Quem foi Milton Friedman: principal nome da Escola de Chicago

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Quem foi Milton Friedman: principal nome da Escola de Chicago

Milton Friedman (1912-2006) foi um economista americano, que tornou-se o principal representante da Escola de Chicago durante a última metade do século XX. Em 1976, recebeu o Prêmio Nobel por suas significativas contribuições em vários ramos da teoria econômica.

Ele escrevia e falava sobre questões relacionadas a políticas públicas por uma perspectiva de livre mercado. Logo, a combinação de sua perspicácia técnica e com a defesa de boas políticas fez dele um dos economistas mais influentes de sua geração.

Vida de Milton Friedman

Friedman nasceu na cidade de Nova York, filho de imigrantes da Europa central que se mudaram para Nova Jersey quando era ainda criança. Pouco antes de completar 16 anos, ele se formou no colegial e seguiu seus estudos na Universidade de Rutgers.

Depois de se formar na Rutgers em 1932, Friedman fez estudos de pós-graduação em economia na Universidade de Chicago, onde conheceu uma colega de classe, Rose Director, que se tornaria sua esposa e coautora. Em 1998, eles publicaram suas memórias compiladas na obra Two Lucky People.

Já em 1933, Friedman recebeu seu mestrado em Chicago e depois aceitou uma bolsa de estudos da Universidade de Columbia, na qual, ele também ocupou um cargo no Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (NBER).

Lá ele trabalhou em estreita colaboração com um futuro ganhador do Nobel Simon Kuznets. Juntos, eles desenvolveram um estudo intitulado Rendimentos da prática profissional independente, sobre o qual, Friedman afirmou:

Esse livro foi concluído em 1940, mas sua publicação foi adiada para depois da guerra, devido à controvérsia entre alguns diretores do Departamento sobre nossa conclusão de que os poderes de monopólio da profissão médica aumentaram substancialmente a renda dos médicos em relação à dos dentistas.

Esse livro também serviu como sua dissertação de doutorado, que foi aprovada pela faculdade de Columbia em 1946. Durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, Friedman ocupou vários cargos no governo em Washington, DC.

Além disso, ele também ensinou brevemente nas Universidades de Wisconsin e de Minnesota, antes de retornar à Chicago em 1946, onde passaria os próximos 30 anos, aposentando-se em 1977.

Por fim, o economista se mudou com a esposa para a Califórnia, onde aceitou um cargo na Hoover Institution da Stanford University – função que exerceu até a sua morte.

Ideias e obras de Milton Friedman

As contribuições de Friedman para a economia foram enormes e de grande alcance. Em 1953, ele publicou seus Ensaios sobre Economia Positiva. O ensaio introdutório estabeleceu sua posição metodológica fundamental:

A pergunta relevante a ser feita sobre as “suposições” de uma teoria não é se elas são descritivamente “realistas”, pois nunca são, mas se são aproximações suficientemente boas para o objetivo em questão. E essa pergunta pode ser respondida apenas vendo se a teoria funciona, o que significa se produz previsões suficientemente precisas.

Em uma entrevista de 1996, ele elaborou:

A validade de uma teoria depende se suas implicações são refutadas, não da realidade ou irrealidade de suas suposições.

A posição metodológica de Friedman foi adotada pela maioria de seus colegas em Chicago. Inclusive, foi ele quem lançou as bases para importantes trabalhos empíricos e modelagem matemática que ajudaram economistas a entender melhor o mundo.

Mas isso também colocou a Escola de Chicago diretamente em oposição à Escola Austríaca, cujos defensores até compartilhavam de muitas posições pró-mercado de Friedman. Porém, os austríacos argumentavam que os economistas devem basear seus trabalhos em um conjunto de suposições que podem ser logicamente corretas.

Além disso, os adeptos da Escola Austríaca argumentaram que, o trabalho empírico era de valor limitado, porque os cientistas sociais não podem modelar o comportamento humano da mesma maneira que os cientistas físicos modelam seus objetos de estudo.

Assim, pode-se dizer, por exemplo, que um controle de preços levará a uma escassez, mas a magnitude dessa escassez será difícil, se não impossível, de prever.

Hipótese da renda permanente

Friedman considerou A Theory of the Consumo Function, obra publicada em 1957, como sua “melhor contribuição puramente científica” para a economia.

Nesta, ele defende a “hipótese de renda permanente”, sustentando que as pessoas tomam decisões de consumo com base no componente permanente de seu fluxo de renda e não em componentes transitórios.

Em resumo, as pessoas são prospectivas e agem com base nas perspectivas de renda a longo prazo. Logo, essa hipótese tem várias implicações.

A primeira refere-se à tendência das pessoas em suavizar seu consumo ao longo da vida. Por exemplo, jovens com alto poder aquisitivo no futuro podem acumular dívidas racionalmente no início da vida, sabendo que poderão pagá-las à medida que sua renda aumentar.

Já a segunda implica que os cortes de impostos podem não estimular o consumo se o público acreditar que estes são apenas temporários. A hipótese de renda permanente tornou-se um dos pilares da macroeconomia moderna.

Embora Milton Friedman considerasse A Teoria da Função de Consumo a sua contribuição mais significativa, seu trabalho na área da teoria monetária foi certamente o mais influente.

Friedman argumentou que a inflação era “sempre e em toda parte um fenômeno monetário”. Ou seja, não é causada fundamentalmente por sindicatos que exigem salários mais altos para seus membros, aumentando assim os custos de mão-de-obra e os preços dos bens.

Tampouco é um produto de empresas que detêm poder de mercado expansivo e cobram preços monopolistas. Ao invés disso, é causado por muito dinheiro perseguindo poucos bens.

Portanto, Friedman concluiu que os bancos centrais deveriam concentrar-se estreitamente na manutenção da estabilidade de preços e adotar regras que garantissem esse resultado.

Críticas a políticas macroeconômicas

Em seu discurso presidencial de 1967 à Associação Econômica Americana, Milton Friedman questionou a validade teórica e empírica da “curva de Phillips” – uma relação estatística que supostamente demonstrava uma troca permanente entre desemprego e inflação.

Essa troca implicava um conjunto de escolhas para a sociedade. Afinal, se quiser um índice de emprego maior, basta aumentar a oferta de dinheiro. Isso, por sua vez, produziria inflação mais alta, o que pode ser aceitável em certos momentos.

Por outro lado, se a inflação se tornasse muito alta, seria permitido simplesmente restringir a oferta de moeda e aceitar o aumento do desemprego. Não surpreendentemente, essas ideias eram populares no meio político.

Friedman contestou essas conclusões, argumentando que a troca entre desemprego e inflação era temporária e resultava apenas de mudanças imprevistas na inflação.

Além disso, para ele, era improvável que o público fosse enganado sistematicamente, visto que, os políticos não conseguiriam manipular facilmente a economia. Depois, ele lembrou:

À medida que empregadores e trabalhadores entendessem o que estava acontecendo, qualquer trade-off desapareceria. Introduzi o conceito de uma “taxa natural de desemprego”, para a qual o nível de desemprego tenderia a qualquer taxa de inflação, uma vez que os agentes econômicos esperassem essa taxa de inflação. Manter o desemprego abaixo do nível natural requer não apenas inflação, mas aceleração da inflação.

Mais tarde, o argumento de Friedman foi refinado e ampliado pelos economistas Edward Prescott (1940-) e Finn Kydland (1943-), sendo cada vez mais aceito à medida que a estagflação dominou a economia americana na década de 1970.

Capitalismo e Liberdade

Enquanto Milton Friedman estava envolvido em pesquisas técnicas econômicas nos níveis mais altos, ele também se interessava ativamente por questões de políticas públicas. Em 1962, ele publicou Capitalismo e Liberdade, o produto de uma série de palestras que ele deu no Wabash College em 1956.

Embora dirigido a uma audiência geral, o livro contém argumentos sofisticados e algumas vezes técnicos para uma série de propostas de livre mercado. No entanto, todas são apresentadas em prosa clara e acessível.

Por exemplo, Friedman pediu o estabelecimento de livre comércio unilateral e taxas de câmbio flexíveis, bem como, introduziu a ideia de vouchers escolares e ainda defendeu a privatização da seguridade social.

Além disso, como sugere o título do livro, Friedman argumentou que a liberdade econômica é um pré-requisito necessário para a liberdade política. Essa proposição é, inclusive, criticada por muitos cientistas políticos.

Em Capitalismo e Liberdade, Friedman deixou claro que acreditava ser necessário algum envolvimento do estado para que uma sociedade estável e próspera funcionasse. “O liberal consistente não é um anarquista”, escreveu ele.

No entanto, mais tarde ele rejeitou ou qualificou enormemente seu apoio a certas ações do governo que defendia no livro, como leis antitruste para combater monopólios.

Segundo Friedman, o trabalho empírico de seus colegas da Universidade de Chicago demonstrou que as leis antitruste eram mais contraproducentes do que benéficas.

Em suma, sua defesa política foi baseada em uma crença permanente na liberdade humana, bem como nas descobertas da ciência econômica moderna.

Livre para Escolher

Talvez, mais do que qualquer outro empreendimento, a série de televisão que virou livro seja a responsável por levar as ideias de Milton Friedman e sua esposa a um público mais amplo.

Em seu prefácio, os autores comparam o Livre para Escolher ao Capitalismo e Liberdade, afirmando:

É menos abstrato e mais concreto. Os leitores do Capitalismo e Liberdade encontrarão aqui um desenvolvimento mais completo da filosofia que permeia os dois livros.

Além disso, eles escreveram que grande parte da análise do Livre para Escolher é baseada no trabalho realizado por economistas de escolha pública. Nas décadas de 1960 e 1970, estes foram os responsáveis por modelar o sistema político como o sistema econômico ou um mercado com atores interessados.

Essa obra se tornou um best-seller, vendendo mais de 400.000 cópias em seu primeiro ano. No entanto, ainda mais importante tenha sido a série da rede de televisão PBS, que acompanhou sua publicação.

Cada episódio tratava de um capítulo do livro, seguido de debates em que Friedman assumiu seus críticos. O show foi um enorme sucesso e trouxe o liberalismo às salas de estar de milhares de pessoas que não estavam familiarizadas com essas ideias.

Influência fora da academia

Milton Friedman atuou como consultor econômico para Barry Goldwater durante sua candidatura à presidência em 1964, bem como aos presidentes Nixon e Reagan. Embora fosse o seu trabalho, eles frequentemente não seguiam os conselhos do economista.

O exemplo mais grave foi a imposição de Nixon aos controles de salários e preços em 1971. Além disso, Friedman era um forte oponente do recrutamento, argumentando persuasivamente que um exército voluntário era mais justo e mais eficiente.

Ele também fez campanha ativa por limitações a impostos e a gastos no nível estadual. Inclusive, Friedman estava em Michigan falando a favor de tal proposta quando foi informado de que havia ganhado o Prêmio Nobel.

Em 1996, o economista estabeleceu a Milton e Rose D. Friedman Foundation for Educational Choice, afinal, ao longo de sua vida, havia despendido muita energia promovendo a ideia dos vouchers escolares.

“Milton Friedman era um gigante”, declarou Paul Samuelson, quando o economista morreu em 2006. “Nenhum economista do século XX teve sua importância em mudar a profissão econômica americana de 1940 para o presente”.

Escrito por Aaron Steelman.

Confira os episódios anteriores da Série Pensadores da Liberdade:
– Fréderic Bastiat
– Robert Nozick
Lysander Spooner
Thomas Jefferson
Thomas Sowell
Israel Kirzner

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Por | 2020-09-09T10:23:19-03:00 19/05/2020|Pensadores da liberdade|Comentários desativados em Quem foi Milton Friedman: principal nome da Escola de Chicago