O discurso de Friedrich Hayek ao vencer o Nobel

Friedrich Hayek é conhecido por ser um dos grandes pensadores da liberdade individual, além de ser considerado por muitos como o maior filósofo político do século XX. Contudo, na primeira metade de sua carreira, o discípulo de Ludwig von Mises envolveu-se nos grandes temas e debates econômicos na época, até a ascensão de regimes totalitários e da Segunda Guerra Mundial, quando este voltou-se para outras temáticas que colocavam a liberdade em risco.

Contudo, em 1974 o autor foi agraciado com o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas pela contribuição pioneira para a teoria da moeda e flutuações econômicas, além da análise profunda da interdependência entre os fenômenos sociais, econômicos e as instituições.

No Banquete de Gala do Nobel, Hayek proferiu o seguinte discurso:

O discurso de Hayek no Banquete de Gala do Nobel

“Agora que foi criado o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, somente se pode ser profundamente grato por ter sido selecionado como um dos seus co-agraciados, e os economistas, com certeza, têm todos os motivos para serem gratos ao Banco da Suécia por considerar esse tema como digno desta grande honra.

Ainda assim, devo confessar que, se tivesse sido consultado sobre a determinação de um Prêmio Nobel de Economia, teria me oposto categoricamente.

Uma das razões seria o temor de que tal prêmio, como acredito ser verdadeiro para as atividades de algumas das grandes fundações científicas, tenderia a acentuar as oscilações do modismo científico.

A Comissão de Seleção refutou esta apreensão de forma brilhante ao outorgar o prêmio a uma pessoa como eu, cujas opiniões são tão fora de moda. Não posso demonstrar a mesma tranquilidade quanto à minha segunda causa de apreensão.

É que o Prêmio Nobel confere a um indivíduo uma autoridade que, em Economia, nenhum homem poderia concentrar.

Tal fato não é relevante em Ciências Naturais. Nesse campo, a influência exercida por um indivíduo é, sobretudo uma influência sobre seus pares especialistas; e esses logo o redimensionam se ele for além de sua competência.

Mas a influência do economista que importa mais que tudo é o alcance sobre os leigos: políticos, jornalistas, funcionários públicos, e público em geral.

Não há razão alguma pela qual um homem que tenha feito uma contribuição marcante para a ciência econômica deva ser onicompetente em relação a todos os problemas da sociedade – como a imprensa tende a tratá-lo, até que no final, ele próprio possa vir a ser convencido a assim crer.

Convence-se um indivíduo até mesmo a sentir como dever público pronunciar-se sobre problemas aos quais pode não ter dedicado atenção especial.

Não tenho certeza de que é desejável fortalecer a influência de alguns economistas por intermédio dessa cerimônia tradicional, alvo de olhares, reconhecimento de realizações, já, talvez, de passado distante.

Por isso, estou quase inclinado a sugerir que vós exijais dos laureados um juramento de humildade, uma espécie de juramento de Hipócrates, segundo o qual o premiado, em pronunciamentos públicos, nunca vá além dos limites de sua competência.

Ou, pelo menos, ao conferir o prêmio, vós deveríeis lembrar ao agraciado o sábio conselho de um dos grandes homens de nossa área, Alfred Marshall (1842-1924), que escreveu:

“Os estudantes de ciências sociais devem temer a aprovação popular: o Mal os acompanha quando todos os homens os elogiam”.

Este fragmento foi retirado da tradução originalmente publicada pela Revista Mises.

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Ideias Radicais

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