5 gráficos sobre o contínuo declínio da pobreza no mundo

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5 gráficos sobre o contínuo declínio da pobreza no mundo

Angus Deaton, economista vencedor do Prêmio Nobel, já reiterou sua crença de que o mundo está melhorando. Talvez, isso não seja uma surpresa, mas a ideia de avanço em relação à pobreza é na verdade uma visão profundamente impopular.

Pergunte à maioria das pessoas sobre a pobreza global, e é provável que elas digam que está inalterada ou piorando. Inclusive, há várias explicações culturais e psicológicas para a persistência de tal pessimismo.

Por exemplo, más notícias são boas manchetes e tendem a dominar a cobertura da mídia. Já psicologicamente, as pessoas tendem a idealizar o passado e a recordar eventos dramáticos com mais facilidade do que as tendências de longo prazo.

No geral, das pessoas raras que percebem o fato de a pobreza extrema estar declinando, quase todas subestimam a extensão desse declínio. Na prática, a pobreza global caiu pela metade nos últimos 20 anos — mas apenas uma em cada 100 pessoas acerta.

Logo, não surpreende que, as pessoas mais conscientes sejam aquelas que vivem em áreas nas quais houve reduções mais dramáticas da pobreza. Contudo, mesmo na China, onde centenas de milhões de pessoas saíram da indigência nas últimas quatro décadas, metade da população permanece ignorante sobre o colapso mais amplo da pobreza mundial, que ocorreu ao longo de suas vidas.

Porcentagem de pessoas que acreditam que a pobreza global diminuiu nos últimos 20 anos

Portanto, para ajudar a preencher a lacuna existente entre as percepções do público e a realidade, aqui estão cinco gráficos. Estes são baseados nos dados coletados pelo HumanProgress.org, que ilustram o extraordinário progresso que a humanidade teve.

Geração de Riqueza

Ao longo da maior parte da história da humanidade, a pobreza extrema tem sido a norma. Este gráfico, ilustra o que aconteceu quando o Iluminismo e a Revolução Industrial fizeram com que a renda disparasse — mudando para sempre a maneira como vivemos e, talvez, até a maneira como pensamos.

A partir dai, a humanidade, como mostra esse gráfico, gerou mais produção econômica nos últimos dois séculos do que em todos os séculos anteriores juntos. E, essa explosão de criação de riqueza levou a uma queda maciça da taxa de pobreza.

Em 1820, mais de 90% da população mundial vivia com menos de US$ 2 por dia e mais de 80% vivia com menos de US$ 1 por dia (ajustado pela inflação e pelas diferenças no poder de compra). Por outro lado, até 2015, menos de 10% das pessoas viviam com menos de 1,90 dólar por dia, cujo valor representa a atual definição oficial de pobreza extrema pelo Banco Mundial.

Número de pessoas em extrema pobreza

gráfico queda numero de pessoas em extrema pobreza

Além disso, não apenas a porcentagem de pessoas pobres diminuiu, mas o número de pessoas na pobreza também caiu — apesar do imenso crescimento da população. Historicamente, também há mais pessoas vivas fora dessa realidade do que nunca.

De 1820 a 2015, o número de pessoas em extrema pobreza caiu de mais de 1 bilhão para 700 milhões, enquanto o número de pessoas em melhor situação do que isso aumentou de meros 60 milhões para 6,6 bilhões. (Novamente, de acordo com o Banco Mundial: US $ 1,90 por dia, ajustado pela inflação e diferenças no poder de compra).

Indicadores sociais

Globalmente, a pobreza é cerca de um quarto do que era em 1990. E, o gráfico abaixo foi retirado do excelente livro de Johan Norberg, Progress: Ten Reasons to Look Forward to the Future. Ele ilustra como o declínio da pobreza extrema elevou os padrões de vida e trouxe outras melhorias tangíveis. À medida que a pobreza diminui, o mesmo ocorre com a mortalidade infantil, o analfabetismo e até a poluição nos países ricos. Nesse sentido, a fome também se tornou muito mais rara.

Redução nas taxas de mortalidade infantil, fome, analfabetismo, poluição e pobreza, comparadas com 1990.

Assim, se o progresso continuar em sua trajetória atual, segundo estimativas da Brookings Institution de 2013, a pobreza extrema, – desta vez definida como vivendo com US $ 1,25 por dia -, desaparecerá até 2030, afetando apenas 5% da população global.

Isso é o que eles consideraram a “linha de base” ou o cenário mais provável. No melhor caso, eles previram que até 2030 a pobreza diminuirá para um nível verdadeiramente “insignificante”, afetando apenas 1,4% da população do planeta.

Portanto, os fatos são inequívocos: apesar das percepções do público referirem-se ao contrário, a pobreza extrema diminuiu significativamente, a ponto de seu fim estar realmente à vista. Portanto, da próxima vez que ouvir alguém lamentando um suposto aumento da pobreza mundial, incentive-o a dar uma olhada nas evidências por si mesmo.

Chelsea Follett é editora-chefe no HumanProgress.org

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Por | 2020-07-10T07:49:44-03:00 10/07/2020|Economia|Comentários desativados em 5 gráficos sobre o contínuo declínio da pobreza no mundo