Ideias Radicais: o que vamos fazer em 2022

É bem compreensível que o cenário político de 2022 nos deixe preocupados. Porém, quando olhamos o longo prazo e todas as possibilidades de atuação que temos hoje, o cenário muda. Temos tempos difíceis à frente, mas venceremos.

Minha atuação — e a do Ideias Radicais como um todo — em pensar eleições e política no Brasil é a mesma desde que entrei nesse jogo em 2016: apoiar quem defende a liberdade, trabalhar para o longo prazo e entrar nas batalhas onde podemos fazer a maior diferença. Não tenho qualquer fiapo de interesse no menospiorismo, em meios acordos ou em desvios dessa rota.

Pensamento de longo prazo

Aprendi com Lula e Zé Dirceu. Um de seus maiores erros foi insistir em uma estratégia de compra de apoio, em vez de produzir sua própria base. Quando foi eleito em 2002, Lula teve a maior bancada da história do PT, e ainda assim seu desempenho legislativo foi pífio. Elegeram uma bancada de 91 deputados do PT, que somados a PDT, PSB, PPS e PCdoB, somavam 161, menos do que os 171 necessários para evitar um impeachment. É muito mais do que o maior partido da Câmara hoje, o PSL, com 55.

A resposta que encontraram foi lotear o governo em troca de apoio, e montar dois enormes esquemas de corrupção para pagar pelos votos do centrão. Como resultado, abasteceram aqueles que não concordavam com princípios, apenas com preços. Com isso, conseguiram uma coisa ainda mais admirável: encolher todos os anos. Sua bancada caiu para 83 em 2006, deu um repique irrelevante para 86 em 2010, 69 em 2014 e ridículos 54 em 2018. 

É preciso entender a dimensão desse fracasso com clareza. O PT tinha um vácuo de oposição em 2002, e dali em diante teve controle absoluto do orçamento discricionário do Brasil, um boom de commodities, duas ondas de bolhas internacionais para surfar, controle do sistema educacional, um controle cada vez maior do Judiciário via o Supremo Tribunal Federal, até ter controle efetivo completo nos anos recentes, e uma imprensa submissa, salvo por algumas vozes corajosas. Isso sem contar bilhões de reais desviados e desaparecidos, que garantiram o caixa de eleições por possivelmente mais de uma década. E, ainda assim, conseguiram encolher sua bancada e alimentar um amontoado de genéricos do Centrão, que eventualmente votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. 

A derrocada do petismo, e o que podemos aprender com ela

Como? Como alguém dispõe de tantos recursos e uma situação tão favorável, e termina com uma completa porta como presidente, seu líder máximo preso e uma bancada de 10% do Congresso Nacional?

O PT apostou em meios acordos, em trazer um Centrão, em se sentir confortável no poder. Além disso, Lula tem um comportamento que salvou o Brasil: Lula não tolera que outra estrela brilhe que não seja a dele. O PT sistematicamente encolheu lideranças emergentes, insistiu na defesa de uma pessoa e não de ideias, e se cercou de quem concordava e adorava, ao invés de dizer verdades duras. Não é uma estratégia de estrela-do-mar, mas de centralização.

Foi assim que uma porta assumiu uma sucessão de Lula, e prontamente botou tudo a perder devido a sua inépcia política e social. Foi assim que o PT ficou sem alternativas quando Lula foi preso, e tiveram que colocar como candidato o equivalente a uma sopa de batatas fria e sem tempero para concorrer em 2018. Tão forte era a liderança dele que seu slogan principal era “Haddad é Lula”. Seu melhor ponto era ser um testa de ferro para um detento.

Os erros do bolsonarismo, e o que podemos aprender com ele

Faço essa retrospectiva para que você entenda o quão ruim esse partido é, não só na sua moralidade e ideário, mas em ganhar eleições. Tiveram Lula, sim. Contudo, sua estrutura maior tem apenas a função de servir para a honra e glória de Lula, e por isso é fraca e vai perder (no médio e longo prazo). Um dos maiores erros dos opositores do petismo é superestimar a capacidade desse partido. A sorte que tiveram foi encontrar como oponente alguém ainda mais intelectualmente inepto: Jair Bolsonaro. Essa sorte não será eterna. 

Duas lições devem ser aprendidas aqui. 1) Apenas quem concorda com seus ideais e valores estará com você nas horas difíceis. Dado que consertar o Brasil e colocá-lo no caminho da liberdade é, por definição, uma constante hora difícil, devemos investir apenas em quem concorda com nossas ideias; 2) Sem uma base de lideranças fortes, um movimento depende de sua cabeça, e rapidamente se transforma em um movimento dedicado a servir essa cabeça.

É por isso que tenho estritamente nenhum interesse em quem não defende liberdade, e por isso que invisto tanto em desenvolver um movimento amplo, independente e resiliente. É por isso que me recusei terminantemente a apoiar Bolsonaro e seus patetas associados em 2018, e me recusarei novamente a isso. Entendo que você esteja cogitando dar esse apoio por medo, mas peço que você entenda algo muito simples: eles falharão e você será traído. É o que já aconteceu, aliás. Todos os seus esforços depositados naquele movimento serão perdidos.

Defenderemos a a liberdade como princípio, sempre

Em 2022 apoiarei candidatos que defendem a liberdade no Legislativo estadual e federal, e alguns candidatos a governadores. No Legislativo federal, trabalharemos para construir a maior bancada possível de nosso movimento, e que seja a maior muralha de defesa contra Lula. E sim, eu presumo que Lula tem grandes chances de vencer em 2022. Não vejo qualquer cenário onde Bolsonaro saia vitorioso, e mesmo que ele ou outro candidato ganhe, isso não muda o fato de que a melhor coisa que podemos fazer é abarrotar o legislativo com defensores de liberdade. Me preparo para o pior cenário possível. Se algo melhor vier, que bom!

E não se enganem, Lula virá com todas as forças buscando a dominação política. É triste ver a inocência de muitos que insistem que teremos paz, amor, democracia e reformas. Lula já jogou pela dominação e perdeu duas vezes, e sabe que dessa vez não pode errar. Ele precisará rapidamente mobilizar a estrutura do estado para comprar apoio político no Centrão, precisará controlar o discurso das oposições nas mídias e redes sociais, precisará colocar programas “econômicos” de compra de votos e apoio político. E estaremos lá para atrapalhá-lo todos os dias, em todos os campos, em todos os projetos.

O problema de Lula é que ele não assume um Brasil sustentável. O Brasil de 2002 ainda tinha tolerância para aumentos de impostos, de gastos, do funcionalismo e do intervencionismo. Além disso, fizeram uma estratégia de seguir o Plano Real no primeiro mandato de Lula, construindo enormes superávits primários, avançando algumas reformas, como a Lei de Falências e a Reforma da Previdência, essa última que gerou resistência dentro de uma ala mais extrema no PT que após expulsa, se tornou o PSOL. Essa situação permitiu que a lambança do segundo mandato de Lula e do primeiro mandato de Dilma tivessem um prazo de validade maior.

A maré virou

Porém, a absoluta incompetência e corporativismo de Bolsonaro entregarão um Brasil muito fragilizado. Estamos em 80% de dívida em relação ao PIB e indo rumo a 100%. A inflação saiu do controle, os gastos já estouraram há muito tempo, não há espaço no orçamento para expansão, nem há espaço ou tolerância popular para mais impostos. Lula não terá de onde tirar recursos para compra de votos, não terá um boom econômico para alegar que ajudou a economia, e enfrentará uma oposição muito mais mobilizada. 

Além disso, parte de seus eleitores estão o apoiando apenas por não ser Bolsonaro. Sabem que ele e seu partido são irrecuperavelmente corruptos, mas conseguem de alguma forma justificar o voto neles dizendo que “Bolsonaro é pior”, “genocida”, “maluco” e assim por diante. Assim que Bolsonaro não for mais situação, esse eleitor terá que confrontar o ex-detento que ele colocou no poder, e com o tempo voltará aos seus sentidos e racionalidade básicos.

O mesmo aconteceu com Bolsonaro. É extremamente comum hoje ver eleitores dele arrependidos, justificando que estavam com medo de Haddad, medo pela democracia, ou que “votaram no Paulo Guedes” e se decepcionaram. Será o mesmo com Lula. 

E lá nós estaremos. Lá estarão os mandatários que defendem a liberdade, assentados em princípios e em ideias, oferecendo alternativas e barrando insanidades. É o que aconteceu em Portugal e levou a um crescimento de quase quatro vezes na votação da Iniciativa Liberal. É o que aconteceu na Argentina, levando a votação pesada em um candidato abertamente anarcocapitalista e 7% dos votos nacionais em sua coalizão, bem como a certeza de que virão ainda maiores na próxima eleição.

Eles cresceram, nós cresceremos. Esse movimento não irá parar pois nem Lula nem Bolsonaro possuem a capacidade de resolver os problemas do Brasil. Os piores chegam ao poder, e enquanto eles ou seus postes estiverem no poder, este país estará numa constante crise, nos dando a oportunidade de espalhar nossas ideias.

O legislativo como trincheira

O que nos leva ao futuro e aos próximos passos. A bancada federal será nossa primeira linha de defesa. A segunda está nas bancadas estaduais e governadores. Aprendemos em 2020 e 2021 o quanto os governadores conseguem atrapalhar algo quando querem, e o quanto deputados estaduais podem influenciar na legislação local. Além disso, temos as vitrines.

O governo Romeu Zema foi fantástico ao pegar um estado falido e inviável e botá-lo em ordem em três anos, atraindo uma quantidade brutal de investimentos e atualmente tendo um desemprego menor do que São Paulo. Ainda temos apenas um ano em Joinville com Adriano Silva, mas a taxa de aprovação recente de 88% fala muito alto. Teremos resultados para mostrar em Minas Gerais, e possivelmente em Santa Catarina com Tramontin, São Paulo com Poit, Rio de Janeiro com Ganime e Piauí com Wallace. Apenas uma vitória além de Minas Gerais já nos dá argumentos mais que suficientes para enfrentar uma nova batalha em 2026.

No meio disso tudo, temos as eleições municipais de 2024. Sem dúvidas vários dos atuais vereadores eleitos em 2020 se tornarão prefeitos, e temos condições plenas para emplacar centenas de vereadores pelo Brasil. O Gabinete da Liberdade tem sido um bastião muito forte nesse processo. Isso é importante porque boa parte do mecanismo de eleição do Centrão é o fisiologismo e mobilização do interior, em vácuos políticos onde o apoio do prefeito decide a maioria dos votos da cidade.

Como chegaremos em 2026? Certamente o Brasil estará numa situação pior do que a atual economicamente, politicamente e institucionalmente. Vários dos vereadores eleitos em 2020 subirão à federal, junto com os estaduais eleitos em 2022. Teremos os bons resultados dos executivos eleitos em 2022 e 2024, e ainda mais experiência em fazer bons mandatos e eleições. Nós continuaremos a melhorar, e eles continuarão errando. 

Considerações finais

Não me preocupo com a retomada do PT. Já tiveram tudo para dominar este país completamente, e falharam. Hoje possuem muito menos força, não se renovaram e assumirão um país na berlinda. A coisa fica ainda menos preocupante se a extrema-esquerda fizer o favor de fazer o que sempre faz: sair da toca, ser radicais, falar intermináveis baboseiras e proferir ameaças, e assustar todo mundo. 

Investiremos nossos esforços em criar lideranças, comunidades e redes dentro do movimento da liberdade.

A partir do Lideranças Radicais, já treinamentos CENTENAS de lideranças que estão preparadas para elevar o nível de suas entregas, seja na iniciativa privada, seja no terceiro setor, seja no setor público e na política formal. E constinuamos treinando. Se inscreva para a próxima turma aqui.

Nosso canal e o site do Ideias Radicais batem milhões de views, com conteúdos, desde introdutórios a mais profundos, a fim de espalhar as ideias da liberdade e atraírem ainda mais nomes para nossos princípios e valores — tal como você chegou aqui —, e também a aprofundarem conteúdos para tornar lideranças cada vez mais preparadas tecnicamente e bem informadas. Nossas redes sociais estão mais fortes do que nunca.

Elegeremos o máximo possível de representantes no legislativo. Resistiremos a qualquer movimento dos estatistas com cada vez mais conhecimento e qualidade. Continuaremos crescendo este movimento que já calou todos os que duvidaram, e venceremos. O estado não consegue atender as demandas da população, e a esquerda vai acelerar ainda mais o colapso do estado brasileiro. Estaremos prontos para responder.

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Raphaël Lima

Por:

Fundador e CEO do Ideias Radicais.

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