduras comunistas.

Tomara que os americanos analisem os dados em vez de considerar as afirmações falaciosas de Sanders sobre os sistemas de educação e saúde de Cuba.

Marian L. Tupy é editora do HumanProgress.org e Analista de Políticas no Cato Institute’s Center for Global Liberty and Prosperity. Chelsea Follett é editora chefe do HumanProgress.org e Analista de Políticas no Cato Institute’s Center for Global Liberty and Prosperity.

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