Não faz sentido aumentar fundo eleitoral

//Não faz sentido aumentar fundo eleitoral

Não faz sentido aumentar fundo eleitoral

Por Luan Sperandio*

Em meio a uma crise fiscal, parlamentares querem aumentar a verba de dinheiro público para financiamento de campanha.

O governo brasileiro, que é incapaz de gastar menos do que arrecada, pode passar a gastar R$ 2 bilhões a mais para campanhas eleitorais.

É mais dinheiro para que candidatos a vereador e candidatos a prefeito possam fazer mais santinhos, mais jingles cafonas e colocar mais gente balançando bandeiras debaixo de sol quente nas eleições de 2020.

O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia acredita que não é um exagero tanto dinheiro ser destinado para as campanhas. Essa é a mentalidade da maior parte da classe política nacional, beneficiada por esse sistema perverso.

Eles nunca estão satisfeitos. Veja: quando o Fundo Partidário foi criado, em 1995, ele custava o total de R$ 181,7 milhões. Em 2 décadas e meia, o valor aumentou em 2.500%. O governo é tragicamente uma indústria em crescimento.

E a tendência é o fundo continuar aumentando em virtude de seus incentivos políticos: já que aumentá-lo beneficia o status quo, e quem decide e vota é, justamente, quem compõe o status quo, façamos a festa e mandamos a conta para os brasileiros. Os caciques partidários dos grandes partidos receberão muito mais dinheiro, e são eles quem decidem para onde vai o dinheiro. Logo, eles beneficiarão quem os ajudou a aumentar a verba.

Tanto dinheiro é terreno fértil para fraudes, já que não há transparência e nem prestação de contas adequada em como todo esse dinheiro é utilizado. Há dezenas de suspeitas de candidatos utilizados como laranjas nas eleições de 2018, por exemplo.

Com as redes sociais, as campanhas ficaram muito mais baratas. A própria eleição de Jair Bolsonaro, que usou dezenas de vezes menos dinheiro do que seus adversários, e de políticos eleitos que não utilizaram dinheiro público, como Kim Kataguiri (DEM-SP), Arthur do Val (DEM-SP) e os eleitos pelo Partido Novo, mostram que o dinheiro tem menor relevância na campanha atualmente. Mesmo assim, querem dobrar o dinheiro destinado a isso no orçamento.

Há ainda a questão da arbitrariedade que é limitar doações para campanhas. Por exemplo, para quem é isento de declarar Imposto de Renda, o limite para doação em candidatos é de R$ 2,8 mil.

Como diz Ron Paul, “como é que pode o direito de apoiar um candidato ser arbitrariamente limitado a um certo montante de dólares? E por que esse valor e não outro?” É arbitrário.

Campanhas políticas são caras porque o premium oferecido ao mais bem votado é muito alto: no caso da eleição presidencial, ter em mãos mais de um terço de tudo que é produzido no país.

Se políticos tivessem menor poder para cuidar da sua vida — em todos os aspectos, pessoal e econômico —, o incentivo para despender tantos milhões de reais em uma campanha seria menor.

Por fim: o governo brasileiro não têm dinheiro, as redes sociais baratearam as eleições, financiar campanha política não é uma prioridade e é imoral pegar dinheiro do seu bolso para pagar a campanha de políticos cujas ideias você discorda, repudia e abomina.

Não, não faz sentido em aumentar o fundo eleitoral.

*Luan Sperandio é Diretor de Conteúdo do Ideias Radicais

Campanha

O Ideias Radicais lançou uma Ideia Legislativa no Senado Federal contra o aumento desse fundo. Chegando aos 20.000 apoios, os senadores serão obrigados a discutir a proposta. A chance é pequena, mas é uma forma de mobilização que chama atenção para essa ideia.

Para apoiar, basta entrar nesse link, clicar no botão verde escrito “apoiar” e logar no site para confirmar o apoio. Ajude a divulgá-lo: http://bit.ly/NaoBancoSuaCampanha

Se organizar direitinho, todo mundo fica livre e sem financiar campanha política.

Raphaël Lima

Por | 2019-08-27T18:49:47-03:00 27/08/2019|Política|Comentários desativados em Não faz sentido aumentar fundo eleitoral