Países mais livres têm educação melhor

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Países mais livres têm educação melhor

A liberdade econômica fez mais pelos pobres em todo o mundo do que qualquer programa social financiado por pagadores de impostos jamais poderia. Mas, há pouco debate sobre a relação direta entre esse cenário e a educação.

Nenhum sistema econômico da história teve tanto sucesso em tirar as pessoas da pobreza quanto o do capitalismo. Não obstante a esmagadora evidência de sucesso nos últimos dois séculos, os críticos do capitalismo continuam insistindo que a liberdade econômica foi um fracasso. 

Uma acusação frequente é que os governos que priorizam políticas como redução de impostos e direitos de propriedade privada não proveriam aos cidadãos boa assistência médica, boa educação e ambientes limpos. 

No entanto, os resultados do Índice de Liberdade Econômica contam uma história bem diferente.

A falsa dicotomia

De fato, maior liberdade econômica se correlaciona com melhores resultados nas escolas (públicas e privadas), maiores taxas de alfabetização, menores taxas de mortalidade infantil, maior expectativa de vida e um ambiente mais limpo e seguro.

Ironicamente, são os países que rejeitam a liberdade econômica que produzem bens sociais inferiores.

Bens sociais de maior qualidade são criados quando os consumidores têm uma variedade maior de opções — criadas por meio de uma verdadeira concorrência no mercado livre.

É por intermédio da competição e da escolha que os países, especialmente os emergentes, criam as melhores oportunidades para obter uma qualidade de vida mais alta para seus cidadãos.

Os autores deste relatório fizeram análises entre países para comparar a disponibilidade de bens sociais importantes — educação, saúde e um meio ambiente limpo — entre países com altos e baixos níveis de liberdade econômica. 

Assim como o próprio Índice de Liberdade Econômica, os resultados descritos neste relatório fornecem evidências convincentes dos benefícios do aumento da liberdade.

Mais liberdade econômica = educação melhor

A educação aprimora os esforços das pessoas para sair da pobreza e obter seu próprio sucesso por meio do trabalho e empreendedorismo.

Ao contrário de um equívoco popular comum, as evidências empíricas indicam que os princípios do livre mercado são os meios mais eficazes de produzir resultados educacionais desejáveis ​​para a maioria das pessoas.

Políticas educacionais que tendem a aumentar a centralização de agências educacionais, burocratização e sindicalização levaram a aumentos drásticos nos gastos governamentais em educação com muito pouco progresso a mostrar. 

A despeito disso, estatistas freqüentemente zomba das políticas de liberdade econômica de descentralização, competição e escolha educacional. 

Liberdade de escolha

Embora não admitam, progressistas demonstram com suas ações e políticas uma desconfiança dos pais e de sua capacidade de escolha sobre o futuro educacional dos seus filhos.

Para eles, os pais não devem ter permissão para determinar a forma de educação de seus filhos, o que aprendem ou por quem são ensinados.

Embora a maioria possa concordar com padrões básicos de alfabetização, as políticas reacionárias do establishment da educação nos governos e na academia estão gerando resultados educacionais negativos. 

Ao invés disso, formuladores de políticas governamentais deveriam examinar as políticas que adotam a liberdade econômica.

Escolas charter e programas de vouchers aumentam a competição nos sistemas escolares, elevando os padrões e os resultados para estudantes e professores. 

A devolução das decisões educacionais aos pais e funcionários da escola local permite que os educadores adaptem os currículos ao ambiente e a força de trabalho locais, melhorando as chances de emprego dos alunos.

Em um mundo globalizado, os estudantes de uma escola qualquer não estão mais apenas competindo com estudantes de todo o seu estado ou o seu país, mas com estudantes de todo o mundo.

Para permanecerem competitivos, os sistemas educacionais precisam de flexibilidade, competição e escolha — os fundamentos da liberdade econômica.

Alfabetização e educação básica 

Um dos indicadores mais facilmente óbvios do sucesso de uma sociedade é a alfabetização de seus cidadãos.

Afinal, aqueles que são menos alfabetizados não podem acessar ou lucrar com a quantidade quase infinita de informações disponíveis atualmente e não podem fornecer um ambiente doméstico que incentive o desempenho educacional de seus filhos. 

Aqueles que são alfabetizados são capazes de, por exemplo, navegar pelas burocracias do governo para iniciar um negócio, garantir documentos vitais ou registrar-se em serviços sociais.

Taxas mais altas de alfabetização também são pré-requisitos para o crescimento econômico porque melhoram o capital humano em um país. Eles qualificam indivíduos para empregos que exigem melhor treinamento e salários mais altos. 

Pesquisas descobriram que “os avanços econômicos mais rápidos são alcançados pelos países que já atingiram níveis de alfabetização suficientemente altos”. 

Da mesma forma, altos níveis de alfabetização têm uma forte relação com o produto interno bruto per capita (PIB), tornando-os um fator-chave no crescimento em longo prazo.

Nesse sentido, esses resultados positivos da alfabetização são consistentes com o aumento dos níveis de liberdade econômica. 

Pegando como exemplo o Índice de Liberdade Econômica de 2013, publicado em conjunto pela The Heritage Foundation e pelo Wall Street Journal, maior liberdade econômica se correlaciona com maior alfabetização.

Como pode ser observado no gráfico acima, países com níveis mais altos de liberdade econômica têm níveis mais altos de alfabetização de adultos, conforme medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU.

Na amostra, os países no quartil mais alto do Índice de Liberdade Econômica, em média, tendem a ter 21 adultos mais alfabetizados para cada 100 do que os países no quartil mais baixo da liberdade econômica.

Em média, apenas 74% dos adultos nos países menos economicamente livres (segundo e terceiro quartil) são alfabetizados.

Educação na África e Liberdade Econômica

boas perspectivas para os países africanos na próxima década. Porém, em nenhum lugar do mundo o problema do analfabetismo é pior do que na África Subsaariana.

Em um estudo de 2010 da UNESCO, nove dos 20 países da África Subsaariana estudados apresentaram taxas de alfabetização abaixo de 50%. 

No Burkina Faso, o pior dos casos, menos de um terço da população é alfabetizada. Portanto, não surpreende que a África Subsaariana tenha a menor pontuação regional no Índice de Liberdade Econômica de 2013, com 53,7 (de 100).

No entanto, há esperança caso os países seguirem os princípios da liberdade econômica que podem tirar suas populações da armadilha do analfabetismo. 

Um exemplo foi Ruanda. Nos anos 1990 o país foi devastado pela guerra civil e pelo genocídio, que estima-se que tenha matado entre 500 mil e 1 milhão de pessoas.

Depois que a violência diminuiu, o novo governo, liderado pelo presidente Paul Kagame, iniciou um rápido conjunto de reformas baseadas em princípios da liberdade econômica. 

O resultado não foi apenas o crescimento da prosperidade, mas uma melhoria acentuada na alfabetização. 

Em 1990, no início da guerra civil, menos de 60% da população sabia ler e escrever. Em 2010, no entanto, a alfabetização havia aumentado para mais de 70%.

Esse salto foi acompanhado por ganhos notáveis ​​na liberdade econômica. Em 1997, o primeiro ano em que Ruanda foi classificado no Índice, o país obteve uma insignificância de 38,3. 

Em 2013, Ruanda alcançou 64,1, um aumento notável de 67% na liberdade econômica. A ONU prevê que, se as condições atuais persistirem, Ruanda continuará a obter ganhos em alfabetização até 2015, e possivelmente além.

Ensino básico e Liberdade Econômica

Embora os níveis de alfabetização sejam uma boa demonstração da capacidade da liberdade econômica de proporcionar maiores níveis de bens sociais, dados mais específicos fornecem evidências ainda melhores dos efeitos positivos da liberdade econômica.

A OCDE, composta pelos países mais avançados do mundo, mede regularmente o desempenho dos estudantes em dezenas de países desenvolvidos e de mercados emergentes em todo o mundo através do PISA.

Administrado a cada três anos, o PISA testa estudantes de 15 anos de idade por meio de exames exclusivos que cobrem as disciplinas básicas de matemática, leitura e ciências. 

Em 2009, a OCDE testou jovens de 15 anos em 65 países. As pontuações para cada país são a média de todas as pontuações dos alunos nesse país para cada categoria. 

Naquele ano, por exemplo, as melhores pontuações em ciências, leitura e matemática foram para a Finlândia, Coréia do Sul e Cingapura, respectivamente.

Ao combinar a pontuação média de cada país em matemática, ciências e leitura, uma pontuação agregada pode ser gerada em todas as disciplinas. 

Essas pontuações máximas podem ser usadas para comparar o desempenho geral de um país em todas as disciplinas com a pontuação individual de cada país no Índice de Liberdade Econômica. (Ver Quadro 3.) 

Nesta análise, uma correlação bastante positiva e robusta (r = 0,64) surge. 

Essa correlação indica que países com níveis mais altos de liberdade econômica tendem a ter alunos com melhor desempenho em testes internacionais. 

A pontuação média de liberdade econômica para os países da amostra do PISA é de 68,2, bem no limite superior da categoria “Moderadamente livre” do Índice.

Também não é de surpreender que os estudantes de Hong Kong, o país economicamente mais livre do mundo, de acordo com o Índice, tenham alcançado as maiores pontuações gerais nos testes.

Educação ao longo da vida e Liberdade Econômica 

Os estudantes que vivem em países que adotam a liberdade econômica não apenas obtêm uma nota melhor em testes padronizados internacionais, mas também tendem a permanecer na escola por mais tempo. 

Novamente, usando números do IDH, é perceptível a relação positiva entre os anos esperados de escolaridade e a liberdade econômica.

As pessoas nos países do primeiro quartil da amostra de 176 países — aquelas com as maiores pontuações de liberdade econômica — tendem a obter mais anos de escolaridade do que aquelas que vivem nos países do último quartil.

Os indivíduos do primeiro quartil podem esperar receber em média 15 anos de escolaridade. Enquanto isso, os estudantes dos países mais reprimidos economicamente, o quarto quartil, recebem apenas 11 anos de educação ao longo da vida.

Esse resultado também é visto na correlação positiva (r = 0,54) entre países com altos níveis de liberdade econômica e anos de escolaridade.

Essa correlação sugere que os países mais livres não apenas oferecem melhores oportunidades educacionais para seus alunos. Eles também podem permitir que os alunos permaneçam em atividades educacionais de período integral por períodos mais longos.

Esses países também tendem a oferecer mais oportunidades de aprendizado ao longo da vida e de treinamento profissional.

Ensino superior e Liberdade Econômica

A capacidade de um país de oferecer oportunidades educacionais primárias e secundárias de alta qualidade é um componente essencial do seu sucesso futuro. 

No entanto, para um país se tornar competitivo globalmente ele deve ter instalações educacionais e empresas privadas que empregam pessoas inovadoras e altamente produtivas, capazes de fazer pesquisas de ponta e desenvolver bens e serviços inovadores.

Essas qualidades dependem em grande parte da força das instituições de ensino superior de um país. Nos Estados Unidos, por exemplo, os indivíduos que possuem diploma de bacharel tendem a ganhar 63% a mais do que aqueles que possuem apenas o ensino médio. 

Além disso, a taxa de desemprego para aqueles com diploma universitário tende a ser menor que para aqueles com apenas diplomas no ensino médio.

Maiores níveis de educação e treinamento que os trabalhadores recebem se traduzem não apenas em maiores salários, mas em economias mais produtivas e inovadoras.

Os burocratas estatísticos da educação há muito tempo insistem em que a melhor maneira de expandir a disponibilidade da educação em nível universitário é por intermédio de esquemas massivos de subsídios e subsídios financiados pelos contribuintes. 

Tudo apesar das crescentes evidências de que esses esquemas estatistas contribuíram para o aumento dos custos das mensalidades nas últimas décadas.

De um modo geral, a melhor maneira de determinar a qualidade do ensino superior em um país é, portanto, observando o número de instituições bem classificadas em ranking internacionais. 

Liberdade nos rankings de educação

A cada ano, o US News & World Report classifica as 400 melhores instituições de ensino superior em todo o mundo em seis categorias: 

  • Reputação acadêmica;
  • Reputação do empregado;
  • Proporção de professores e alunos;
  • Professores internacionais;
  • Estudantes internacionais;
  • E número de artigos acadêmicos citados por professor.

Ao comparar os países com as melhores universidades do mundo, juntamente com o Índice de Liberdade Econômica de 2013, surge uma tendência. 

Conforme demonstrado no gráfico abaixo, os países do primeiro quartil do Índice, aqueles com maior liberdade econômica, tendem a ter um número maior de universidades entre as 400 melhores no ranking por milhão de residentes do que nos quartis inferiores. 

Em particular, o contraste entre o quartil um e o quartil quatro é impressionante. Afinal, os países do quartil um têm uma pontuação média de liberdade de 80,3, no limite superior dos países “Principalmente Livres”. 

Consequentemente, esses países têm em média 7,69 das 400 melhores universidades por país, por 10 milhões de residentes. 

Por outro lado, os países do quartil quatro têm uma pontuação média de liberdade econômica de apenas 56,3. Além disso, não surpreendentemente, têm muito menos que uma das 400 melhores universidades por 10 milhões de residentes.

Patentes* e Liberdade Econômica

Outra métrica do capital humano de um país e da capacidade de inovar é o número de patentes concedidas a cada ano. 

O estoque de patentes de um país indica como suas instituições são boas em criar e treinar empreendedores, pesquisadores e inovadores. As patentes concedidas em todo o mundo são registradas pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) da ONU.

Quando as patentes concedidas em 2011 são comparadas com as pontuações do Índice de Liberdade Econômica de 2011, fica muito claro que os países mais livres do mundo recebem a maioria das patentes.

De acordo com dados da WIPO, os países do quartil superior do Índice, o mais livre, recebem mais 378.000 patentes do que os próximos três quartis juntos. Em média, os países no quartil superior da liberdade econômica, liderados pelo Japão e pelos Estados Unidos, receberam 23.066 patentes em 2011.

Algumas boas ideias

Políticas estatistas que promovem a centralização e burocratização dos sistemas educacionais levam a resultados negativos para os estudantes. Portanto, ao invés disso, os formuladores de políticas devem recorrer a idéias que abranjam a concorrência, a escolha e a localização. Entre eles:

  • Promover a escolha da escola:

Pesquisas demonstram que a escolha da escola resulta em melhores resultados educacionais. Por conseguinte, os distritos que implementaram políticas de escolha de escolas registram maior desempenho acadêmico por meio da competição entre escolas, aumentando o nível de desempenho entre todas as escolas do distrito, à medida que competem pelos fundos dos vouchers. Além disso, a escolha da escola se correlaciona com ambientes educacionais mais seguros.

  • Decisões educacionais feitas sob a perspectiva local:

Os governos locais devem ter o direito de gastar dinheiro com educação como entenderem. Assim, as decisões sobre educação local não devem ser tomadas por burocratas distantes. Além disso, governos locais devem rejeitar os padrões e testes nacionais e reduzir os gastos centralizados em educação, capacitando os líderes locais.

  • Reduzir as burocracias da educação:

Aumentos drásticos nos gastos governamentais em educação levam apenas à expansão das burocracias administrativas, e não a melhores resultados para os estudantes. Portanto, o controle da educação deve ser devolvido ao nível local, impedindo que os fundos destinados aos estudantes sejam filtrados por enormes burocracias educacionais.

James Roberts e Ryan Olson são pesquisadores na Heritage Foundation.

*Apesar da correlação apontada, o Ideias Radicais não é a favor de propriedade intelectual. Para entender mais, clique aqui.

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Por | 2020-05-14T09:01:26-03:00 12/03/2020|Economia|Comentários desativados em Países mais livres têm educação melhor