3 tendências que moldam o futuro das cidades na África

O futuro da África será feito de cidades, urbano. O aumento do crescimento populacional e a rápida urbanização estão contribuindo para o aumento das megacidades em vários países. Em 2050, a previsão é de que o continente abrigará 10 megacidades com 156 milhões de habitantes.

Da mesma forma, daqui a 29 anos, a população total da África dobrará e a parcela global de residentes urbanos africanos aumentará para 20,2%, ante os 11,2% registrados em 2010. Como as cidades são centros de atividade comercial, 18 grandes cidades africanas terão um poder de compra combinado de US$ 1,3 trilhão na próxima década. Na verdade, espera-se que as megacidades gerem 15% do PIB mundial.

Portanto, não é surpresa que os investidores e legisladores africanos estejam gradualmente reconhecendo o poder econômico das cidades e aumentando os investimentos em novos empreendimentos urbanos.

Conforme esses projetos surgem, aqui estão três tendências principais que moldarão o futuro das novas cidades da África.

1. Incorporadores privados financiarão amplamente novas cidades

O investimento total em novas cidades africanas é de quase US$ 115 bilhões, com a maior parte, cerca de 75%, vindo do setor privado. Os investidores privados estão perfeitamente cientes dos desafios que estes empreendimentos enfrentam, como infraestrutura precária, superlotação e poluição sonora e atmosférica. No entanto, há grandes expectativas para o futuro das cidades na África.

Afinal, ao construir novas cidades do zero, os incorporadores privados podem garantir que os residentes de suas cidades tenham acesso a boa infraestrutura, baixa poluição e um ambiente seguro. Para bancos privados, empresas de investimento e corporações multinacionais, o desenvolvimento de novas cidades é um investimento lucrativo.

Por exemplo, o Eko Atlantic de Lagos, apelido dado à resposta da África a Dubai, é um projeto de US$6 bilhões financiado pela South Energyx Nigeria, um conglomerado empresarial com sede em Lagos.

Projetos urbanos com financiamento privado são encontrados em todo o continente, desde Beau Plan Smart City, nas Ilhas Maurício, até Kiswishi City, na Zâmbia, e Nkwashi City. Assim, espera-se que muitas dessas cidades hospedem pelo menos 200 mil residentes.

Em suma, essas novas cidades privadas não são apenas residenciais, muitas vezes, elas incluem parques industriais e centros comerciais. Isto é, ao atender à classe média africana emergente, eles podem servir como blocos fundamentais para o desenvolvimento econômico.

2. Novas cidades estão se transformando em zonas econômicas especiais (ZEEs)

A má governança e a corrupção atrofiaram o crescimento de muitas cidades africanas e dificultaram a atração de investimentos nacionais e estrangeiros necessários. Mas as zonas econômicas especiais (ZEEs) são uma solução promissora.

Em todo o mundo, os países (principalmente a China) criaram ZEEs para gerar riqueza, criar empregos e atrair investimentos, servindo como ferramentas significativas para o desenvolvimento econômico.

Assim, como estas áreas normalmente operam sob regras de maior transparência e sistemas de governo eficazes, os novos incorporadores de cidades estão procurando localizar suas cidades em ZEEs.

Em geral, as ZEEs incluem zonas de livre comércio; parques industriais, parques de alta tecnologia; zonas turísticas e recreativas e parques de serviços comerciais.

Em 2017, a Tatu City de US$18 bilhões do Quênia adquiriu o status de ZEE e foi recentemente nomeada uma Área de Planejamento Especial. Tal disposição melhorará a governança, permitindo que os incorporadores acelerem a construção da cidade e eliminem os processos burocráticos onerosos.

O Roma Park na Zâmbia (em construção) é outro projeto de cidade com status de ZEE e já recebeu grandes empresas como a MTN em sua localização privilegiada no centro da cidade de Lusaka.

Muitas outras novas cidades em todo o continente, incluindo Konza Technopolis do Quênia, Enyimba Economic City da Nigéria, Diamniadio Lake City do Senegal, Mon Trésor das Maurícias e Kigali Innovation City de Ruanda possuem o status de ZEE.

Essas cidades podem oferecer às empresas instalações comerciais econômicas – e servir como portas de entrada para os mercados internacionais.

3. Novos empreendimentos urbanos estão explorando o valor comercial do ensino superior

Faculdades e universidades são motores econômicos. As instituições de ensino superior não servem apenas como centros de pesquisa e tecnologia, mas também produzem uma força de trabalho qualificada e educada que pode fazer crescer negócios e desenvolver grupos industriais.

Os Estados Unidos, com suas inúmeras cidades universitárias, demonstraram como essas regiões apoiam a inovação e aumentam o desenvolvimento econômico regional.

Por exemplo, Boston, apelidada de capital universitária da América, é o lar de mais de 346 mil alunos e 29 instituições de ensino superior, incluindo universidades de prestígio como Harvard e MIT.

Ao longo dos anos, Boston consolidou sua posição como um centro global de negócios, medicina e pesquisa – e continua a apoiar centenas de milhares de empregos na área.

Dessa forma, os países africanos agora estão aprendendo com o sucesso da América e desenvolvendo cidades com instituições de ensino superior em mente.

Em Ruanda, a Kigali Innovation City (KIC) está impulsionando o crescimento econômico nacional por meio da tecnologia. Ao atrair universidades e empresas de tecnologia de primeira linha para a cidade.

A KIC estabeleceu metas econômicas ambiciosas: criar mais de 50 mil empregos; gerar US$ 150 milhões em exportações anuais de TIC; e atrair mais de US$ 300 milhões em FDI ao longo do projeto.

A Carnegie Mellon University, sediada nos Estados Unidos, já anunciou planos para localizar seu primeiro campus satélite africano para o KIC. Essa mudança, sem dúvida, facilitará a colaboração e a inovação entre as indústrias e a academia da região. E isso criará um forte canal de talentos para os empregadores.

Outro exemplo é a cidade de Nkwashi na Zâmbia. Projetada especialmente para a economia do conhecimento, Nkwashi foi criada para hospedar uma Universidade dos EUA. Com foco em pesquisa, de 130 acres, uma escola internacional e nove escolas primárias e secundárias.

Estes dois exemplos de cidades em transição para cidades universitárias fornecem um modelo para outros países africanos replicarem. À medida que essas tendências continuam, elas apoiarão o desenvolvimento do cenário de ensino superior da África, desencadeando capital humano no processo.

Nesse sentido, os países africanos precisam da produtividade melhorada que as cidades trazem para alimentar seu crescimento econômico. Portanto, traduzir o futuro das cidades da África em prosperidade econômica exigirá colaboração entre investidores e formuladores de políticas africanos para permitir que essas cidades prosperem.

Investimentos adicionais em novos projetos de cidades emparelhados com políticas urbanas bem elaboradas certamente desempenharão um papel fundamental na promoção da inovação, criação de empregos e geração de riqueza em todo o continente.

Este artigo foi traduzido pela equipe de voluntários da Free Private Cities Foundation, uma organização sem fins lucrativos que promove este modelo. Você pode descobrir mais em nosso site. A publicação original em inglês pode ser encontrada aqui.

Traduzido por Rafael Leandro e revisado por Carla Araújo.

Rafael é Diretor do grupo Cidades Prósperas.

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Mark Lutter

Por:

Fundador e Diretor executivo do Charter Cities Institute.

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