O orgulho LGBT é uma celebração da Liberdade

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O orgulho LGBT é uma celebração da Liberdade

Por Bernardo Vidigal*

No dia 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT; e essa data transmite algo muito especial: a Liberdade. Não há nada mais individual do que quem você ama, por quem você se sente atraído e como você se identifica. É uma expressão bela é única, particular de cada um. E ter orgulho de fazer o que quiser, é celebrar a individualidade de cada pessoa.

Mas a coletivização do conceito de gênero e de sexualidade ainda é algo visto no dia a dia. Essa força já foi muito maior, mas se hoje é comum ver casais homoafetivos andando nas ruas de grandes cidades, escolher o banheiro do gênero que você se identifica ainda arrasta grandes polêmicas.

Talvez não muita gente saiba, mas o movimento do Orgulho Gay começou justamente como uma reação às agressões a liberdade de você ser quem quiser. Ele tem como marco de seus primórdios o dia 28 de Junho de 1970, com a parada de Christopher Street Liberation Day. Na ocasião, o movimento percorreu 51 quarteirões da cidade de Nova York, desde Christopher Street até o Central Park. Ocupou-se simultaneamente 15 quarteirões ao longo do trajeto, tamanha a quantidade de pessoas.

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Essa parada foi organizada para lembrar o que aconteceu um ano antes, em 28 de Junho de 1969, na mesma Christopher Street. Neste dia, a comunidade gay de Greenwhich Village reagiu pela primeira vez às operações policiais contra os bares gays do bairro. Na época, gays americanos eram marginalizados e o governo ativamente fazia campanha contra homossexuais, repreendendo seus estilos de vida e sua liberdade de expressão.

Nada disso havia impedido Greenwhich Village de ter uma forte comunidade gay. Havia, porém, um risco legal de operar negócios voltados a comunidade por ali. Muitos estabelecimentos eram geridos à margem da lei, com muitos negócios mantendo relações corruptas com o poder público para poderem se manter funcionando.

E a história da liberação de Christopher Street começa, portanto, com um desses estabelecimentos, o Stonewall Inn. Gerido pela máfia nova iorquina, ele servia o público gay de Greenwhich Village. Homossexuais de todos os tipos frequentavam o local, de Drag Queens a banqueiros que se escondiam “dentro do armário” em Wall Street.

O donos do empreendimento pagavam propinas à polícia para operar, mas o local ainda era estruturado para receber ações policias: o bar era escuro propositalmente para quando a polícia se aproximava as luzes serem acesas e servirem de alerta para os frequentadores. Como o crossdressing (se vestir com roupas associadas ao sexo oposto) era crime, frequentemente policiais verificavam o gênero dos frequentadores com inspeção da genitália. Assim, Drag Queens identificados como crossdressers eram presos e levados à delegacia.

Há 50 anos, porém, foi diferente.

Neste dia, a operação policial no Stonewall Inn começou bem tarde na noite. Normalmente as propinas pagas à polícia garantiam que as operações fossem mais cedo, antes do horário mais movimentado de Greenwhich Village. A população de Nova York, entretanto, estava pressionando o poder público a ser mais “linha dura” contra os bares gays da cidade e a polícia resolver agir.

Mas a ação não usual da polícia despertou um sentimento de revolta em quem assistia a operação. Uma multidão se reuniu do lado de fora do bar para impedi-la. Começaram, inclusive, jogando moedas no prédio do Stonewall, ironizando o pagamento de propina. A polícia não estava acostumada a reações da comunidade gay e não estava preparada para conter a revolta. O embate aumentou gradativamente e durou toda a noite, sendo conhecido posteriormente como Stonewall Riots.

Este foi um dia de resistência. Quem protestou, o fez por suas individualidades e a liberdade de serem quem eles eram. E essa defesa incansável da expressão individual é forte dentro da comunidade gay e é um legado de 28 de Junho de 1969.

Um ano depois do Stonewall Riots, aconteceu a Christopher Street Liberation Day. Ela é replicada ao redor do mundo até hoje com as paradas do Orgulho Gay, que são um dos maiores símbolos da comunidade. Em essência, é uma celebração da memória daqueles que reagiram primeiro.

Grandes conquistas foram feitas desde então, mas ainda há largos passos a serem dados para que cada um possa ser feliz do seu jeito. Por isso, toda vez que um homem coloca vestido, peruca, maquiagem e se monta de Drag Queen; sempre que um casal homoafetivo dá as mãos em público; toda vez que alguém dança Vogue; e sempre que alguém não se conforma com o que lhe é imposto; esse indivíduo está celebrando o orgulho de ser ela mesma.

É por isso que o Orgulho Gay é especial: é a resistência contra quem não ama a liberdade alheia.

*Bernardo Vidigal é Diretor da Learn Liberty, do Students For Liberty Internacional

Por | 2019-06-28T20:26:29-03:00 28/06/2019|Libertarianismo|Comentários desativados em O orgulho LGBT é uma celebração da Liberdade