Planejamento urbano e a importância dos efeitos da aglomeração

Em 2019, foi publicado um artigo no New York Times que narrava a experiência de Paul Romer no Burning Man. Este, por sua vez, é um conhecido evento de experimento social colaborativo que ocorre em Nevada anualmente, atraindo milhares de pessoas. Apesar de estranho, lá Romer aprendeu muito sobre planejamento urbano.

Amplamente inspirado também por Alain Bertaud, seu principal insight foi de que as cidades são mercados de trabalho, que requerem redes de transporte eficazes para funcionar bem.

O corolário desse ponto, Romer argumenta, é que o papel do planejamento nas cidades deve se limitar a delinear os espaços públicos e os espaços privados. Mais especificamente, os planejadores devem definir a grade de uma cidade e, em seguida, deixar a ordem surgir.

Como esta proposta funcionaria

Romer usa o Plano do Comissário de Nova York para ilustrar seu ponto. Em 1811, a legislatura do estado de Nova York nomeou uma comissão para desenvolver um plano para Manhattan, e o resultado é a rede que continua a definir Manhattan hoje.

Neste, os espaços públicos foram definidos explicitamente, o que, na época, basicamente significava estradas e, posteriormente, parques. Em todos os outros aspectos, o mercado foi liberado para atender à demanda. 

Embora em geral eu simpatize com essa perspectiva, e seja um corretivo importante às tendências de super planejamento da profissão atualmente, não é o que eu recomendaria para os desenvolvedores urbanos hoje.

Além de planejar o layout de uma cidade, os planejadores da cidade também devem considerar a importância dos efeitos de aglomeração. 

Os efeitos positivos da aglomeração nas cidades

Estes efeitos são os benefícios da atividade econômica concentrada. Quando há concentração de atividade econômica, há um grande mercado de trabalho para mão de obra qualificada e não qualificada; acúmulo de conhecimento da indústria; e baixo custo de transporte. Logo, o resultado é inovação, novos negócios e crescimento econômico. 

Não é surpresa que a maioria das empresas de tecnologia comece no Vale do Silício, que os filmes sejam produzidos em Los Angeles ou que a cidade de Nova York seja o centro financeiro.

Uma vez que, o talento e o know-how para uma atividade residem em um único lugar, este tende a ter uma forte vantagem comparativa. Uma evidência disso é a atração contínua do Vale do Silício, apesar de oferecer um custo de vida exorbitante e governança pobre; altos impostos, uma população significativa de moradores de rua e alta criminalidade.

Nesse sentido, embora seja importante delimitar os espaços públicos dos privados, também é importante compreender a vantagem comparativa de uma cidade com indústrias e empresas-alvo. Afinal, não estamos mais em 1811, onde as pequenas e médias empresas dominam o comércio. E os desenvolvedores urbanos fariam bem em pensar de outra forma.

Considerações finais sobre planejamento urbano

Os shoppings são um exemplo útil, pois oferecem espaço público e privado. No entanto, eles discriminam os preços com base no tipo de loja. Assim, as lojas de departamento pagam menos por metro quadrado do que os restaurantes e joalherias. Isso porque estas atraem maior tráfego de pedestres.

Novas cidades enfrentam desafios semelhantes. Atrair os primeiros residentes é difícil quando há poucos empregos ou facilidades. Portanto, um desenvolvedor urbano que se concentrasse em atrair um inquilino âncora para criar os primeiros 500 ou 1000 empregos, tornaria a cidade muito mais atraente. Afinal, nessa escala, os empresários seriam incentivados a fornecer outros serviços, como mercearias e entretenimento. 

Obviamente, existem inúmeros desafios de escolha pública em tal tomada de decisão. Os governos municipais e estaduais costumam usar argumentos semelhantes para justificar enormes incentivos fiscais para novos estádios e fábricas, o que traz riscos de uma corrida ao fundo do poço.

No entanto, os benefícios potenciais do planejamento urbano além da delimitação de espaços públicos e privados não devem ser ignorados. Em mercados emergentes onde a urbanização é mais rápida, seria um erro os planejadores de cidades construírem apenas a rede.

Este artigo foi traduzido pela equipe de voluntários da Free Private Cities Inc., uma empresa que busca implementar este modelo. Vocês podem descobrir mais neste site.

A publicação original em inglês pode ser encontrada aqui.

Traduzido por Jhone Carrinho e revisado por Lucas Russo.

Jhone é coordenador regional do centro-oeste na Students For Liberty Brasil.

Lucas é coordenador local do Students for Liberty Brasil e Fundador do Semente da Liberdade.

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Mark Lutter

Por:

Fundador e Diretor executivo do Charter Cities Institute.

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