8 mulheres que defenderam a liberdade

O Dia Internacional da Mulher sempre gera acalentadas reflexões, inclusive, quanto à igualdade de direitos. Para alguns, é um momento de presentear amigas, conhecidas e companheiras; para outros, é o dia de comemorar os avanços políticos e sociais alcançados pelas mulheres no Ocidente.

De toda sorte, é importante que liberais e libertários conheçam e homenageiem — não apenas hoje — grandes mulheres que defenderam a liberdade.

Aproveitando compartilhamos suas histórias para que não sejam esquecidas.

Vamos conhecer algumas delas:

1. Mary Wollstonecraft

“A liberdade é a mãe da virtude; se as mulheres forem naturalmente escravas, e não puderem respirar o revigorante ar da liberdade, então elas deverão ser eternamente desprezadas como seres exóticos, como belas falhas da natureza.”

direitos da mulher

Mary foi, acima de tudo, uma grande individualista. Ela nasceu em 1759 na cidade de Londres e escreveu livros sobre educação, liberdade e feminismo. Em suas obras, Mary defendia que homens e mulheres deveriam receber o mesmo tipo de educação, contrapondo-se ao pensamento coletivista de Jean Jacques Rousseau.

Isso porque, na mesma época, o famoso filósofo genebrino sustentou explicitamente que a educação feminina deveria ter como único propósito “ensinar a servir ao marido”.

Além disso, como amiga do liberal Thomas Paine, Mary acompanhou a Revolução Francesa de perto, ao lado dos Girondinos. No entanto, quando o autoritarismo Jacobino prevaleceu e a defesa por um tratamento igualitário entre os sexos foi esquecida pelos revolucionários, Mary abandonou o movimento.

Após essa experiência, ela escreveu sua mais importante obra: Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher. Nesta obra, Mary argumentou que as mulheres são plenamente capazes de viver e empreender sem a intervenção masculina ou estatal, pleiteando em consequência o direito ao voto.

Talvez, o trabalho mais importante dela tenha sido ensinar o valor da persistência. Durante toda sua vida, foi criticada, hostilizada e odiada por defender que uma sociedade na qual somente os homens têm liberdade não é uma sociedade plenamente livre.

2. Olympe de Gouges

Nascida em 7 de Maio de 1748 e tendo vivido na mesma época que Mary Wollstonecraft, Olympe — cujo verdadeiro nome era Marie Gouze — foi uma liberal abolicionista. Ela escreveu peças, artigos e ensaios críticos ao autoritarismo e defendendo a individualidade da mulher.

Quando foi deflagrada a Revolução Francesa, Olympe prontamente a abraçou. Porém, com a vitória Jacobina, as condenações à guilhotina e a negligência para com a causa das mulheres, deixou de apoiar o movimento.

Em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão, que negava às mulheres direitos políticos e igualdade de tratamento, Olympe escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e Cidadã. E, por causa disso, foi executada.

Assim, a história de Olympe de Gouges inspira coragem. Ela viveu e morreu em nome da liberdade e dos direitos individuais das mulheres.

3. Voltairine de Cleyre

“Eu sou uma individualista. (…) Eu faço a minha guerra contra o privilégio e a autoridade, mediante ao direito de propriedade, o direito real que é próprio do indivíduo. (…) Eu mantenho que a concorrência de uma forma ou outra sempre vai existir, e que é altamente desejável que exista.”

Voltairine de Cleyre foi uma grande anarquista norte-americana que, apesar de ter mudado de pensamento ao longo dos anos, definiu-se durante a maior parte de sua vida como individualista e libertária.

Inspirada por Thomas Paine, Mary Wollstonecraft e Henry David Thoreau, ela escreveu diversos artigos sobre liberdade, autoridade, opressão estatal e direito à propriedade. Além disso, Voltairine também foi conhecida por sua excelente oratória, sendo considerada por muitos a mais talentosa escritora do meio anarquista nos Estados Unidos.

Voltairine nasceu em uma família abolicionista, sendo vítima não somente da negação dos direitos da mulher, mas também da coerção estatal. Um exemplo disso é o fato de que seu próprio filho ter lhe sido retirado porque ela não quis se casar com o tutor da criança.

Em suma, Voltairine de Cleyre dedicou seus 45 anos de vida em prol da liberdade do indivíduo. Não à toa, encanta libertários e anarquistas das mais variadas vertentes até hoje.

4. Harriet Taylor Mill

Harriet foi uma filósofa e ativista pelos direitos da mulher. Depois que seu primeiro marido faleceu, ela se casou novamente com John Stuart Mill.

Harriet colaborou ativamente, inclusive, com os escritos de Mill sobre igualdade de gênero e outros ensaios. Contudo, não teve nenhum livro publicado em seu nome, pois o esposo à época a obrigava a ocultá-lo.

A Sujeição das Mulheres, obra comumente creditada apenas ao marido, contou com sua participação, assim como com a da filha do casal, responsável por finalizar a obra quando a mãe faleceu.

Como integrante da Sociedade Kesington, Harriet foi a primeira mulher a redigir uma petição exigindo o sufrágio feminino. Além disso, escreveu curtos artigos e poemas sobre tolerância, liberdade econômica e opressão de gênero, que podem ser encontrados no livro The Complete Works of Harriet Taylor Mill.

Por fim, é possível encontrar menções e agradecimentos à Harriet em diversas obras de Stuart Mill.

5. Nísia Floresta

Nísia Floresta foi o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto: uma grande educadora, abolicionista e individualista brasileira. Não à toa, ela é considerada por muitos a precursora do feminismo e da luta pelos direitos da mulher na América Latina.

Nascida no Rio Grande do Norte em 1810, Nísia defendeu, principalmente, uma educação igualitária entre os sexos. Além disso, também realizou uma tradução livre da obra Reivindicação dos Direitos das Mulheres de Mary Wollstonecraft. Em sua adaptação, Nísia adicionou suas próprias conclusões e a intitulou “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”.

Como pioneira na defesa por igualdade de direitos entre homens e mulheres, ela sempre apresentou um enfoque individualista sobre o tema. E, tamanho foi o seu legado que podemos até questionar se trata-se de mera coincidência o fato de a primeira prefeita da América Latina ter sido eleita no estado em que Nísia nasceu.

6. Rose Wilder Lane

Considerada uma das mães do libertarianismo moderno, Rose Wilder Lane foi ensaísta, filósofa e escritora freelancer, dedicando sua vida a defender os direitos naturais contra a tirania e a liberdade individual.

Conceituou-se como jornalista em uma época em que os direitos das mulheres ainda eram negligenciados, passando por diversas dificuldades para calcar sua carreira.

Escreveu The Discovery of Freedom: Man’s Struggle Against Authority, obra que exalta o poder do indivíduo de produzir e empreender em detrimento à coerção estatal.

Posteriormente, tornou-se correspondente de guerra, indo até mesmo ao Vietnã. Assim, seu legado para o movimento libertário no mundo inteiro é incontestável, de forma que lê-la e conhecê-la é crucial para um bom entendimento desse espectro ideológico.

7. Suzanne La Follette

“A tendência do estado de bem-estar social moderno é fazer um completo sacrifício dos direitos individuais não aos direitos, mas aos interesses hipotéticos de outros; e para cada indivíduo que por ventura se beneficie pelo sacrifício, há outro que sofre em prol dele.”

Nascida em 24 de junho de 1893, Suzanne La Follette foi uma escritora, jornalista e libertária que defendeu ativamente o fim da opressão estatal nos âmbitos econômicos e individuais.

Além de ter publicado diversos artigos pela revista The Freeman, La Follette foi altamente engajada na League For Equal Oportunity. Esta organização feminista visava erradicar o sexismo por vias individuais, opondo-se à intervenção estatal para resolver as problemáticas de gênero.

Embora tenha sido muito ativa no movimento libertário durante a primeira metade do século XX, seu legado é pouco conhecido.

8. Joan Kennedy Taylor

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Figura central para o entendimento da história do libertarianismo norte-americano, Joan foi ativista política, jornalista e editora.

Amiga íntima de Ayn Rand, ajudou a fundar o Libertarian Party em 1970 e publicou artigos sobre feminismo nas revistas Libertarian Review, Reason e The Freeman. Além disso, Joan tornou-se comentarista semanal do programa de rádio Byline, realizado em parceria com o Cato Institute.

Ao final de sua vida, concentrou seu ativismo em torno do feminismo, tendo trabalhado na Associação das Feministas Libertárias (ALF) e na Feminists For Free Expression.

Joan contribuiu para a expansão do movimento libertário nos Estados Unidos, servindo até hoje de inspiração para inúmeras lideranças, como a escritora Sharon Presley.

Em 2005, ela faleceu devido às complicações de um câncer de bexiga. Mas, mesmo no fim de sua vida, Joan Kennedy reafirmou a importante mensagem de que a liberdade somente plena quando há tratamento igual para os indivíduos.

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Por:

Graduanda em Relações Internacionais da FGV e Diretora Executiva do Ladies of Liberty Brasil

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