O capitalismo não é o vilão

A economia de livre mercado deixou você com um padrão de vida superior ao de qualquer nobre que viveu nos séculos passados. De início, pode ser difícil acreditar que atualmente o padrão de vida das massas é superior ao que os nobres desfrutavam no passado, no entanto, uma observação mais atenta aos bens e costumes que fazem parte do dia a dia do homem moderno basta para perceber a profunda diferença entre a qualidade de vida usufruída por um magnata no início do século XX e um cidadão de classe média atual.

De fato, não é o caso de vida perfeita, sem nenhum tipo de problema ou incômodo. O paraíso na Terra não existe e é impossível de haver. É o que Israek Kizner chama de Falácia do Nirvana, em que se mira uma utopia para comparar os problemas do mundo real. Contudo, vale ressaltar que todas as tentativas de criar esse paraíso prometido resultaram em um verdadeiro inferno, os experimentos socialistas. E, graças à prevalência da liberdade econômica, especialmente após a Idade Média, observou-se a abundância, com um crescimento populacional e a elevação do padrão de vida inimagináveis aos homens primitivos.

Para perceber isso, basta o seguinte exercício: você trocaria sua vida atual (2022) por viver em 1905, mas com 1 bilhão de dólares na conta bancária? Acha que seu padrão de vida seria superior?

Certamente, com tamanha quantia, vários imóveis e até mesmo ilhas particulares poderiam ser compradas. No entanto, para se deslocar de um imóvel a outro, levariam dias, isso se o trem utilizado fosse de sua propriedade. Claro que você poderia ter um automóvel, o que lhe custaria pelo menos 10 mil dólares (U$ 286 mil no valor de hoje ou R$ 1,4 milhão), mas o veículo não teria itens que são comuns a carros que hoje podem ser comprados por R$ 50 mil, como air bags, cinto de segurança, direção hidráulica, ABS, sensor de estacionamento, etc. Uma viagem à Europa levaria semanas.

Hoje você vive melhor que os mais ricos do passado

Nenhum dos seus imóveis teria ar condicionado para aliviar o calor nos dias de verão e esquentar o recinto nas gélidas noites de inverno. Não seria possível ouvir rádio, assistir televisão e muito menos ver filmes na Netflix. O melhor a se fazer seria assistir a um filme em preto e branco, além de mudo, é claro.

Os computadores somente surgiram na década de 60 e custavam mais de 1 milhão de dólares, apesar de serem muito inferiores aos que existem hoje e que podem ser comprados por 1 mil reais. A comunicação também não seria fácil. A melhor forma disponível era o telefone fixo. Caso tivesse paciência para esperar dias pela resposta, o envio de cartas também seria uma opção. Nada de WhatsApp ou Telegram. Os primeiros celulares foram lançados em 1983, custavam 4 mil dólares (U$11,5 mil hoje ou R$60 mil), eram grandes, pesados, a bateria durava apenas uma hora e a única funcionalidade disponível era fazer e receber ligações.

Essas facilidades não foram as únicas evoluções que ocorreram de lá para cá. A medicina também evoluiu muito, fazendo com que a expectativa de vida tenha aumentado 36 anos nos últimos 100 anos. Se a criança sobrevivesse ao parto, o que não era tão comum como é hoje, poderia ser acometida por doenças como paralisia infantil, tuberculose, difteria, pneumonia, rubéola, sarampo, hepatite, até então incuráveis ou sem imunizante. O cuidado com os dentes também seria difícil, já que a escova de dentes como conhecemos foi inventada somente em 1938. É claro que sua fortuna poderia fornecer-lhe as melhores dentaduras disponíveis. Problemas de visão eram solucionados apenas com o uso de óculos. Se você tivesse catarata ou glaucoma teria de se acostumar a viver com isso, pois não havia cirurgia.

Considerações finais

Sim, hoje, você possui um padrão de vida mais elevado do que se fosse um bilionário no início do século XX. Como Ludwig von Mises aborda no primeiro capitulo da obra As Seis Lições, a despeito da explosão populacional, que passou de 1,6 bilhão em 1905 para 8 bilhões atualmente, todo o padrão de vida foi elevado, paradoxalmente deixou os todos (especialmente os mais pobres) mais ricos do que nunca. Tais invenções e inovações foram feitas pela motivação do lucro, da busca pela riqueza pessoal, e ajudaram milhões de pessoas, mesmo não sendo necessariamente o objetivo final dos seus criadores.

O arranjo por trás de tal façanha é o capitalismo, um sistema econômico de produção em massa para atender às necessidades das massas. É fazer o máximo possível, pelo menor custo e da maneira mais satisfatória aos consumidores. Graças aos seus incentivos, é o único capaz de transformar a escassez em abundância, o caro em barato, tornar o luxo acessível, enquanto o sistema de estatização torna o necessário em luxo. O caminho do capitalismo, da livre iniciativa, da propriedade privada e do respeito aos pactos voluntários é a única via capaz de levar à prosperidade, ao aumento da riqueza e à elevação do padrão de vida.

Isadora Piana é bacharel em direito e coordenadora regional do Movimento Santa Catarina Livre.

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Desde 2015 o Ideias Radicais busca difundir o libertarianismo e ajudar a construir uma sociedade livre.

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