Por que as Grandes Fomes já são uma coisa do passado

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Por que as Grandes Fomes já são uma coisa do passado

Os mercados permitiram ao Ocidente um crescimento econômico sem precedentes, que elevou os padrões de vida ano após ano. Muitas vezes esquecemos que coisas que consideramos itens do dia a dia, nem mesmo os mais ricos entre nós possuíam 100 anos atrás.

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Esses novos padrões de vida também significam que algumas coisas ficam para trás. As crises existenciais que ameaçaram a sobrevivência do homem há centenas de anos são desconhecidas pela maior parte do mundo desenvolvido hoje.

Fomes

Um desses horrores esquecidos são as fomes. Durante esses eventos, não só falta comida para você, mas até mesmo seus vizinhos e amigos.

Os campos estão vazios. As pastagens estão vazias. Os silos estão vazios. Os mercados estão vazios. Os estômagos estão vazios. Essa situação pode persistir por vários meses antes que mais alimentos comecem a chegar da colheita. Até então, vazio.

Cornelius Walford escreveu um livro em 1879 intitulado The Famines of the World. Ele oferece um breve, mas angustiante vislumbre de como era o passado.

O início do livro nos dá uma lista de cada uma dessas fomes registrada antes da publicação do livro, começando em 1708 a.C. Uma breve descrição é fornecida com cada entrada na lista.

Um dos primeiros registros diz: “Em 436, milhares se jogaram no Tibre.” A maioria dos primeiros registros carece de detalhes, considerando que geralmente temos informações muito limitadas, mas assim que você chega à Idade Média, os detalhes começam a surgir. Aqui estão alguns destaques:

  • Irlanda 963-64: Uma fome intolerável, “que fez com que pais vendessem seus filhos por comida”.
  • Inglaterra 1073: Fome seguida de mortalidade tão violenta que os vivos não podiam cuidar dos enfermos, nem enterrar os mortos.
  • Irlanda 1586: “Diz-se que carne humana foi comida.”

Esta não é a única referência ao canibalismo, infelizmente. Ele é relatado em várias entradas. Além disso, este é provavelmente um dos livros mais deprimentes que você poderia ler, mas serve como um lembrete valioso.

O que mudou?

Acima estão apenas alguns exemplos, mas existem centenas de fomes listadas por Walford. Seu grande número é compreensível. Durante séculos, bastava uma colheita ruim para destruir uma sociedade por muitos anos.

Para nossas mentes e confortos modernos, é difícil imaginar que você possa, a qualquer momento, estar a uma péssima colheita de ter seu mundo jogado de cabeça para baixo. Em nosso mundo, a comida simplesmente existe. Além de alguns eventos ocasionais, como um desastre natural que limpa as prateleiras dos supermercados, nunca pensamos se podemos conseguir comida ou não.

Para afirmar o óbvio, algo mudou fundamentalmente de então para agora. Como passamos da realidade passada da história de Walford para nossa realidade atual de conforto?

Obviamente, temos mais comida agora do que antes. Estamos apenas plantando mais alimentos? Sim, mas a resposta é muito mais complicada do que isso.

Em nossa era moderna, temos transporte, infraestrutura, tecnologia e equipamentos capazes de sustentar um grande número de pessoas.

Não apenas para o processo de cultivo do alimento em si, mas para embalagem, transporte, preservação e tudo o mais que o leva da terra ao corredor na loja. É essa infraestrutura e equipamentos modernos que nos dá a capacidade de produzir grandes quantidades de alimentos.

Isso significa que a solução para a fome foi apenas uma tecnologia melhor? Afinal, vivemos em uma era de milagres tecnológicos. Podemos fazer coisas hoje que pareciam impossíveis 100 anos atrás.

Por que a tecnologia não pode simplesmente nos dar mais comida? A tecnologia, no entanto, é uma resposta fundamentalmente vazia para essa pergunta.

Não é a tecnologia, é o capitalismo

A tecnologia em sua forma mais pura, o conhecimento, é simplesmente teórica. Ter a planta para construir uma casa não te dá uma casa. O que é necessário são os materiais reais para construí-la. Um aumento na quantidade de materiais é o que realmente é necessário para ajudar a aumentar a riqueza real. Como isso ocorre?

Eis o que os economistas chamam de capital. O capital é usado na produção para ajudar a aumentar a produtividade do trabalho. Ter um martelo certamente aumenta a produtividade em pregar madeira.

A mágica do capital é que, com a mesma quantidade de trabalho, posso ser mais eficiente. Isso significa que, com a mesma quantidade de trabalho, posso produzir mais bens com o mesmo insumo do que antes.

O capital é acumulado pela poupança. Se eu decidir gastar todo o meu tempo e trabalho em bens de consumo, então meu trabalho sempre renderá a mesma quantidade de bens.

No entanto, se eu decidir gastar parte de meu trabalho em ferramentas ou equipamentos, em vez de em algo que possa consumir diretamente, o trabalho em bens de consumo se torna mais produtivo a partir desse ponto.

Aumento de riqueza requer direitos de propriedade

Por que o capital não foi acumulado em eras passadas? Certamente era, mas o processo de acumular mais e mais capital era frequentemente frustrado pela falta de algo importante: direitos de propriedade.

Se eu gastar tempo e energia para criar mais capital, mas ele for levado ou destruído por causa de violações de direitos de propriedade, de que adianta? Por que eu iria passar pelo aborrecimento se não posso aproveitar os benefícios do aumento da produtividade?

Somente quando os direitos de propriedade estão firmemente estabelecidos é que o capital pode começar a se acumular. O liberalismo clássico atingiu a predominância nos séculos 18 e 19, levando a fortes direitos de propriedade e políticas de laissez-faire.

Previsivelmente, isso levou a um aumento nos estoques de capital e uma elevação concomitante no padrão de vida. Esses aumentos sem precedentes no padrão de vida costumam ser chamados de “Revolução Industrial”.

As riquezas desfrutadas por nós hoje não são permanentes. Se ocorrer uma regressão nos direitos de propriedade, começaremos lentamente a regredir de volta à vida de nossos ancestrais. É uma maldição para os economicamente prósperos que, muitas vezes, esquecemos como nos tornamos tão prósperos em primeiro lugar.

A acumulação de capital sob fortes direitos de propriedade nos deu o que temos hoje e, sem ela, ainda estaríamos vivendo nas realidades passadas de fomes, doenças e vivendo o tempo todo a apenas alguns passos da morte.

As pessoas fariam bem em não considerar essa prosperidade como garantida. Se houver fome no pensamento econômico sólido, as fomes em nossos campos virão mais uma vez.

JW Rich é estudante de economia.

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Por | 2020-09-08T08:48:30-03:00 08/09/2020|Economia|Comentários desativados em Por que as Grandes Fomes já são uma coisa do passado