Os ataques de Trump contra a China provam: ele não acredita na Liberdade

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Os ataques de Trump contra a China provam: ele não acredita na Liberdade

O que os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representam em sua guerra comercial contra a China – agora, erguendo tarifas em cima do aço e do alumínio brasileiros e argentinos também – demonstram o quanto ele acredita na mão pesada do estado.

Sem dúvidas, a China é uma ameaça. Trata-se de uma ditadura comunista, que espiona sua população, exigindo até reconhecimento facial, para que os cidadãos tenham acesso à internet.

O país também mantém campos de concentração para os Uyghurs, que podem chegar a 1 milhão de presos. E, recentemente, têm avançado sua repressão violenta sob as manifestações em Hong Kong, incluindo prisões arbitrárias, tortura e espancamentos.

Não à toa, quanto maior o poder econômico chinês, maior seu poder para manter sua ditadura e repressão. Conter seu poder econômico é fundamental para a manutenção da liberdade no mundo. Porém, os métodos de Trump não são em prol da liberdade.

A razão dos ataques de Trump

A “solução” proposta por Trump é uma guerra comercial. Ou seja, pesadas tarifas contra produtos chineses que querem entrar nos EUA, prejudicando a economia chinesa. Por outro lado, esse método também protege a indústria norte-americana da concorrência.

Nesse sentido, para compreender o porquê de seu fracasso, é preciso analisar a origem dessa política. Afinal, por que tantas empresas, e especialmente os parques industriais, foram para a China em primeiro lugar? Por que não se transferem aos Estados Unidos, a Europa, África ou América Latina?

Em última análise, essas empresas e indústrias estão na China porque outros países, em especial os mais desenvolvidos, as expulsaram para lá, por meio de altos impostos, burocracias diversas e barreiras contra a imigração.

Políticas de imigração e controle de preços

Veja bem, o mundo está cheio de pessoas que adorariam se mudar para os Estados Unidos, Europa ou Japão. Inclusive, muitas das quais estariam dispostas a trabalhar por um salário comparativamente baixo nestes países, mas, muito maior do que os que receberiam em sua terra natal.

Assim, para proteger os trabalhadores locais, que recebem um salário mínimo pré-estabelecido, os governos impõem barreiras migratórias. Consequentemente, o mercado interno é privado de obter mão de obra, a partir do controle de preço desta.

Ou seja, se você quer um ambiente regulatório mais simples, legislação mais simples, menos impostos e capital humano mais barato, a grande jogada era ir para alguma Zona Econômica Especial da China.

Digo “era”, pois com o grande crescimento econômico da China, os salários subiram muito, ultrapassando o salário médio da indústria brasileira.

Agora, as empresas estão começando a sair da China, procurando outros lugares com mão de obra barata, como Vietnã, Malásia, Indonésia e Bangladesh. Isto nem sequer é novidade: já estava sendo discutido no começo da década.

Como os países deveriam enfrentar o poderio chinês

No geral, as nações ocidentais não têm feito nada. Os países desenvolvidos continuam não sendo tão atrativos quanto poderiam ser, perdendo a oportunidade de trazer os centros de produção de volta aos seus território.

Para tanto, bastava que seus governos reduzissem burocracias e regulações de forma violenta. Não à toa, estas representam o caminho da liberdade, cuja direção é contrária aos ataques de Trump.

Ao invés de reduzia gastos estatais e impostos, o presidente dos Estados Unidos optou por fazer apenas o segundo. Dessa forma, o déficit explodiu para 1 trilhão de dólares por ano e, agora, o governo está canibalizando capital privado para se sustentar.

Outra opção seria abrir os mercados americanos, tornando-os ainda mais competitivos. Assim como, reduziria encargos trabalhistas, abolir o salário mínimo e facilitar a imigração dos milhões de pessoas que lá querem trabalhar e residir.

Na Europa, Irlanda e Estônia seguiram esse caminho. Em contrapartida, países centrais, como França, Espanha e Itália, insistem em um modelo de intervenção pesada e grande gasto estatal. Dai, quando apresentam alta de desemprego, estagnação de salários e crescimento pífio: culpam o capitalismo.

Além disso, os países subdesenvolvidos também fizeram muito pouco. Vários países na África e na América Latina poderiam implementar reformas pró-mercado, atraindo uma gigantesca leva de empresas, empregos e desenvolvimento. Porém, não o fizeram.

Contra estas alternativas de livre mercado, a China não teria nada o que fazer em sua defesa. Afinal, ainda seria uma ditadura comunista e os Estados Unidos um país com maior liberdade, mesmo que em vias de redução.

Os ataques de Trump não visam um mercado mais livre

Ou seja, o fato de que Trump não usa essa via de mercado e de liberdade para combater a China demonstra claramente que ele não acredita na efetividade da liberdade.

Aliás, não podemos nem dizer que ele quer liberdade, porém não a consegue por conta de sua oposição. O atual presidente dos Estados Unidos é extremamente vocal sobre o que quer e nunca deixou a manutenção de boas relações com os Democratas interferirem em seu governo.

Por sua própria conta e risco, Trump insiste em uma rota de protecionismo, mentindo sobre as tarifas serem pagas pelos chineses e não pelos americanos. Isso já foi respondido inúmeras vezes, com o adicional de que as tarifas sequer subiram a arrecadação do governo.

O resultado disso é um forte impacto negativo para todo mundo. Afinal, a economia mundial se descoordena, à medida que todas as cadeias suas produtivas, não só da China, dos Estados Unidos ou do Brasil, vão ficando mais ineficientes.

É como se Trump tivesse desafiado a China para uma competição de quem bate a cabeça na parede mais forte sem desmaiar, apostando que tem um queixo mais forte. Quem ganha alguma coisa com isso? Talvez o médico dos dois, e quem conseguir vender ingressos para o show.

No geral, mesmo que a China desista, aceitando as concessões que Trump venha a exigir, o que ele terá conseguido é um mundo mais pobre até lá e mais pobre depois também.

Por fim, Trump também terá que pagar o preço político de uma população empobrecida e de um conflito global (mesmo que apenas no comércio) na próxima eleição.

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Por | 2020-09-10T18:46:22-03:00 02/12/2019|Eleições americanas, Política|Comentários desativados em Os ataques de Trump contra a China provam: ele não acredita na Liberdade