O erro fundamental de Karl Marx: a Teoria do Valor do Trabalho

A filosofia socialista pode ser um senso comum, mas elas possuem um enorme erro de premissa ao se basear na teoria do valor do trabalho de Karl Marx. Esse erro pode ser explicado a partir de uma simples caneca.

Exemplo: Uma caneca com a bandeira de Gadsden. Para saber mais sobre seu significado, leia aqui

O erro de Karl Marx

Segundo Marx, a sua opinião sobre a caneca possui um valor fixo e objetivo, isto é, a sua opinião sobre o valor dela não muda.

Para o filósofo e sociólogo alemão, o valor da caneca seria fixado a partir do trabalho depositado nela, desde a retirada dos insumos, como o barro, a secagem e toda a produção. Dessa forma, todos os valores agregados à caneca em sua finalização não aumentariam o valor desta de acordo com o pensamento marxista.

A implicação moral disso é que qualquer trabalho que resultasse em lucros a um empreendedor passaria a ser o equivalente à roubo ou a escravidão do trabalhador.

Exemplo: se um empreendedor contrata um trabalhador e o remunera em R$ 1 para a produção de uma caneca que posteriormente ele venderá por R$ 2, R$ 1 teria sido roubado do trabalhador porque ele investiu o trabalho na caneca e o dono do meio de produção não.

Contudo, o valor de um bem não é objetivo, como neste caso da caneca. Se afirmarmos que o valor da caneca é de R$ 2, mas ninguém o compra, a utilidade não é R$ 2. Para que algo tenha valor, ela precisa ser comprada por alguém e trocada por uma unidade monetária correspondente.

E se alguém argumentar que a caneca custou mais trabalho do que o mercado está precificando? Isso seria um problema?

Não, pois quem determina o valor de algo é sempre o mercado, isto é, os agentes econômicos, incluindo você e eu

Criar uma torta de lama pode dar muito trabalho, mas ninguém pagaria por isso — pois dificilmente alguém acharia essa torta útil.

De forma similar, é por isso que alguns produtos lançados no mercado fracassam, como um guarda-chuva para calçados (sim, já tentaram vender isso, e a ideia não foi para frente).

Contudo, ao contrário do que teorizou Marx, essa atribuição de valor não é objetiva. Cada indivíduo pode ver uma caneca de forma diferente. Para alguém a caneca com a bandeira de Gadsden não é atrativa, pois ela preferia uma amarela. 

Para outra pessoa a caneca pode não ter valor porque ela já possui dezenas de canecas (é a chamada lei da utilidade decrescente).

Um terceiro indivíduo pode não atribuir valor algum para a referida caneca por já ter uma, mas o valor de um bem não é estático. Afinal, ao sofrer um pequeno acidente e quebrar esta caneca, o indivíduo poderia passar a atribuir um novo valor à caneca pela necessidade de comprar uma.

Qual a importância da teoria subjetiva do valor?

É graças à teoria subjetiva do valor que riqueza é criada.

Afinal, se há uma troca do Indivíduo A com o Indivíduo B, é porque A reconhece que a transação com o valor referido gera mais valor para ele do que não realizar e ficar com o dinheiro.

Um exemplo para melhor explicar a situação ocorre se o Indivíduo A está com um chuveiro quebrado.

Ele pode até tentar consertar o item, mas antes procura um técnico para fazer um orçamento para ele. Digamos que o Indivíduo B cobre R$ 100 por este trabalho.

Se o indivíduo A achar que vale mais a pena ele próprio consertar o chuveiro é porque ele acredita que o tempo despendido nesta tarefa vale mais do que o custo cobrado pelo serviço.

Porém, outra pessoa na mesma situação pode simplesmente não ter nenhuma perícia técnica para consertar o chuveiro, e, dessa forma, valorizar mais a contratação do técnico por R$ 100 do que se arriscar a fazer a empreitada e tomar um choque, ou mesmo não ter sucesso algum.

Outra opção de se pagar o técnico para consertar o chuveiro por R$100, pode ser uma forma de no mesmo tempo, o cliente estar produzindo alguma atividade em que ele é mais especialista e poderá produzir mais do que R$ 100.

Um outro exemplo é o de contratar profissionais domésticos. É por este mesmo motivo que indivíduos que possuem maior produtividade em seus trabalhos costumam contratar uma diarista ou profissional doméstico para cuidarem de sua casa. Afinal, no período em que o profissional contratado realiza uma faxina, ele pode ao mesmo tempo trabalhar naquilo em que é especializado e possui maior valor agregado, de forma que no mesmo tempo trabalhado pela diarista ele pode obter um rendimento superior, pagar pelo serviço e obter um saldo positivo. No economês, o custo de oportunidade compensa a contratação.

Dessa forma, se há a proibição dessa transação contratual ocorrer, você empobrece a ambos.

Portanto, ao atribuir o valor subjetivamente, é possível que indivíduos se especializem em determinadas atividades e aumentem sua produtividade

A economia não é um jogo de soma zero

Imagine que Pedro seja especializado em plantar alface e Paulo seja especialista em plantar cenoura.

Se Pedro plantar alface e cenoura, não sendo especialista em nada, na prática ele produziria menos alimento e teria menos resultado do que se fosse especialista em plantar o alface. Nessa hipótese, quando Pedro quisesse adquirir cenouras, ele as compraria no mercado.

É por isso que o comércio é um ato que gera valor.

A teoria de valor fixo e objetivo de Marx acaba implicando que se houver um indivíduo mais rico, é porque existe um outro mais pobre, como se a economia fosse um jogo de soma zero. Da mesma forma, alguém seria pobre porque não conseguiria trocar com outras pessoas para criar riqueza.

O comércio cria riqueza ao permitir que Pedro faça o que é bom, enquanto Paulo faz o que é melhor. Ao final desse processo, eles podem comercializar em busca do que querem.

A evolução do capitalismo

A partir da Revolução Gloriosa, pavimentou-se o caminho da Revolução Industrial, onde houve o desenvolvimento de forma mais acentuada do capitalismo. Nele, indivíduos passaram a poder se especializar em determinadas atividades, na chamada divisão do trabalho.

Foi esse conjunto de fatores que permitiu queda nas taxas de pobreza, fome e desnutrição a níveis jamais vistos na história da civilização humana, inclusive popularizando bens antes vistos como de luxo.

Considerações finais

Há um grande erro na teoria do valor do trabalho de Karl Marx.

A quantidade de riqueza não é fixa: ela aumenta quando há mais comércio, e é assim que se gera riqueza. Isso vale também para países, pois também é um mito de que a importação nos empobrece.

Dessa forma, para alguém acumular riqueza e ter muito dinheiro precisa oferecer algum serviço ou bem que outras pessoas enxergam muito valor.

Se não houver coerção ou obrigatoriedade para a realização desta transação, isto é, se a troca for espontânea.

Portanto, se alguém acumular muito capital é porque ajudou muita gente ao oferecer soluções no mercado. Bill Gates é muito rico porque popularizou o computador, visto como algo muito útil e que agrega na vida das pessoas.

Essa acumulação de capital não é um problema porque só indica que muito valor foi gerado.

A solução para a pobreza não é restringir e coagir as transações livres entre indivíduos, mas possibilitar a realização de mais trocas, mais comércio e mais liberdade econômica.

Sugestão de vídeo

Assista este vídeo e se inscreva no canal do YouTube do Ideias Radicais.

, , , , , , , , , ,

Raphaël Lima

Por:

Fundador e CEO do Ideias Radicais.

Relacionados

BitPreço
Settee