Por que a quantidade de empresas não importa para inovação

Em primeiro lugar, consumidores não são beneficiados pelo fato de existirem muitos produtores do mesmo item. Afinal, desejos de consumo são saciados pela inovação, fator sobre o qual a quantidade de empresas mostra-se irrelevante.

Eles também não ganham com as empresas competindo entre si, pois suas estratégias pouco importam. Na prática, os consumidores ganham quando a produção é direcionada à criação de valor.

O valor da concorrência

Logo cedo nos é ensinado que a concorrência consiste em dois ou mais fornecedores de um mercado, que ao tentarem fazer exatamente a mesma coisa, são “forçados” a superar um ao outro.

Porém, essa é uma violenta simplificação, que chega muito perto de ser uma mentira. A razão que define “pressão competitiva” como aquilo que faz um negócio continuar inovando e se reinventando não é dada pelo fato de “existirem outros”. 

Na verdade, o que importa é que esses outros possam vencê-los no futuro. Isso é o que move a competição pela inovação.

Considere um corredor que é tão rápido que ninguém do esporte pode vencê-lo. Isso significa que ele deve parar de treinar ou apenas trabalhar para manter essa habilidade? Não. 

Não há garantia de que outros corredores, treinados de outras maneiras ou que tenham desenvolvido outras habilidades não vão surgir. Portanto, o corredor inicial precisa se manter em constante evolução para permanecer no topo ou entre os melhores.

Para a área de negócios, isso é mais difícil, pois quem julga o resultado são os consumidores, cujos desejos e ideias podem mudar a qualquer momento.

Contudo, em ambas não é suficiente simplesmente vencer a concorrência, pois novos participantes com inovações que minam o valor da sua oferta podem aparecer.

Inclusive, os concorrentes já existentes podem se reinventar para fazer o mesmo, sem que haja aumento da quantidade de empresas no mercado.

Investimento em inovação

A concorrência real, responsável pela pressão com a qual toda empresa precisa saber lidar, é a possibilidade de melhores ofertas no futuro.

Mais importante do que isso é saber que essa pressão existe independentemente de quantos participantes estão atualmente produzindo um determinado bem.

Afinal, os concorrentes no mercado de celulares de flip não foram prejudicados por um telefone de flip melhor ou mais barato, mas pelo advento do smartphone.

Isto é, por um novo tipo de dispositivo, melhor e mais eficiente, o que caracteriza a ideia de inovação tecnológica.

Em outras palavras, o que realmente importa é a geração de valor, isto é, a satisfação que os consumidores terão, e não o número de concorrentes no mercado atual.

Embora as empresas presentes no mercado tentem manter os preços mais baixos, assim como, a qualidade mais alta em relação à concorrência, essa “dança” não é o que cria valor. 

Empreendedorismo inovador, imaginativo, é o que facilita o valor para os consumidores. É o que cria, reformula e destrói indústrias obsoletas.

Ou seja, o mínimo necessário para um produto ser competitivo é um produtor, desde que outros não sejam impedidos de entrar. Não pode haver barreiras de entrada no mercado impostas pelo estado, e isso é um ponto muito relevante. 

A mera ameaça de que um empreendimento vá perder sua fatia do bolo é suficiente para sustentar a competição, independente se houve aumento da quantidade de empresas de fato ou não.

O verdadeiro incentivo

Logo, o que motiva o processo de inovação dentro das empresas é a busca por lucro futuro. 

Você pode ter um mercado com centenas de empresas parecidas, produzindo o mesmo produto apenas para serem interrompidas por um empreendedor inovador que acaba por ser mais importante do que qualquer uma das centenas de concorrentes.

O empreendedor cria a nova oferta que satisfaz os novos desejos dos consumidores; ele destrói o antigo criando o novo. É a beleza da destruição criativa. Isso é o que importa, não o número de empresas.

* Per Bylund é professor na Oklahoma State University e integrante do Mises Institute.

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