Quem foi Isabel Paterson: autora de O Deus da Máquina

Isabel Bowler Paterson (1886-1961), foi uma jornalista ousada e temperamental. Segundo o estudioso Stephen Cox, ela era “uma mulher franzina, 5’3 (1,60m) de altura, muito míope, amante de roupas bonitas e ligeiramente excêntricas, apreciava comidas delicadas, bebia pouco, uma devota da natureza que podia passar o dia todo assistindo uma árvore cresce”.

Paterson se apegou obstinadamente a seus pontos de vista e dizia a todos que quisessem ouvir o que ela pensava sobre questões de seu interesse. Seu gênio e suas conversas chegaram a limitar sua vida social, especialmente quando ela se tornou uma opositora da intervenção do governo no New Deal.

Paterson escreveu romances e cerca de 1.200 colunas de jornal, mas foi O Deus da Máquina que garantiu sua imortalidade na história da liberdade. A obra representa um poderoso ataque ao coletivismo e explicou a extraordinária dinâmica dos mercados livres.

A infância de Isabel Paterson

Ela nasceu em 22 de janeiro de 1886, na Ilha de Manitoulin, Ontário. Seus pais, Francis e Margaret Bowler, eram agricultores pobres que se mudaram para Michigan, depois para Utah e Alberta, em busca de melhor sorte.

Paterson fez sabão, cuidou de gado e passou apenas dois anos na escola. Mas ela lia livros em casa, incluindo a bíblia, um pouco de Shakespeare e romances de Charles Dickens e Alexander Dumas.

Quando tinha cerca de 18 anos, Paterson saiu de casa. Trabalhava como garçonete, contadora e estenógrafa, ganhando 20 dólares por mês, e tinha orgulho de ser independente. “Escute, menina”, disse ela a um jornalista, “trate seu salário é como a sua mãe ou o seu pai; ou seja, você deve respeitá-lo. ”

Vida adulta

Aos 24 anos, em 1910, ela se casou com Kenneth Birrell Paterson, mas o relacionamento azedou e, em poucos anos, eles seguiram caminhos separados. Ela raramente falava sobre o assunto, e após o divórcio ficou mais determinada do que nunca a manter sua independência.

Isabel Paterson já escrevia um pouco como hobby, mas depois que se tornou secretária de um editor de jornal de Spokane, Washington, a produção aumentou. Começou a escrever seus editoriais, com críticas dramáticas para dois jornais de Vancouver.

Em seguida, ficção. Seu romance The Shadow Riders foi publicado em 1916, e The Magpie’s Nest, no ano seguinte. Ambos eram sobre mulheres jovens lutando para alcançar a independência.

Paterson mudou-se para o leste após a Primeira Guerra Mundial e começou a ler boa parte das obras da Biblioteca Pública de Nova York. Em 1922, ela conseguiu um emprego no New York Tribune com o editor literário Burton Rascoe.

“Ela disse sem rodeios que queria o trabalho”, lembrou ele. “Eu disse a ela que meu orçamento não me permitiria pagar o que ela valia. Ela disse que trabalharia por tudo o que eu estivesse disposta a pagar. Eu disse que o pagamento era de quarenta dólares por semana. Ela disse: ‘Vou trabalhar para isso’”.

Em 1924, Paterson começou a escrever uma coluna semanal sobre livros, que se tornou um fórum de influência no quarto de século seguinte. Ela usava os livros como ponto de partida para falar sobre praticamente qualquer coisa.

Muitas colunas afirmaram seu compromisso com o individualismo americano. Ela atacou as sociedades coletivistas com base no status e defendeu o capitalismo dinâmico. Além disso, ela denunciou o intervencionismo de Herbert Hoover e o New Deal de Franklin Roosevelt.

O Deus da Máquina

Muitas colunas exploraram temas que se tornaram a base de O Deus da Máquina, publicado pela Putnam’s em maio de 1943. Paterson atacou o fascismo, o nazismo e o comunismo como variedades do mesmo mal: o coletivismo.

Ela reservou algumas de suas explosões mais eloqüentes para Stalin, que encantou tantos intelectuais. Assim, qualquer um que imagine que os horrores socialistas foram expostos recentemente ficará chocado ao ver como Paterson entendeu claramente por que o coletivismo sempre significa estagnação, atraso, corrupção e escravidão.

Mas, há muito mais neste livro. Isabel Paterson também forneceu uma grande visão geral da história da liberdade. Ela deixou claro por que a liberdade pessoal é impossível sem liberdade política e defendeu os imigrantes.

Além disso, ela denunciou o recrutamento militar, o planejamento econômico central, o sindicalismo obrigatório, os subsídios às empresas, o papel-moeda e as escolas públicas obrigatórias. Muito antes da maioria dos economistas, ela explicou como as políticas do New Deal prolongaram a Grande Depressão.

Paterson celebrou os empreendedores privados, que são a principal fonte do progresso humano. Por exemplo:

Tudo o que foi criação da iniciativa privada nas ferrovias deu satisfação. A empresa privada extraiu, fundiu e forjou o ferro, inventou a máquina a vapor, concebeu instrumentos de agrimensura, produziu e acumulou o capital, organizou o esforço.

Na construção e operação das ferrovias, tudo o que estava na esfera da iniciativa privada era feito com competência… O que as pessoas odiavam era o monopólio. O monopólio, e nada mais, foi a contribuição política.

Papel de Isabel Paterson no movimento libertário

Em 1949, as opiniões libertárias de Paterson se tornaram “demais” para os editores do New York Herald Tribune, e ela foi demitida. No entanto, ela expressou sua gratidão, dizendo que eles provavelmente publicaram mais de seu trabalho do que teria sido tolerado em qualquer outro lugar.

Eles deram a ela uma pequena pensão, e ela se deu bem investindo suas economias em imóveis. Além disso, recusou a Previdência Social, devolvendo seu cartão em um envelope marcado “Fraude da Previdência Social”.

Enquanto isso, ela se tornou um ponto focal para o movimento libertário incipiente. Por exemplo, depois que Leonard Read fundou a Foundation for Economic Education, ela o apresentou ao influente jornalista John Chamberlain, que ela ajudou a converter em um libertário. Uma colaboração de décadas floresceu.

No início da década de 1940, Paterson orientou a russa Ayn Rand que, 19 anos mais jovem, juntou-se a ela semanalmente quando ela revisava as páginas tipográficas de suas resenhas de livros do Herald Tribune.

Ela apresentou a Rand muitos livros e ideias sobre história, economia e filosofia política, a ajudando a desenvolver uma visão de mundo mais sofisticada. Assim, quando o romance de Rand, The Fountainhead, foi publicado, Paterson o promoveu em várias colunas do Herald Tribune.

Em Janeiro de 1961, aos 74 anos, Isabel Paterson faleceu, e foi enterrada em uma igreja histórica, situada em Burlington, Nova Jersey. Seu biógrafo, Stephen D. Cox, a descreveu como a “primeira progenitora do libertarianismo como o conhecemos hoje”.

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Jim Powell

Por:

Jim Powell é expert em História da Liberdade e é membro do Cato Institute

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