O intervencionismo é a maior ameaça ao meio ambiente

Se quisermos uma verdadeira alternativa aos combustíveis fósseis que ajude o meio ambiente; reduza emissões de CO²; e fortaleça o bem-estar global, ela só virá do livre mercado. Por esse motivo, o intervencionismo é a maior ameaça ao meio ambiente que temos.

A evidência histórica e os incentivos econômicos mostram-nos que o intervencionismo e o socialismo nunca protegeram a natureza. Eles apenas usam-na como subterfúgio para aumentar o controle da economia, enquanto subsidiam poluidores sob a desculpa de “gerar empregos” e usando o termo “setores estratégicos”.

O intervencionismo, de fato, coloca todos os obstáculos para a inovação tecnológica e os desenvolvimentos disruptivos.

Primeiro, porque a tecnologia e a competição reduzem o poder governamental no tocante à formação de preços e à solidez da economia. Isso significa que o estado é quem escolhe os vencedores e os perdedores, assim como quando, onde e como empregar o dinheiro.

Em segundo lugar, porque tecnologias disruptivas são desinflacionárias e não permitem que os governos encham empresas de cargos políticos em conglomerados ineficientes e controlados pelo poder político. O motivo fundamental de porque o intervencionismo nunca defenderá o meio ambiente e a inovação é que ele detesta a competição e a tecnologia, que, por sua vez, enfraquecem seu poder.

Entretanto, nos protestos que vemos na mídia no Ocidente, é ensurdecedor o silêncio sobre as economias mais interventoras, controladas por governos e suas empresas, que são os maiores poluidores do mundo.

Por isso é triste que algo que todos deveríamos apoiar — a proteção da natureza — torna-se um instrumento de propaganda. Assim como, vários outros objetivos compartilhados por muitos, que servem para encobrir as formas mais deploráveis e absolutas de intervencionismo.

O intervencionismo nunca protegeu o meio ambiente

Isso não é sobre proteger o meio ambiente, mas sim sobre proteger o rent-seeking político, que é atrativo para os políticos mais intervencionistas, porque é a única maneira de continuar exercendo um poder que escapa às suas mãos quando há competição de verdade, melhorias tecnológicas e transparência.

A verdade é que os sistemas intervencionistas nunca defendem a proteção do ambiente, mas sim visam apropriar a bandeira ambientalista para fazer o oposto, e depois culpar o inimigo externo mais próximo. Na prática, a politização da ação climática não defende a natureza e ainda acoberta o intervencionismo. E isso explica o silêncio sobre o histórico ambiental de regimes altamente intervencionistas, como a China e o Irã.

Recentemente, a China aprovou a construção de mais capacidade instalada de carvão para os próximos 12 anos do que toda a capacidade atual dos Estados Unidos e quase o dobro em relação à União Europeia. Enquanto isso, o Irã é o país que mais subsidia energias fósseis.

Países mais intervencionistas são os mais poluidores

Os maiores subsídios para a poluição são (surpresa!) todos em países com baixa liberdade econômica, governos com controle máximo da economia e com empresas estatais. Dos 147 países que ratificaram os acordos ambientais mais recentes, em mais de 90%, as empresas e setores poluidores são 100% públicos. Nisto, incluem-se os produtores dos petro-estados, as maiores usinas de carvão, siderúrgicas, etc.

É claro que é muito fácil ser um “ativista” em economias abertas, protestando contra empresas de capital aberto, que são a solução, não o problema. É muito fácil aumentar os impostos dos cidadãos com uma desculpa ambientalista, enquanto subsidia os setores mais poluentes.

Você não acha incrível que países que dizem-nos que têm um comprometimento ambiental inquestionável tenham, ao mesmo tempo, refinarias e usinas a carvão como grandes pilares do investimento estatal para os próximos dez anos?

Não porque eles precisam — já que esses são dois setores com excesso de capacidade a nível global. Isso é feito, porque o que os intervencionistas promovem é, por definição, um elefante branco. Eles constroem coisas pelo mero fato de construí-las.

Quando a competição é ignorada ou rejeitada e a lógica econômica no investimento é abandonada, os governos nunca promovem a mudança, mas apenas disfarçam ineficiências com palavras bonitas.

Esses ativistas — não todos — que atacam empresas inovadoras e economias abertas, que são a solução, não o fazem por falta de informação ou ignorância. Eles fazem-no, porque seu objetivo é diferente.

Alguns ativistas da causa climática ficam contentes em juntar-se a governos totalitários, teocracias e ditaduras (poluentes ou não) para destruir o pouco que resta do livre mercado no mundo ocidental, que é afogado precisamente pelo intervencionismo.

A incoerência dos ativistas pelo meio ambiente em abraçar o intervencionismo

Alguns ativistas climáticos parecem viciados em atacar empresas que têm sucesso em tecnologias de ponta, sustentabilidade e mudança ambiental. Isso porque o objetivo não é ter campeões eficientes capazes de liderar criando empregos, fortalecendo suas posições e crescendo no mundo.

O objetivo é expropriá-los para substituí-los por cargos políticos, exatamente o que tem levado petrolíferas estatais a destruir valor e eficiência e perpetuar o excesso de capacidade.

Não é que os intervencionistas são insensatos ou incoerentes quando se trata do seu silêncio para com a Venezuela, a China ou o Irã e seus ataques a empresas americanas que melhoram o meio ambiente inovando e crescendo. Seu objetivo é que a competição e a inovação privada, os dois fatores que continuarão a melhorar o mundo, reduzir a pobreza e criar riqueza, desapareçam.

Essa é a parte triste sobre os políticos que se consideram progressistas e, na realidade, são regressistas. O que querem é que existam conglomerados estatais que afundem a competitividade e distribuam posições por designação política. Essa é a fórmula perfeita para aniquilar a inovação e a mudança.

Há apenas dois meios para resolver os desafios ambientais: competição e tecnologia. Nenhum governo obcecado pelo poder e pelo controle de preços defenderá essas opções. Eles eliminá-las-ão. E isso já está acontecendo em um país perto de você. 

A correlação entre liberdade de mercado e proteção ambiental

Governos intervencionistas querem inflação e controle. Porém, tecnologia e competição destroem esses dois fatores. E elas podem ocorrer apenas em um sistema capitalista onde o incentivo para inovar é premiado pelo sucesso e pela destruição criativa dos setores obsoletos.

Assim, o crescimento dos setores produtivos e inovadores gera mais bem-estar e melhor qualidade de vida para todos. Isso só é possível no capitalismo. Portanto, a liberdade econômica é a única garantia de proteção ambiental.

A descarbonização é imparável, mas ela seria ainda mais rápida sem as armadilhas daqueles que hoje se apresentam como os salvadores da Terra. De fato, eles querem taxar os cidadãos para perpetuar os “campeões nacionais estratégicos” que são poluidores.

A tecnologia e a competição podem levar-nos à descarbonização ainda mais rápido e eficientemente. Mas elas reduzem preços e diminuem o poder estatal, duas coisas que o estado odeia.

Apenas mercados livres podem dar a solução aos desafios climáticos.

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Daniel Lacalle

Por:

Daniel Lacalle é PhD em Economia e gestor de fundos da Adriza International Opportunities.

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