5 fatos politicamente incorretos sobre educação

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5 fatos politicamente incorretos sobre educação

Os resultados do Pisa não deixam mentir: a qualidade da educação brasileira é muito ruim. Mas os problemas da área vão muito além da má formação dos professores, da má qualidade da estrutura ou mesmo da ineficiência de despesas no setor.

Aqui está uma relação com 5 importantes fatos politicamente incorretos sobre educação, que são pouco debatidos.

1. Educação formal não é garantia de bons resultados na vida

Tallis Gomes, fundador do Easy Taxi e da Singu, foi considerado um dos jovens mais inovadores do mundo pelo MIT. Mas, ao contrário das expectativas, ele não concluiu sua graduação, assim como Mark Zuckerberg.

Embora possa soar, isto não é uma crítica à educação formal, mas apenas uma constatação. Seguir a escada da escolarização, do primário até a universidade, não garante por si só boas oportunidades de emprego, grandes salários ou mesmo aprendizagem.

Bem como, não significa que Tallis e Zuckerberg, entre outros grandes empreendedores, não continuaram os estudos por desprezo à educação.

Inclusive, todos eles estudam muito, mas fora da sala de aula e longe da formação tradicional. Por esse motivo, a lição aqui é: não fique preso ao ensino tradicional.

Afinal, com acesso à internet, você pode aprender praticamente qualquer coisa. De gastronomia à programação, existe um vasto leque de conhecimentos a um custo muito baixo ou próximo de zero.

Apesar disso, a intelligentsia trata de forma muito diferente quem segue caminhos formais. Segundo eles, os outros meios são politicamente incorretos.

2. A academia não é para todos

Essa afirmação não significa que anos extras de escolarização são ruins. Porém, na prática, eles realmente não são necessários a todos, quiçá são bem desenhados às diferentes aspirações.

Enquanto estudar de 7 a 10 matérias me dava prazer no ensino médio, isto era um sofrimento para mais da metade dos meus colegas de sala. Inclusive, a maioria nunca utilizou muito do que aprendeu na vida real.

Dessa forma, diferentes aspirações demandam diferentes programas de ensino e liberdade de escolha. Às vezes, não sabemos quando algo vai ser útil ou se vale à pena aprender.

Porém, não há nenhuma evidência de que o sistema atual realmente nos faz aprender coisas para serem usadas no futuro.

Há falhas até no nível mais básico, como em relação à leitura e à interpretação de texto. Esse fato é comprovado pelo elevado índice de analfabetos funcionais que estão em faculdades no Brasil.

3. Por que o estado controla a educação

A educação produz benefícios individuais e benefícios sociais. Afinal, se todos sabem ler e fazer operações básicas de matemática, fica muito mais fácil fazer contratos e trocas, por exemplo.

Porém, há algumas décadas, burocracias tomaram o poder nos governos e decidiram ensinar determinadas visões de sociedade às pessoas. Isso foi feito ao apresentar respostas úncias às perguntas:

  • Quantos anos de educação são necessários?
  • Qual o modelo?
  • Quando começar?
  • Quais matérias a se estudar?

Com o passar do tempo, novas gerações nasceram dentro dessa lógica de que “o governo se importa”. Portanto, ir para a escola, dentro dos padrões estipulados, é uma necessidade.

Além disso, quando confrontados sobre a validade dessas premissas, esses indivíduos se tornam defensivos e rotulam quaisquer questionamentos como “politicamente incorretos”.

Ou seja, se alguém diz que o governo não se importa e que a máquina foi capturada pelos interesses corporativos dos “funcionários da educação”, essa pessoa é uma alienada.

Não à toa, um jovem que abandona o ensino médio para empreender, é abertamente tido como um risco à sociedade.

Contudo, o julgamento àqueles que defendem o homeschooling é ainda pior. Além de politicamente incorretos, esses pais são também taxados como monstros religiosos, que desejam isolar suas crianças da sociedade.

4. A defesa do utilitarismo

Suponha a seguinte situação:

O renomado economista Fredericus Mandatarius descobriu que forçar 50% dos brasileiros a ler 15 livros por ano aumente o PIB em 8% ao ano, a partir do momento em que a medida for estabelecida.

Além disso, ele também identificou quem corresponde a essa faixa da população e sabe quais livros devem ser lidos para tal efeito.

Assim, ele desenhou um programa para que as pessoas leiam, pois, do contrário, a trajetória do PIB ficará estagnada. Isto é, a leitura forçada gera uma “externalidade positiva”.

Diante desse cenário, você seria a favor de implementar o programa de Dr.
Mandatarius?

Agora, suponhamos uma situação diferente:

A faixa que precisar ler mais é composta apenas por aqueles entre 5 e 18
anos. Mas, ao invés do programa de leitura, esses jovens são colocados em prédios onde são forçados a interagir em grupos de idades similares.

Além disso, todos estão sob a supervisão de um “adulto responsável”, incumbido de autoridade. E, essas interações duram em média seis horas diárias, por pelo menos 200 dias a cada ano. Você seria a favor?

Nesse caso, você aceitaria todos os argumentos vindos “dos adultos
responsáveis” que dizem ser “os únicos que se importam com os filhos dos
pobres”?

E se os pais desses jovens exigissem pelo menos o direito de escolher em
qual tipo de prédio e com quais tipos de “adultos responsáveis” colocá-los  —,  por mais que isso reduza o “crescimento potencial” do PIB de 8% para 5%?

Basicamente, é esse o debate educacional brasileiro. Pessoas bem
intencionadas se acham no direito de forçar terceiros a abraçar seus programas preferidos.

A liberdade de escolha fica em segundo plano, porque os jovens são
propriedade da sociedade e ela deve ter o direito de fazer com eles o que bem entender.

5. A beleza dos vouchers politicamente incorretos

A política de vouchers ajuda a minimizar a influência governamental na educação, seja em relação ao financiamento, seja pela distribuição desses valores.

Por meio destes, pais e filhos podem escolher quais elementos eles valorizam mais no processo educacional. Caso a criança tenha mais aptidão para música, a família pode decidir por investir o auxílio nessa área de conhecimento.

Por outro lado, se um adolescente de 13 anos adora física, ela pode diminuir o número de aulas de história e pagar por estudos avançados sobre Newton e Einstein.

Dessa forma, cada um usa o dinheiro que o governo fornece para pagar aquilo que lhes é mais prazeroso, útil e adequado a suas próprias vidas.

Em suma, sociedades com mais liberdade tendem a ser mais ricas, harmônicas e prósperas. Ou seja, todo mundo sai ganhando com o uso dos vouchers.

Politicamente incorretos, porém livres

Potenciais ganhos não são propriedade e não são algo concreto. Assim como, pessoas não são escravos para que burocratas decidam o que elas devem fazer de suas vidas a fim de beneficiar terceiros.

O direito de autopropriedade é o mais essencial dentre os direitos humanos e, desde que não viole direitos alheios, a partir deste, cada indivíduo pode escolher o que fazer com a própria vida.

Nesse sentido, sociedades nada mais são do que conjuntos de pessoas realizando milhares de interações ao longo do tempo e através do espaço.

E, ninguém, por mais bem intencionado que seja, tem o direito de dirigir como essas relações devem acontecer e quais são as escolhas politicamente corretas.

*Davi Lyra Leite é doutor em Engenharia Biomédica pela Universidade do Sul da Califórnia e integra o Instituto Mercado Popular.

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Por | 2020-05-27T00:43:12-03:00 27/05/2020|Educação|Comentários desativados em 5 fatos politicamente incorretos sobre educação