O que Ludwig von Mises pensava sobre o intervencionismo

Entre os 47 livros que escreveu, o economista Ludwig von Mises dedicou três em especial para tratar diretamente sobre sistemas econômicos. Em Socialismo: Uma Análise Econômica e Sociológica (1922), ele discorreu sobre a comunidade socialista, enquanto em Liberalismo Segundo a Tradição Clássica, abordou a economia de mercado e suas características essenciais. A despeito de ter sido publicada apenas postumamente, para concluir a “trilogia”, o austríaco escreveu entre 1940 e 1941 Intervencionismo: uma Análise Econômica, dedicado a abordar o sistema misto.

A leitura é recomendável tanto aos leigos como também àqueles que já possuem um bom conhecimento em economia, para que ao final da leitura estejam cientes dos reais impactos do intervencionismo de acordo com as análises apresentadas pelo autor. Na obra, de apenas 120 páginas, Mises leva o autor a refletir se o estado intervencionista realmente alcança seus objetivos propostos.

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Capitalismo e socialismo, segundo Ludwig von Mises

Muitas pessoas não entendem realmente o conceito de: capitalismo, socialismo e intervencionismo. É necessária a compreensão desses conceitos para o entendimento da obra.

Primeiramente, o capitalismo é a economia de mercado em ação, na qual há a interação das pessoas fazendo trocas voluntárias. Nesse cenário, há os consumidores que necessitam de algo (produto ou serviço), e os empreendedores que procuram prever as tendências de consumo mais rápido do que seus competidores.

Na economia de mercado, qualquer indivíduo pode ter sucesso em seus empreendimentos, não havendo impedimentos legais e institucionais para tanto. Todavia, para que isso ocorra, precisa conseguir ser flexível aos requisitos do mercado, além de ser competitivo no que se tratar dos preços e a qualidade dos serviços ou produtos.

Já o socialismo propõe que os meios de produção sejam controlados pelo estado. Há dois modelos diferentes de idealização do socialismo e, apesar de manterem o autoritarismo econômico, o primeiro modelo é muito burocrático pois a autoridade central estaria no controle de tudo. 

Já no segundo modelo socialista há mercados e uma economia com sistemas, porém totalmente influenciada pelo governo. Ou seja, o ente governamental praticamente escolhe a dedo aqueles que entram no mercado, sendo responsável por controlar os preços e o que deve ser produzido.

O estado intervencionista

Quando entendido os conceitos de socialismo e capitalismo, podemos avançar para compreender intervencionismo, de acordo com o autor.

“O estado Intervencionista é quando há o dualismo entre mercado e autoridade em uma economia, e assim o sistema da economia de mercado fica obstruído onde “o governo interfere no próprio funcionamento do mercado por meio de ações isoladas, emitindo ordens e proibições” (p.28).

O que acontece é que essas intervenções realizadas pelos governos intervencionistas têm seus objetivos, mas será que eles realmente são alcançados? A obra busca responder esse questionamento.

Quando uma autoridade adota uma medida de intervenção para o mercado, ela desvia a produção, ou seja, os empreendimentos seguem outra direção da qual seguiria caso seguisse se não houvesse qualquer obstrução no mercado.

É por meio dessas interferências que o estado pode proibir a fabricação de produtos, ou então a maneira de como algum item está sendo produzido. Isso faz com que a produção possa não ser a mais eficiente possível, fazendo com que os preços sejam repassados para o consumidor final.

Para Mises, quando a autoridade identifica os pontos negativos de uma intervenção, ela então usa o argumento de que tal desvantagem causada tanto de oferta como de produtividade se transforma em vantagem para outro setor da economia.

Entre os exemplos, destaca-se as altas tarifas de importação, utilizadas como proteção das empresas nacionais. Por intermédio dessa barreira comercial, os preços são repassados aos consumidores fazendo com que os produtos fiquem mais caros e de qualidade inferior, uma informação que, infelizmente, não é claramente dita para público.

O intervencionismo estatal, segundo Ludwig von Mises

O economista argumenta que em um cenário em que o estado controla como algo deve ser produzido, de que forma e o preço em que deve ser vendido, o mercado não tem nenhuma opção a não ser o de reagir.

A estrutura de preços no mercado funciona de maneira em que a oferta e a demanda devem estar em constante procura de equilíbrio. Mas, para Mises, essa é uma função dos próprios agentes do mercado, e não de alguma regulação do governo, pois quando é emitida uma ordem autoritária de fixação de preços, como tentativa de equilibrar, o mercado reage de maneira contrária ao objetivo.

Entre os exemplos, destaca-se a política de salário mínimo, que é uma fixação de preço mínimo de rendimento com o objetivo social da valorização do trabalho. Mises afirma que:

“o salário fixado de forma autoritária tende a causar o desemprego permanente de uma parte considerável da força de trabalho.”(p.50).

Esta é apenas uma das diversas ações de um estado intervencionista que podem gerar desemprego.

No momento em que os desempregados começam a surgir em escala, as autoridades criam novas políticas salariais a fim de reduzir os impactos. Entre os exemplos mais comuns, estão programas de distribuição de renda, estímulos monetários e políticas de criação de empregos por meio de obras públicas.

Quando as obras públicas não podem surgir por meio do aumento de impostos (o que seria horrível), para que possa haver a execução dos planos o governo opta pela expansão do crédito e inflação.

Os problemas da expansão do crédito

Muitas pessoas acreditam que a expansão do crédito é uma ação governamental elogiável porque a partir da redução da taxa de juros mais agentes podem consumir e realizar investimentos.

Todavia, isso causa também o aumento de grandes devedores e investimentos ruins, que surgem somente por causa da expansão de crédito.

“A redução artificial das taxas de juros em virtude da expansão do crédito gera falsa impressão de que esses empreendimentos, que até então eram considerados inviáveis, agora são lucrativos.”(p.62).

Mises argumenta que a contínua expansão de crédito gera o aumento dos preços, que em última análise pode chegar a níveis de hiperinflação. A outra opção é o encerramento do estímulo monetário, que por consequência produz uma recessão econômica.

Considerações finais

As análises apresentadas em Intervencionismo mostram que esses e outros objetivos das políticas intervencionistas comumente não são alcançados. Para Mises, diferentemente de um pensamento corrente, os indivíduos não ficam mais ricos por meio dessas políticas. Já que a política intervencionista não funciona, o economista explica que a humanidade tem uma decisão a fazer: ou escolhe a liberdade e economia de mercado não obstruída (o livre mercado) ou o socialismo.

Wagner Santos é coordenador do Students for Liberty.

Você pode acessar gratuitamente a obra Intervencionismo: Uma Análise Econômica neste link.

Para ler mais resenhas de livros sobre liberdade, confira nossa série.

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