10 melhores livros de ficção sobre o indivíduo e liberdade

“É fácil amar a humanidade, difícil é amar o próximo”. Forte, não é? Alguns atribuem esta frase ao escritor brasileiro Nelson Rodrigues. Todavia, mesmo que Rodrigues nunca a tenha dito, o significado desse conjunto de palavras é especial para o que vamos conversar.

Atualmente, basta ligar a televisão para ver inúmeros jornalistas, formadores de opinião e supostos especialistas querendo explicar Deus e o mundo, mas, na maioria das vezes, nem para seus conflitos interiores eles são capazes de esclarecer. O que quero dizer? É exatamente isso, é necessário que, primeiro, nós nos conheçamos para, depois, buscarmos outras respostas (secundárias). 

E como podemos nos identificar? Lendo! A leitura nos faz imaginar situações “inimagináveis”.  

Além de livros introdutórios sobre o libertarianismo, além de uma categoria específica que temos sobre resenhas de obras, selecionamos 10 livros sobre liberdade, mas de ficção, para refletir sobre o indivíduo e a sociedade — uma forma de pensar quem é você nesse mar de gente que nos cerca.  

Nunca se esqueça do que o grego Sócrates disse: “conheça a ti mesmo e conhecerá o universo e os deuses”.  

Boa leitura! 

1. Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley (1932) 

Os 10 melhores livros de ficção para refletir a o indivíduo e a sociedade

Um clássico moderno, o romance hipotético de Aldous Huxley é indispensável para quem busca leituras sobre autoritarismo, manipulação genética e ficção especulativa. É um dos melhores livros sobre liberdade.

Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) foi publicado em 1932 e narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. Os cidadãos desse “futuro” criado por Huxley não possuem a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. Qualquer dúvida e insegurança social era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada “soma”. As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe. 

Em uma sociedade organizada segundo princípios estritamente científicos, Bernard Marx, um psicólogo, sente-se inadequado quando se compara aos outros seres de sua casta. Ao descobrir uma “reserva histórica” que preserva costumes de uma sociedade anterior – muito semelhante à do leitor – Bernard vai perceber as diferenças entre esta civilização e a sua – e a partir de um sentimento de inconformismo ele desafiará o mundo em que vive. 

A história de Bernard se passa em um ambiente em que a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar a alienação; um universo que louva o avanço da técnica, a produção em série, a uniformidade contra a diversidade. Muitas das previsões de Huxley vieram a ser confirmadas anos mais tarde, como a tecnologia reprodutiva, as supostas técnicas de aprendizado durante o sono e a manipulação pelo condicionamento psicológico.  

Admirável Mundo Novo é não somente uma ilustração de futurismo ou de ficção científica, mas um olhar acerca do autoritarismo vigente desde que o livro foi publicado, em 1932, e que continua a nos assombrar. 

Vale a pena conferir! 

Aproveitem e vejam a palestra de Guilherme Freire no Círculo de Estudos Políticos www.formacaopolitica.com.br 

2. 1984 – George Orwell (1948) 

Os 10 melhores livros de ficção para refletir a o indivíduo e a sociedade

1984 é um romance distópico clássico do autor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell. Terminado de escrever no ano de 1948 e publicado em 8 de junho de 1949, retrata o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano homônimo. No livro, Orwell mostra como uma sociedade oligárquica coletivista é capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ela. A história narrada é a de Winston Smith, um homem com uma vida aparentemente insignificante, que recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do regime por meio da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais desiludido com sua existência miserável e assim começa uma rebelião contra o sistema. 

Em uma trama em que os “fatos alternativos” estão por toda parte e a mentira foi institucionalizada, Winston se rebela contra a sociedade totalitária na qual vive; em seu anseio por verdade e liberdade, ele arrisca a vida ao se envolver amorosamente com uma colega de trabalho, Júlia, e com uma organização revolucionária secreta. Normalmente lido como uma distopia, 1984 é também uma sátira, uma profecia, um grito de alerta, um thriller de espionagem, uma extraordinária ficção científica, um terror psicológico, um romance pós-moderno e uma história de amor. 

O romance se tornou famoso por seu retrato da difusa fiscalização e controle de um determinado governo na vida dos cidadãos, além da crescente invasão sobre os direitos do indivíduo. Desde sua publicação, muitos de seus termos e conceitos, como “Big Brother”, “duplipensar” e “Novilíngua” entraram no vernáculo popular. O termo “Orwelliano” surgiu para se referir a qualquer reminiscência do regime ficcional do livro. O romance é geralmente considerado como a magnum opus de Orwell. Trata-se de um clássico livro sobre liberdade.

3. Nós – Yevgeny Zamyatin (1920) 

Os 10 melhores livros de ficção para refletir a o indivíduo e a sociedade

“Nós” é um romance escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin. 

Parte desse romance é baseado nas experiências do autor com as revoluções russas de 1905 e 1917 e no período em que trabalhou em 1916 supervisionando a construção de navios na Inglaterra. 

Embora escrito no início da década de 1920, Nós apenas foi publicado pela primeira vez em 1924, e em inglês e em Nova Iorque, por estar proibido na então União Soviética devido à censura imperante no país. A primeira edição no idioma russo somente foi lida em 1927/1928, quando publicada em um jornal de emigrados. O livro adentrou legalmente a pátria-mãe do autor apenas em 1988, com as políticas de abertura do regime soviético. 

Em suas páginas, o autor imaginou um governo totalitário chamado Estado Único que, supostamente pelo bem da sociedade, privou a população de direitos fundamentais como o livre-arbítrio, a individualidade, a imaginação, a liberdade de expressão e o direito à própria vida. Um mundo completamente mecanizado e lógico, onde as pessoas não possuem nomes, mas sim números, e o estado dita os horários de trabalho, de lazer, de refeições e até de sexo.

A trama traz a história de D-503, um engenheiro que vive pleno e feliz (exatamente como ordena o grandioso estado único), mas começa a duvidar das próprias convicções ao conhecer uma misteriosa mulher que comete a ousadia de burlar regras, e que o contamina com a doença chamada imaginação.

4. Fahrenheit 451 – Ray Bradbury (1953) 

Os 10 melhores livros de ficção para refletir a o indivíduo e a sociedade

Fahrenheit 451 é um livro sobre liberdade que retrata um romance distópico de ficção científica, escrito por Ray Bradbury e publicado pela primeira vez em 1953.

A obra apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e o pensamento crítico é suprimido. O personagem central, Guy Montag, trabalha como “bombeiro” (o que na história significa “queimador de livros”). O número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.

Montag nunca questionou seu trabalho; vive uma vida comum, cumpre o expediente e retorna ao final do dia para sua esposa e para a rotina do lar. Até que conhece Clarisse, uma jovem de comportamento suspeito, cheia de imaginação e boas histórias. Quando sua esposa entra em colapso mental e Clarisse desaparece, a vida de Montag não seria mais a mesma.

Com o passar dos anos, o romance foi submetido a várias interpretações, primeiramente focadas na queima de livros pela supressão de ideias dissidentes. Bradbury, porém, declarou que Fahrenheit 451 não trata de censura, mas de como a televisão destrói o interesse pela leitura.

O autor contou que todo o romance foi escrito nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, em uma máquina de escrever alugada. Sua intenção original, ao escrever o romance, era mostrar seu grande amor por livros e bibliotecas.

O romance reflete importantes temas inquietantes da época de sua escrita, deixando muitos interpretarem diferentemente do que pretendia Bradbury. Entre os temas atribuídos para o romance, o que Bradbury chamou de “força destruidora de pensamentos” da censura nos anos 50, os incêndios de livros na Alemanha Nazista que começaram em 1933 e as horríveis consequências da explosão de uma arma nuclear. 

5. A Revolta de Atlas – Ayn Rand (1957) 

Os 10 melhores livros de ficção para refletir a o indivíduo e a sociedade

A Revolta de Atlas uma ficção escrita pela filosofa Ayn Rand publicado em 1957 em um mundo marcado por uma proliferação de republicas socialistas que tolhem a livre-iniciativa e a liberdade econômica de indivíduos. 

O livro explora especificamente um Estados Unidos hipotético, onde o governo insiste em taxar e regulamentar os cidadãos produtivos, suas empresas e realizações individuais.

Nesse cenário desolador em que a intervenção estatal se sobrepõe a qualquer iniciativa privada de reerguer a economia, os principais líderes da indústria, do empresariado, das ciências e das artes começam a sumir sem deixar pistas. Com medidas arbitrárias e leis manipuladas, o estado logo se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de manter a lucratividade de seus negócios.

Mas a greve de cérebros motivada por um estado improdutivo à beira da ruína vai cobrar um preço muito alto. E é o homem – e toda a sociedade – quem irá pagar. Ayn Rand traça um panorama estarrecedor de uma realidade em que o desaparecimento das mentes criativas põe em xeque toda a existência. Com personagens fascinantes, como o gênio criador que se transforma num playboy irresponsável, o poderoso industrial do aço que não sabe que trabalha para a própria destruição e a mulher de fibra que tenta recuperar uma ferrovia transcontinental, a autora apresenta os princípios de sua filosofia: a defesa da razão, do individualismo, do livre mercado e da liberdade de expressão, bem como os valores segundo os quais o homem deve viver – a racionalidade, a honestidade, a justiça, a independência, a integridade, a produtividade e o orgulho. Há momentos marcantes, como o discurso do dinheiro, a obra traz muitas lições para sua vida.

Best-seller há mais de 50 anos, com 11 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro, A revolta de Atlas desafia algumas das crenças mais arraigadas da sociedade atual. 

6. Laranja Mecânica – Anthony Burgess  (1962) 

Os 10 melhores livros de ficção para refletir a o indivíduo e a sociedade

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) é um livro de Anthony Burgess escrito em 1962 que suscitou polêmicas pela forma crua com que descreve um mundo de violência.

Sem a menor pretensão de sensacionalismo o livro parece ser uma sátira à sociedade inglesa. A trama se desenrola em um futuro não determinado e conta a história de um jovem delinquente (Alex) e sua gangue (Pete, Georgie e Tosko) que espancam mulheres.

O romance foi inspirado em um fato real ocorrido em 1944: o estupro, por quatro rapazes, da primeira mulher do autor, Lynne. A leitura é um dos primeiros impactos ao leitor porque Burgees inventou todo um vocabulário próprio, uma linguagem denominada nadsat, falada pelos adolescentes, cheia de gírias e cacoetes linguísticos. 

O livro foi adaptado ao cinema pelo genial Stanley Kubrick em 1971, que vale ser apreciado também! 

7. This Perfect Day – Ira Levin (1970) 

This Perfect Day é um romance de ficção-científica escrito por Ira Levi (o mesmo autor original de Bebê de Rosemary), muitas vezes comparado com 1984 e Admirável Mundo Novo.

De início, o leitor vai fazendo suposições que a história se passa numa sociedade aparentemente “perfeita”. A uniformidade é a característica definidora dessa sociedade, há apenas uma língua e todos os grupos étnicos foram ecumenicamente fundidas em uma raça chamada “A Família”.

Padronização, fim da individualidade, planejamento tecnocrático, mundialização, fim das tradições são elementos comuns nesse tipo de mundo apocalíptico que é pintado tantas vezes pela ficção-científica política  e nesse não ficaria de fora.

Há apenas quatro nomes pessoais para homens (Bob, Jesus, Karl e Li) e quatro para as mulheres (Anna, Maria, Paz e Yin). Em vez de sobrenomes, os indivíduos distinguem-se por um código alfanumérico de nove caracteres, a sua “nameber” (um neologismo de “name” e “number”), por exemplo, WL35S7497. 

Trata-se de uma analogia ao mundo socialista, pois tudo é planejado de esferas politicas superiores, e todos comem e bebem a mesma coisa, com cotas de distribuição (como havia na URSS, e ainda há em países como Cuba e Coreia do Norte), vestem as mesmas roupas e são sempre induzidos a estarem satisfeitos. 

As pessoas estão constantemente drogadas, por meio de tratamentos mensais para que eles permanecerem satisfeitos e cooperativos como “membros da família”. Eles dizem onde viver, quando comer, com quem se casar, quando se reproduzir, e para a qual trabalho que serão formados.

8. A Modern Utopia – H.G. Wells (1905) 

A Modern Utopia foi livro de ficção escrito em 1905 por H.G. Wells e ainda se mostra bem atual.

Nele o autor propõe um certo encantamento acerca de uma reforma social, da formação de um estado mundial. Como a maioria dos utopistas, o autor listou uma série de mudanças que, em sua opinião, faria aumentar a felicidade humana. Basicamente, a ideia de Wells era de um mundo perfeito em que todo mundo fosse capaz de viver uma vida feliz por meio de um esforço técnico de dirigentes iluminados.

A inocência do autor frente ao perigo real de totalitarismo de um mundo ordenado, perfeito, asséptico e mecânico, construído em seu background por mentes visionárias brilhantes, percorre todo o livro e é interessante para que nos obriguemos a interpretar a visão de mundo de Wells, presa em sua época. 

É um bom exercício fazer posteriormente a leitura deste livro, uma leitura do clássico de Huxley, Brave New World, que é um contraponto.

9. The Moon is a Harsh Mistress – Robert A. Heinlein (1966) 

The Moon in a Harsh Mistress é um livro de ficção-científica escrito por Robert A. Heinlein sobre uma guerra de independência de uma colônia localizada na Lua, nos anos 2075 e 2076.

O livro apresenta várias ideias libertárias e é um dos primeiros no estilo cyberpunk: os heróis são sujos e pobres; o protagonista é um hacker com um braço mecânico cujo melhor amigo é uma inteligência artificial. 

10. O Homem Duplo – Philip K. Dick (1973) 

O Homem Duplo (Scannner Darkly) é um romance do semi-autobiográfico do famoso escritor Philip K. Dick. A história se passa num futuro distópico, em Los Angeles, que é rastreada por scanners, infestadas por milhares de insetos imaginários e dominada pela criminalidade e o tráfico de drogas. 

A droga “Substância D”, que causa um nível de dependência sem precedentes, é uma das mais comuns e famosas no mundo. Além da vigilância, o livro trabalha com problemas sociais conhecidos como o uso de drogas e o sistema de influência e poder que se cria a partir disso. A ficção foi adaptado para o cinema por Richard Linklater em 2006.

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