Manuela d’Ávila prefeita seria um pesadelo real

Manuela d’Ávila lidera as pesquisas de intenção de voto para Porto Alegre, e seria um verdadeiro pesadelo para a capital do Rio Grande do Sul.

Ela dispensa apresentações: é um dos maiores fenômenos da política nacional desde o seu surgimento. Não à toa foi eleita a vereadora mais jovem da capital, aos 23 anos. Até hoje, é a política que chegou à Câmara dos Deputados com a maior votação da história do Rio Grande do Sul, com quase meio milhão de votos. Em 2018, desistiu da pré-candidatura à Presidência da República após aceitar o convite para se tornar vice da chapa de Fernando Haddad. Ou de Lula. Ou do PT. Tanto faz. 

E, desde a primeira pesquisa de intenção de votos à prefeitura de Porto Alegre já estava na liderança, onde se mantém até o momento. Mas o que representaria essa candidatura para a cidade?

A eleição de Manuela é possível: daí seu risco

Há quem diga que não há motivo para pânico porque Manuela não se elegerá. Eles trazem dois argumentos: a alta rejeição da candidata e a desidratação comum da esquerda – como foi o caso de Luciana Genro (PSOL) no pleito municipal de 2016. Ela liderou as pesquisas na largada, mas acabou a disputa amargando a quarta colocação, ficando de fora do 2º turno. 

Não compartilho desse mesmo otimismo por três motivos: a conjuntura política, as alianças e os concorrentes. 

Porto Alegre é um berço de peculiaridade. Se você assiste filmes de terror e não conhece a nossa capital, muitas vezes nos comportamos como Harrisville, a cidade de invocação do mal.

Diz-se que é a capital que mais representa o futuro da política. Foi no Sul do país, por exemplo, que o PT recebeu o primeiro voto de confiança: nas eleições presidenciais de 1994, o RS foi o único estado em que Lula venceu Fernando Henrique Cardoso.

Mapa de resultados da eleição presidencial no Brasil (1994). 

Assim como foi um dos primeiros a dar um sinal positivo para o avanço do Bolsonarismo, na época em que o então deputado federal gozava de um discurso neandertal e corporativista, reduzido a chavões discursivos e votos contraditórios e antiliberais.

Segundo a última pesquisa do Ibope sobre a aprovação do presidente, concluída em setembro desse ano, a rejeição ao atual governo em Porto Alegre é alarmante: 50% dos porto-alegrenses classificam a gestão como ruim ou péssima. A segunda capital do país que mais rejeita a administração atual. 

O provável reflexo disso é um giro de 180º nos rumos políticos da cidade. Onde lá, está à esquerda, aguardando para representar o descontentamento com a gestão bolsonarista. 

As alianças de Manuela em Porto Alegre e o fundo partidário

Falar de esquerda sem falar no petismo ainda é impossível. Por mais que as candidaturas do partido no RS estejam desabando nas últimas eleições, ficando de fora do segundo turno em 2016 em Porto Alegre, e em 2018, no estado, o PT esse ano cedeu: não será cabeça de chapa, para apoiar a candidata Manuela, que é do PC do B (legenda que, na prática, funciona mais como uma ala interna do PT). 

Tal junção torna uma candidata popular com uma militância fiel e numerosa que torna a candidatura da esquerda a mais forte da última década na cidade.

Em destaque, os filiados da coligação Muda Porto Alegre (PT + PC do B). 

Outro fator determinante para temermos uma possível vitória de uma, assumida, comunista nas eleições deste ano: os instrumentos financeiros possuídos pela candidata.

O fundo eleitoral, mais conhecido como farra com o dinheiro público, consolida a candidatura de Manuela como extremamente combativa. Considerando os principais adversários, segundo as últimas pesquisas, o poder eleitoral de Manuela pode ser observado nos recursos financeiros dispostos pela candidata, um instrumento que pode ser decisivo em uma campanha política. 

Escolha dos candidatos baseada na última pesquisa do Ibope – 05/10 (Manuela 24%, José Fortunati 14%, Sebastião Melo 11%, Nelson Marchezan 9%).

Os adversários de Manuela d’Ávila 

Além das vantagens já exploradas anteriormente, um grande trunfo da candidata são os adversários políticos. 

O atual prefeito, Nelson Marchezan (PSDB) estava em baixa no início da corrida eleitoral. Por mais que Porto Alegre tenha conseguido um bom desempenho no combate à letalidade do coronavírus, o prefeito se atrapalhou nos demais meses, o que aumentou a crise econômica e, principalmente, o desemprego provocado pela pandemia.

Além disso, a intransigência e pavio curto de Marchezan são muito explorados pelos demais candidatos, além do processo de Impeachment que ameaçou tirar o prefeito da disputa. Embora o processo esteja sub judice, serviu para desgastar ainda mais a imagem do tucano.

Do outro lado, temos dois candidatos muito conhecidos dos porto-alegrenses: José Fortunati, ex-prefeito da capital; e Sebastião Melo, ex-vice-prefeito da própria gestão Fortunati. Melo, do MDB, encontra dificuldade em superar Fortunati (PTB), uma vez que se tornaria contraditório atacar o prefeito, por sua proximidade política e por ter pertencido à gestão dele.

Ambos têm um eleitorado muito semelhante: o centro. Portanto, compartilham de forças e fraquezas que acabam se sobrepondo e, consequentemente, dividindo o eleitorado entre os dois candidatos pela proximidade de agendas. 

Mas afinal, por que temer Manuela? 

Construir um socialismo à brasileira – esse é o principal objetivo da trajetória política de Manuela d’Ávila. E ela orgulha-se disso. 

Em um momento recente, Manuela resumiu a Revolução Russa como um momento “extraordinário”, classificando o terrorismo, mortes e assassinatos ocorridas durante o período como uma “conjuntura mundial”. O massacre, por vezes, não se dá por meio de serras-elétricas, mas sim por foices e martelos. 

A própria página oficial do partido de Manuela, PC do B, enaltece o Stanilismo, o classificando como um período heroico e triunfante das massas populares, sob o comando de Josef Stálin. Algo semelhante acontece quando se trata do maoísmo. 

As referências políticas da deputada já são reconhecidas. No mundo, essas ideias cerceiam as liberdades políticas individuais, por meio de expropriações, perseguições e assassinatos. Um legado de pobreza, fome e miséria. 

Mas vamos tentar ignorar as inspirações da candidata (tentar, pelo menos), debruçando-nos exclusivamente sobre o seu plano de governo e suas principais propostas.

O plano de Manuela d’Ávila para Porto Alegre

Manuela enxerga o estado como agente indutor da economia. Mas basta inúmeras análises empíricas que demonstram como um estado enxuto é mais eficiente — ou menos destrutivo. Miguel Rossetto (PT), seu candidato à vice, mantém a mesma fórmula atrasada de pensar a política, que é a agenda que resultou num colapso nas contas públicas e capacidade de investimento de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

Empresas com histórico recente de denúncias e condenações de corrupção também possuem destaque nos planos da candidata. Nele, a Procempa, companhia de processamento de dados, possuirá um papel central na inovação do município. O histórico da empresa? Dispensa ilegal, falsidade ideológica e improbidade administrativa. 

No campo da mobilidade urbana, Manuela quer a ampliação de investimentos públicos na Carris — a empresa pública de transporte da cidade. Ela defende ainda a criação de aplicativo de transporte individual, reforçando o ideário falido de que o estado pode ser um gerador de riquezas, em vez do indivíduo. Ou seja, querem criar um “Uber estatal”. 

Há ainda espaço para propostas demagógicas e populistas que condenam a população mais pobre a algo que é muito recorrente nas práticas petistas: propostas vazias que oferecem soluções fáceis, sem apresentar o como fazer. Afinal, o que importa mesmo é ganhar a eleição. 

Considerações finais

Manuela d’Ávila é um risco real para Porto Alegre, e não apenas por suas ideias políticas socialistas. Ela se coloca na campanha como representante de um projeto que atrasou o país na moralidade, rompeu com o compromisso democrático e flertou com ideias ditatoriais ao longo de todo o seu governo.

Há quem tenha pesadelos com Freddy Krueger; os meus são acordar e ver Manuela prefeita de minha cidade. Cabe a nós, defensores da liberdade, o papel de impedir que o dia das bruxas acabe em novembro e não apenas em 2025.


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Jota Júnior

Por:

Assessor Político, Graduando em Políticas Públicas na UFRGS, Coordenador Estadual do Livres e membro do Students for Liberty.

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