Parlamentares retiram dinheiro de áreas sociais para o fundão eleitoral

A Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou relatório que retira recursos de áreas sociais para aumentar o fundão eleitoral. Em 2020 haverá R$ 500 milhões a menos para a saúde, R$ 280 milhões a menos destinados para a educação e R$ 380 milhões a menos para infraestrutura, habitação e saneamento básico.

Essa foi a escolha. Poderiam aliviar os pagadores involuntários de impostos com esse dinheiro ou deixá-los em áreas sociais vistas como prioritárias. Mas não: todo esse montante vai para o fundo eleitoral a fim de financiar com dinheiro público a campanha de vereadores e prefeitos em 2020. De acordo com o relatório, será R$ 3,8 bilhões destinados a esse fim, mais do que o dobro dos valores de 2018.

Para o que serve o fundão eleitoral

O governo federal brasileiro, que é incapaz de gastar menos do que arrecada desde 2014, pode passar a gastar R$ 1,8 bilhões a mais com campanhas eleitorais.

O governo brasileiro não têm dinheiro, as redes sociais baratearam as eleições, financiar campanha política não deveria ser uma prioridade e é imoral pegar dinheiro do seu bolso para pagar a campanha de políticos cujas ideias você discorda, repudia e abomina.

Quando o Fundo Partidário foi criado, em 1995, ele custava R$ 181,7 milhões. Em duas décadas e meia, o valor aumentou quase 2.500%. Sim, o governo é tragicamente uma indústria em crescimento e essa máquina precisa ser interrompida.

Essa tendência se dá em virtude de seus incentivos políticos: aumentar o financiamento de campanha beneficia o status quo, e quem decide e vota é, justamente, quem compõe o status quo. Isto é, eles fazem a festa e mandam a conta para os brasileiros.

Assim, os caciques partidários dos grandes partidos receberão muito mais dinheiro, e são eles quem decidem para onde vai o dinheiro. Logo, eles beneficiarão quem os ajudou a aumentar a verba.

Se a manobra dos parlamentares for bem-sucedida, em 2020, haverá mais dinheiro para que candidatos a vereador e a prefeito possam fazer mais santinhos e mais jingles cafonas. Assim como, para colocar mais gente balançando bandeiras debaixo de sol quente.

Então, quando se deparar com tudo isso entre agosto e outubro de 2020, valorize: parte do futuro do país foi trocado por tudo aquilo.

*Luan Sperandio é Diretor de Conteúdo do Ideias Radicais

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