O Brasil seria mais rico se a economia produzisse iPhones e não soja e café?

Há muitas teorias que tentam explicar por que o Brasil é improdutivo. Uma das mais comuns diz que “o Brasil é pouco produtivo porque produz coisas de baixo valor agregado”. Ou seja, segundo essa narrativa, o Brasil é pouco produtivo porque produz soja e café e não iPhones e outros produtos tecnológicos. Mas essa teoria não se sustenta quando olhamos os dados.

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Estudo da Fundação Getúlio Vargas fez comparações contrafactuais interessantes entre o Brasil e o resto do mundo. Os autores fazem o seguinte exercício: qual seria a produtividade do Brasil, se mantivéssemos nossa produtividade setorial, mas deslocássemos mão de obra para outros setores, adotando a composição setorial de outros países do mundo? Em outras palavras: quão produtivos seríamos se movêssemos trabalhadores para os setores onde estão os americanos, ingleses e alemães, mas continuássemos tão produtivos quanto hoje?

E se o Brasil produzisse iPhones?

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O que eles encontram é que se o Brasil tivesse a mesma estrutura produtiva que os EUA, teria uma produtividade cerca de 68% maior. O ganho em comparação com a França seria de 54%, 62% comparado com a Coréia do Sul e 51%, na comparação com o Japão.

E se o Brasil fosse mais produtivo?

Mas os autores vão além: qual seria a produtividade média do trabalhador brasileiro caso ele fosse tão produtivo quanto o americano, nos diversos setores da economia, mas continuasse empregado onde já está? Dito de outra forma: e se nós continuássemos produzindo soja e café, mas fossemos tão eficientes quanto japoneses, suecos e franceses?

O que os autores encontram é que, nessa segunda comparação, os ganhos de produtividade seriam da ordem de 430% se fossemos tão produtivos quanto os americanos; 258%, na comparação com o Reino Unido; e 238%, quando comparados à Finlândia.

Confira nos gráficos abaixo:

Considerações finais

O Brasil não é mais pobres porque se especializou em setores menos produtivos. É mais pobre porque os trabalhadores brasileiros são pouco eficientes na maioria das atividades que exercem. Com a mesma quantidade de insumos que americanos, japoneses ou alemães, os brasileiros produzem menos. Dessa forma, o Brasil é pobre porque a produtividade é baixa.

Gabriel Nemer é economista

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