Quem foi Jean Baptiste Say: principal economista francês do século XIX

Jean Baptiste Say (1776-1832) foi o principal economista político francês do início do século XIX. Antes de se tornar economista acadêmico, Say havia trabalhado em uma ampla gama de ocupações. Inicialmente, seguindo a tradição da família, ele foi aprendiz em um escritório comercial.

Mais tarde, ele foi contratado por uma companhia de seguros de vida e assumiu uma série de ocupações diferentes: jornalista, soldado, político, fabricante de algodão e escritor.

Em grande parte, suas mudanças em ocupação são devidas às revoltas políticas e econômicas que sua geração teve de suportar. Por exemplo, a Revolução Francesa, as Guerras Revolucionárias e a ascensão de Napoleão Bonaparte. Assim como, a guerra econômica com a Grã-Bretanha e, eventualmente, a queda do Império e a restauração da monarquia Bourbon.

Somente depois de um quarto de século de turbulência é que Say ocupou sua primeira posição como professor. Ele passou a ministrar aulas de economia política em Paris em 1815, cargo que ele manteve até sua morte em 1832.

A Lei de Say

Assim, Say fez seu nome com a publicação do seu Traité d’économie politique (1803), que passou por muitas edições e revisões durante sua vida. As ideias que estão mais intimamente associadas ao seu nome incluem a “lei de Say” dos mercados.

A grosso modo, ela diz que “a oferta cria sua própria demanda”. Mas pode ser mais amplamente entendida como a ideia de que nações e indivíduos se beneficiam do crescente nível de riqueza um do outro. A medida que oferece maiores oportunidades para o comércio mutuamente benéfico.

Além disso, Say enfatizou o papel vital desempenhado pelo empreendedor na atividade econômica e a contribuição de bens “não materiais”, como serviços, capital humano e instituições, para a criação de riqueza. Inclusive, ele também forneceu uma formulação inicial da teoria de rent seeking.

Obras e influência

Say tentou popularizar ideias econômicas, escrevendo vários trabalhos em forma de diálogo para alcançar um público mais amplo. Ele tentava disseminar suas visões liberais em um momento em que o nacionalismo econômico e o socialismo estavam se tornando cada vez mais populares.

Um de seus últimos trabalhos importantes, o Cours complet d’économie politique pratique tentou ampliar o escopo da economia política, afastando-se de sua preocupação anterior. Com a produção de riqueza, examinando os requisitos morais, políticos e sociológicos de uma sociedade livre e como eles se relacionam com o estudo da economia política. Em outras palavras, ele desejava retornar a economia política às suas raízes Smithianas.

A família de Say se originou em Nîmes, mas eles foram forçados a fugir para Genebra no final do século XVII, quando o estado encerrou sua política de tolerância em relação aos protestantes. Eles voltaram para Lyon em meados do século XVIII, onde o pai de Say se tornou comerciante.

A família esperava que Say e seu irmão Horace continuassem nos negócios da família. Para tanto, os dois irmãos foram enviados a Londres para aprender sobre o comércio moderno. Lá eles se tornaram proficientes em inglês. Nesta época, Say se deparou com uma cópia da Riqueza das Nações de Smith, que ainda não havia sido traduzida para o francês.

Tempos turbulentos

Quando a Revolução Francesa estourou, Say parou de trabalhar para o jornal do Conde de Mirabeau, para se voluntariar no combate e encontrou trabalho em Champagne entre 1792–1793. Depois, ele se casou apenas para descobrir que a riqueza moderada de sua família o tornara alvo do Período do Terror. Logo depois, a hiperinflação da época acabou com a maior parte do que eles haviam economizado.

Por fim, ele foi nomeado editor da revista “Idéologues” de editorial liberal, para a qual escreveu artigos sobre economia política de 1794 a 1799. A experiência prática de negócios de Say e seus conhecimentos levaram à sua nomeação em 1799 para o Tribunat, onde atuou no comitê de finanças. Foi nesse contexto que surgiu a ideia de seu Tratado de Economia Política, e a primeira das seis edições apareceu em 1803.

O tratado de Say chegou a chamar a atenção de Napoleão. Durante um jantar com Say, o primeiro consul sugeriu que poderia ser publicada uma nova edição de seu livro. Napoleão queria que a obra apoiasse mais explicitamente as políticas fiscais impopulares do governo.

Porém, a recusa firme de Say em servir aos interesses de Napoleão e sua constante oposição aos gastos excessivos do governo levaram à sua demissão do Tribunat.

Mais tarde, o estágio seguinte da carreira de Say foi no mundo comercial. Say montou uma fábrica de fiação de algodão em Auchy, usando as mais recentes máquinas da Inglaterra.

Após oito anos de sucesso como empresário, empregando entre 400 e 500 pessoas, Say vendeu sua fábrica e retornou à Paris em 1813. Ele estava convencido de que a política econômica francesa resultaria em colapso econômico.

Afinal, o Bloqueio Continental, que impôs embargos, licenças e impostos à mercadorias e empresários britânicos, somado às dificuldades de comércio em tempo de guerra, estavam sufocando a indústria francesa.

Vida acadêmica e últimos anos

A publicação da segunda edição do Tratado sobre economia política, em 1814, mais uma vez trouxe Say à atenção do governo. Nessa época, ele foi contratado para viajar para a Inglaterra com o objetivo de descobrir o segredo do crescimento econômico inglês e examinar o impacto das guerras revolucionárias na economia britânica.

Say também aproveitou sua visita à Inglaterra para entrar em contato com radicais filosóficos britânicos e economistas políticos como James Mill, Jeremy Bentham e David Ricardo.

Parte de seu relatório foi publicada no panfleto De l’Angleterre et des Anglais (1814). O escrito contém uma crítica devastadora do impacto econômico da guerra sobre os trabalhadores britânicos comuns. Incluindo as políticas inflacionárias empregadas para financiar o conflito.

Somente após a derrota de Napoleão e a restauração da monarquia Bourbon, Say foi reconhecido como o economista político francês mais importante de sua época. Assim, obteve uma posição ensinando economia em Paris. Primeiro no Athénée e depois no Conservatoire des Arts et Métiers.

À época, a expressão “economia política” ainda era considerada um tanto radical e subversiva. No entanto, ele foi finalmente oferecido a primeira cadeira em economia política no Collège de France.

Embora tenha sido um professor notoriamente ruim, lendo diretamente de seus manuscritos, ele publicou uma quantidade considerável nos 17 anos restantes.

Desse período saíram muitas obras populares sobre economia política. Inclusive, junto a várias edições revisadas do Tratado de Economia Política, uma série de cartas polêmicas escritas a Thomas Malthus e o Cours complet d’économie politique pratique em 1828-1829.

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