“Microagressões” destroem liberdade de expressão

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“Microagressões” destroem liberdade de expressão

O século XXI está marcado por discursos sobre o que é “politicamente correto”. Esse conceito é definido por uma linha de pensamento baseada em princípios que, inviavelmente, destroem a liberdade de expressão.

No entanto, quem preza por esse direito, como fizeram os fundadores dos Estados Unidos, entende que este não se trata de defender o discurso com o qual você concorda, mas muito antes pelo contrário.

Limites que destroem a liberdade de expressão

Segundo John Robinson, integrante do Departamento de Diversidade do governo federal norte-americano, as microagressões são: “negligências ou insultos verbais, não verbais e ambientais do cotidiano – intencionais ou não – que comunicam mensagens hostis para atingir as pessoas”.

Em outras palavras, qualquer coisa que você ouvir pode ser considerada uma microagressão se você optar por ser ofendido.

Historicamente, normas vagas, subjetivas e infinitamente elásticas são o pão com manteiga de todos os regimes totalitários. Certa vez, Lavrentiy Beria, quando chefe da NKVD – anterior à KGB –, disse a Stalin: “Você nomeia a pessoa e eu descobrirei o crime”.

Isto é, o “crime” da microagressão já foi usado para reprimir e processar o discurso de quem tinha opiniões contrárias àqueles que estavam no poder à época.

Vale ainda propor um exemplo: o que você acha mais ofensivo, uma pessoa defendendo o socialismo ou um indivíduo contando piadas sobre pessoas de um olho só?

Afinal, o socialismo é uma ideologia que serviu de alicerce para vários governos matarem mais de 100 milhões de seus próprios cidadãos no século passado. Bem como, é fundamentada na coerção e não na liberdade, exigindo a servidão involuntária.

Pelo fato de que vivi um tempo considerável em países socialistas e pude ver os destroços humanos que o socialismo causou, fico ofendido pela ignorância ou venalidade daqueles que defendem esse regime.

Por outro lado, apesar de ter perdido um olho há algumas décadas e, por esse motivo, ter ouvido centenas de piadas a respeito, nunca me ofendi. Na verdade, escolhi apreciá-las.

Em suma, o discurso ofensivo é totalmente subjetivo e torná-lo um crime é incompatível com uma sociedade livre: a liberdade de expressão é a mãe de todas as liberdades.

Liberdade de expressão permite repudiar ideias ruins

Grande parte da importância do debate público se concentra na busca pela produção de bons argumentos contra ideias erradas. Afinal, ninguém deve ter o direito de impor sua visão de mundo sobre os demais, mas de os convencer de seus ideais e valores.

Um ambiente em que a liberdade de expressão é devidamente respeitada concede oportunidades para repudiar ideias ruins. Por exemplo, em 2017, houve uma manifestação de apoio explícito ao nazismo na cidade norte-americana de Charlottesville.

A partir desse dia, todo o movimento foi colocado em debate, devido à atitude de algumas dezenas de nazistas, sendo majoritariamente rechaçado em todo o mundo.

Em suma, ideias ruins são combatidas por meio da manifestação de ideias boas. Portanto, é fundamental se afastar de conceitos que destroem a liberdade de expressão.

Discursos de ódio do passado

Inclusive, não faz tanto tempo que a abolição da escravatura já foi enquadrada como discurso de ódio por diversas autoridades. De forma similar, dizer que mulheres deveriam ter direito ao voto era proibido. Assim como, defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo poderia ser enquadrado como sodomia.

Não à toa, um dos motivos de importantes mudanças sociais terem demorado tanto tempo a ocorrer foi, justamente, a proibição de discursar contra o status quo.

Ou seja, a opinião da sociedade sobre o que é uma fala aceitável ou “politicamente correta” varia de acordo com o tempo. Esse processo é natural: a cultura muda e que bom que seja assim!

Para tanto, a liberdade de trocar opiniões, inclusive por meio da imprensa, é fundamental para a manutenção de uma sociedade livre e em constante evolução.

Assim, medidas que destroem a liberdade de expressão devem ser vistas como um ataque grave. Afinal, o que é considerado bom e virtuoso hoje, pode ser tido como reprovável e ruim amanhã. E, apenas a partir desse direito, as diferentes sociedades podem promover mudanças ao redor do mundo.

*Richard W. Rahn é membro sênior do Instituto Cato e presidente do Institute for Global Economic Growth

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Por | 2020-05-18T15:06:22-03:00 15/10/2019|Filosofia, Libertarianismo|Comentários desativados em “Microagressões” destroem liberdade de expressão