O que acontece com a economia do Japão?

Entre 1950 e 1990 a economia japonesa apresentou um dos maiores crescimentos já vistos na história, suficientemente forte para alçar os nipônicos ao posto de segunda maior economia global e PIB per capita muito próximo dos EUA. Contudo, a crise a partir da década de 1990 pôs fim aos tempos gloriosos do país do Sol Nascente. O que explica isso?

A crise japonesa

Conforme o gráfico abaixo, a partir de 1992 há divergência entre as economias entre os Estados Unidos e o Japão:

Fonte: BOLT; VAN ZANTEN, 2020.

Dessa forma, a economia japonesa nunca conseguiu retornar ao melhor momento de sua história (1991), de lá para cá são 30 anos de divergência e posterior estagnação econômica face aos EUA. O estado japonês lançou mão de diversos esforços e tentativas a fim de reanimar a demanda agregada, principalmente em uma sociedade muito poupadora e demograficamente envelhecida.

A atuação do estado japonês se deu em duas frentes: fiscal (expansionista, isto é, gastando mais) e monetária (contracionista, aumentando a traxa de juros).

Durante muito tempo a política fiscal gerou sucessivos déficits, que fizeram a dívida pública sair de aproximadamente 40% para 256% do PIB, tornando-o o país mais endividado do mundo.

Fonte: FMI, 2021.

A carga tributária foi de 31,40% em 2019, relativamente baixa se compararmos a Europa Ocidental e a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dessa forma, o país oriental queria gastar como os países europeus, porém se recusou a elevar os tributos. Essa postura durante várias décadas fez com que a trajetória da dívida pública tenha ficado insustentável.

Economicamente, a situação poderia ter sido resolvida a partir de um novo pacto com a sociedade japonesa: reduzir gastos ou elevar a tributação. Nenhuma das opções foram implementadas para solucionar o conflito distributivo.

Política monetária do Japão

Concernente a política monetária, o Banco do Japão (BOJ), também conhecido como Nippon Ginko, é o banco central do Japão, muitas vezes chamado de Nichigin. Diferentemente do que muitos imaginam, ele manteve a taxa básica próxima do esperado. Na maior parte do período, as taxas de juros eram superiores ao índice de preços ao consumidor. Ao levar em conta que o país comumente registra deflação, quaisquer juros acima da inflação têm efeito contracionista nos mercados.

A partir de 2013, ano em que o BOJ começou a ser mais agressivo em sua política, o Japão registrou alguns anos com juros reais inferiores a 0%, assim, durante um curto período de tempo o fiscal e monetário seguiram a mesma política expansionista.

Considerações finais

O Japão já não possui mais horizonte de alto crescimento. O fato de ser a população mais velha do mundo (que pressiona os gastos com políticas sociais e reduz a força de trabalho) gera efeitos deflacionários difíceis de serem superados. A prova disso foi que a economia pouco reagiu aos estímulos fiscais. Mesmo em um cenário mais otimista, com o fiscal e monetário trabalhando em sincronia, será improvável crescer muito.

O estado japonês poderia equiparar a tributação aos elevados gastos no intuito de conter o aumento da dívida pública, porém essa medida parece ser a mais dolorosa para uma população idosa, que não vê seus rendimentos aumentarem há muito tempo.

Conclui-se que a solução para aumentar o crescimento é incentivar o aumento da taxa de natalidade. Outra estratégia seria estimular o processo de migração. Entretanto o fato de o país ter muitas restrições (legais e culturais), dificulta o processo.

Rafael Altoé Frossard é Graduado em Contabilidade, com Intercâmbio em Economia na Universidade do Porto. Atualmente é Mestrando em Administração na Universidade Federal de Juiz de Fora.

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