Estudo mostra que as perspectivas de prosperidade no Brasil são as piores desde 2007

O Brasil caiu novamente no Ranking de Prosperidade do Instituto Legatum de 2020. Desde 2010, o país saiu da 56ª colocação para a atual 70ª posição entre 167 países analisados, o pior resultado do país desde a primeira edição do estudo, em 2007. Levando em consideração apenas os países da América Latina e do Caribe, o Brasil é considerado apenas a 10ª nação mais próspera.

Como motivos desse resultado, o índice acusa uma crise institucional caracterizada pela perda de confiança nas instituições e uma deterioração econômica grave que acometeu o país nos últimos 10 anos. Afinal, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro de 2019 era 7,4% menor que o de 2013 (ano do início da recessão). Isso afeta negativamente o resultado na medida em que as entidades públicas oferecem confiança para investimentos internos e externos.

Além disso, economias abertas incentivam a inovação, os investimentos e intensificam o mercado de capitais. Dessa forma, promovem acordos comerciais internacionais, aumentando a participação do comércio no PIB, levando ao crescimento. A partir desse cenário, há maior qualidade de vida na sociedade e maior  tendência à prosperidade. 

Porém, o Brasil não segue essa lógica, sendo uma das economias mais fechadas do globo, com falta de liberdade econômica e ambiente de negócios hostil à geração de riqueza.

Metodologia do Ranking de prosperidade 

A proposta desse levantamento é servir como um guia para os líderes políticos em suas tomadas de decisões, além de orientar investidores e líderes de companhias acerca do potencial dos países analisados. Outra finalidade importante é a de indicar possíveis caminhos para mitigar os impactos da Covid-19 na economia e na vida das pessoas.

O levantamento analisa a performance dos países segundo 12 pilares, esmiuçados por outros 66 elementos específicos na área das políticas públicas. Isso tudo visando oferecer uma visão acessível e ampla dos caminhos rumo à prosperidade.

Nessa lógica, os 12 pilares são divididos em 3 domínios: “Sociedades Inclusivas” – Segurança; Liberdade Individual; Governança; Capital Social -, “Economias Abertas” – Ecossistema para Investimentos; Condições para Empreender; Acesso ao Mercado e Infraestrutura; Qualidade Econômica – e “Pessoas Empoderadas” – Condições de Vida; Saúde; Educação; Meio Ambiente.

Nesse sentido, a nota usada para classificar as nações se dá por intermédio da média simples desses 12 fatores, em uma escala de 0 a 100. 

A prosperidade no Brasil

No caso brasileiro, o pilar com pior avaliação é “Condições para Empreender”. Esse ponto considera a liberdade nos empreendimentos, a concorrência do mercado interno, a regulamentação econômica e a flexibilidade das  leis trabalhistas. O país está apenas na 121ª posição nesse indicador.

Assim, o Brasil está mal colocado em todos os pilares do domínio Economias Abertas. Há tendência positiva apenas no indicador “Ecossistema para Investimentos”, no qual o país subiu duas posições desde a edição passada, em 2019.

Além disso, o pilar “Acesso ao Mercado e  Infraestrutura” apresenta situação parecida: somente a 91ª posição. Esse indicador leva em consideração as distorções do mercado interno, as barreiras alfandegárias, o grau de abertura da economia, a transparência, a disponibilidade de recursos e os meios de comunicação disponíveis.

Em Sociedade Inclusiva o pilar com pior desempenho foi “Capital Social”, que analisa o grau de confiança nas instituições, a participação civil e o relacionamento entre indivíduos, empresas e instituições. Nesse sentido, o país está posicionado na 119ª colocação. Entretanto, o cenário já foi pior: desde 2018 o Brasil subiu 21 posições.

Por outro lado, na dimensão Pessoas Empoderadas está o pilar em que o Brasil melhor se posiciona, “Meio Ambiente”. O país encontra-se na 12ª posição nesse indicador, uma a mais que na edição passada do estudo. Esse pilar observa características do país como a emissão de compostos tóxicos, a poluição do ar, os esforços para a preservação ambiental e os atributos naturais do local. 

Como possibilitar mais prosperidade no Brasil

Países livres economicamente são, via de regra, mais prósperos. Dentre os 10 primeiros colocados na classificação geral do levantamento, por exemplo, nenhum está além da 20ª posição do pilar “Condições para Empreender”. Ou seja, quão maior a liberdade para desenvolver o próprio negócio, maior tende a ser a qualidade de vida das pessoas que vivem na região.

O desafio brasileiro para melhorar as perspectivas de prosperidade centram-se na melhoria do ambiente de negócios, o que passa necessariamente por uma agenda de reformas estruturais: equilíbrio fiscal, desburocratização, privatizações, melhoria de marcos regulatórios e combate à corrupção.

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Por:

Head de Conteúdo do Ideias Radicais.

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