Como a pandemia popularizou a educação domiciliar

O mês de agosto marca o início de um novo ano acadêmico em vários estados norte-americanos e a pressão está aumentando para que as escolas voltem à atividade normal, mesmo com a pandemia da Covid-19. Mas, muitos pais estão optando pela modalidade de educação domiciliar.

A Flórida, por exemplo, atualmente considerado o foco do país para o vírus, recebeu uma ordem executiva do comissário de educação do estado. Assim, o documento determina que todas as escolas da Flórida sejam reabertas em agosto, com aprendizado presencial e todo o seu conjunto de serviços estudantis.

Felizmente, esse vírus parece poupar a maioria das crianças, e organizações médicas importantes, como a Academia Americana de Pediatria, insistem que as escolas reabram nos próximos meses com o aprendizado presencial.

Porém, para alguns pais, o medo do vírus em si é uma consideração primária para atrasar o retorno de uma criança à escola. Para eles, isso é especialmente importante se ela tiver contato direto com indivíduos que fazem parte de grupos de risco.

De acordo com uma pesquisa recente do USA Today/Ipsos, 60% dos pais entrevistados disseram que provavelmente escolherão o aprendizado em casa neste outono. Inclusive, 30% destes não querem enviar seus filhos para a escola mesmo depois.

Matrículas em queda

Enquanto alguns desses pais podem optar por uma versão online da escola em casa, vinculada ao seu distrito, muitos estados estão vendo um aumento no número de pais que retiram seus filhos da escola em favor da educação domiciliar independente. Por todo o país, mais pais estão optando por não voltar para a educação convencional este ano, citando os onerosos requisitos de distanciamento social como a principal razão.

De fato, tantos pais enviaram documentações avisando suas intenções de aderir ao homeschooling na Carolina do Norte – requerimento legal do estado para praticar a modalidade de ensino – no início de julho, que derrubaram o site do governo.

Outros estão optando por adiar a matrícula escolar de seus filhos, com os distritos escolares de todo o país relatando números abaixo da média das matrículas no jardim de infância neste verão.

Educação presencial compulsória

Além disso, preocupados com a recusa de matrículas e os pais reassumindo o controle sobre a educação de seus filhos, alguns distritos escolares estão tentando impedir que os pais removam seus filhos da escola para estudar em casa.

Na Inglaterra, é ainda pior. As autoridades do governo estão tão preocupadas, que a secretária de educação anuncou multas para todas as famílias que mantiverem seus filhos em casa neste outono. “Temos que voltar à educação obrigatória e, obviamente, as multas são acompanhadas como parte disso”, anunciou Gavin Williamson.

Quando as escolas tentam recorrer à força estatal para garantir a conformidade, isso deve levar os pais a olhar mais de perto o ambiente geral de aprendizado de seus filhos. Afinal, os pais têm o maior interesse em garantir o bem estar de seus filhos, tanto física quanto emocionalmente, e suas preocupações e escolhas devem ser respeitadas.

Todavia, após vários meses de homeschooling, os pais podem não estar tão dispostos a cumprir as diretrizes locais, preferindo outras opções de educação mais individualizadas. Apesar de terem sido empurrados para esta modalidade, devido à pandemia, muitos estão agora caminhando de bom grado por esse caminho educacional cada vez mais popular.

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Kerry McDonald

Por:

Integrante do Foundation for Economic Education e do Cato Institute. Autora do livro "Unschooled: Raising Curious, Well-Educated Children Outside the Conventional Classroom".

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