O que falta para privatização da Eletrobras?

A Medida Provisória (MP) da Eletrobras, que busca a privatização da Eletrobras, foi aprovada na Câmara dos Deputados por 258 votos a favor e 136 contra. O relator na Casa, Elmar Nascimento (DEM-BA), afirmou que manteve em seu parecer 95% do texto já aprovado pelo Senado, onde a votação se mostrou tensa.

Conclui-se mais uma etapa para para a privatização da estatal elétrica, mas ainda há muitas outras até que esta seja concluída. Afinal, em Brasília, o jogo político em um projeto relevante não acaba com a simples aprovação deste, apenas se começa uma nova etapa.

O que mudou na MP da Eletrobras?

Nos últimos dias, as negociações da medida surpreenderam, pois mesmo com apoio suficiente para a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), a privatização foi alvo de intensas discussões no Senado, resultando em apresentação de três pareceres diferentes pelo relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO) até que fosse aprovado.

O modelo de desestatização prevê a emissão de novas ações da elétrica, que serão vendidas no mercado sem a participação da União, ou seja, haverá perda do controle acionário de voto. Além disso, uma das principais regras é que cada acionista, individualmente, não poderá deter mais de 10% do capital votante da empresa.

Retirou-se uma indenização de R$ 260,4 milhões ao governo do Piauí pela privatização da distribuidora de energia do estado, além de ter se excluída a abertura do mercado livre de energia. O trecho indicava que, a partir de julho de 2026, todos os consumidores poderiam optar pela compra de energia elétrica de qualquer concessionário, permissionário ou autorizado.

Por último, houve discordância sobre a forma como os contratos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) serão renovados. O Senado estabeleceu a renovação pelo preço médio dessas fontes, de acordo com o último leilão, enquanto a Câmara colocou a renovação por um preço mais alto.

Apenas um passo para a privatização da Eletrobras

A aprovação do projeto é uma vitória para o governo, que busca emplacar a agenda de privatizações.

Contudo, a aprovação da MP não implica em privatização imediata. O próximo caminho do rito será a sanção presidencial, cujo prazo se encerra em 12 de julho. Porém, dificilmente o projeto se encerrará aí. Deve haver vetos, que ainda precisam ser analisados posteriormente no Congresso até a votação das leis orçamentárias, algo que deve ser votado até o final de 2021.

A expectativa do governo é que a capitalização da Eletrobras ocorra em fevereiro de 2022. Em seu cronograma, espera-se que o BNDES conclua a modelagem do negócio em setembro, enquanto o TCU dê o seu aval no início de fevereiro de 2022.

Contudo, pode-se iniciar uma disputa jurídica acerca do tema. Segundo a Consultoria Legislativa do Senado, tanto a privatização da Eletrobrás quanto a prorrogação das concessões de geração são inconstitucionais, uma vez que a Constituição exige a realização de licitação tanto de estatais quanto de usinas. Dessa forma, seguindo princípio da legalidade, a administração pública não poderia usar do aumento de capital mediante subscrição pública de ações, um instrumento do Direito Societário, como forma de privatizar a empresa.

No fim, a questão provavelmente será decidida no STF, e a disputa eleitoral em 2022 ainda pode prejudicar o andamento. Isso significa que a privatização da Eletrobras ainda pode estar longe de ocorrer.

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Head de Conteúdo do Ideias Radicais, além de atuar no mercado financeiro na Apex Partners e assinar na Folha Vitória uma coluna diária com cenários da política e economia brasileira.

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