Empreendedorismo: uma resenha do livro da McGraw Hill Education

O livro em questão é a 9ª edição de uma coleção da McGraw Hill Education, escrita por três professores PhD em áreas relacionadas aos negócios. Apesar de a obra ser didática, como um passo a passo para estudantes da área, irei me ater à primeira parte deste: A Perspectiva do Empreendedorismo.

Nós que defendemos a liberdade precisamos andar lado a lado com os empreendedores. Afinal, sabemos que é a livre iniciativa e a dinâmica do mercado que provocam mudanças relevantes em nossa sociedade.

Como dizem os autores na obra:

O empreendedorismo tem uma função importante na criação e no crescimento dos negócios, assim como no crescimento e na prosperidade de nações e regiões.

Assim como os economistas austríacos, eles também falam da existência da chamada ação empreendedora e explicam:

O segredo para entender é ser capaz de avaliar o nível de incerteza percebido em torno de uma oportunidade em potencial e a disposição do indivíduo de enfrentar essa incerteza.

Nunca devemos nos esquecer dessa definição. Principalmente no atual período da história humana, em que quase tudo é chamado de empreendedorismo.

Na prática, o empreendedor é aquele que emprega seus esforços em uma situação incerta, sendo movido pela ação empreendedora. Ou seja, não trata-se do simples — embora louvável — esforço e iniciativa no seu ramo profissional — como tem sido descrito por influenciadores de LinkedIn.

Nesse sentido, o que leva uma pessoa a tomar uma ação empreendedora é o pensamento empreendedor — e não, não vou mandar você mudar seu mindset. Todavia, o pensamento empreendedor é mesmo sobre o processo que induz o sujeito a fazer escolhas em situações inseguras, arriscadas e com considerável investimento emocional. 

Abaixo discorremos sobre os 4 etapas da ação empreendedora, dada a natureza do ambiente de tomada de decisões.

Pensamento Estrutural

É esta forma peculiar de raciocinar que faz com se perceba as oportunidades que não estão óbvias às demais pessoas e que também permite os saltos criativos para propor soluções.

Ou seja, é a capacidade de enxergar as semelhanças superficiais (quando elementos básicos da tecnologia se assemelham aos do mercado); e as estruturais (quando os mecanismos fundamentais da tecnologia se assemelham aos do mercado).

Bricolagem

Esta segunda refere-se à habilidade de “se virar”, aplicando combinações dos recursos disponíveis a novos problemas e oportunidades. Isso porque, ninguém inventa a roda do nada.

Na verdade, as pessoas percebem quais são os recursos disponíveis para solucionar o problema e a roda aparece como opção viável.

Efetuação

As pessoas costumam agir de acordo com o que a professora Saras Sarasvathy descreveu como processo de efetuação. Isto é, começam com um resultado almejado e se concentram nos meios para gerar esse resultado.

Logo, os empreendedores são capazes de adotar uma alternativa, o processo de efetuação, que inicia com o que se tem e seleciona entre os possíveis resultados. Um bom link para entender o conceito é o famoso “se a vida te der limões…”

Adaptabilidade Cognitiva

Esta competência descreve até que ponto os empreendedores são dinâmicos, flexíveis e auto reguladores. Além disso, refere-se também ao quanto eles são engajados no processo de geração de várias estruturas de decisão focadas na identificação; e no processamento de mudanças em seus ambientes para depois se guiar por essas mudanças.

É essa forma de pensar que da origem a duas palavras que estão muito na moda hoje em dia: resiliência e anti fragilidade.

Considerações finais

Em suma, as partes seguintes do livro têm muitas técnicas de empreendedorismo, que vão desde o processo de identificação de uma oportunidade até como estruturar seu plano de negócios. Há também explicações sobre a gestão de empresas emergentes.

É uma obra que não está voltada a jargões corporativismo, frases motivacionais e história de pessoas bem sucedidas. Portanto, ler Empreendedorismo é uma ótima forma de aprender skills importantes.

Por outro lado, se você se considera uma intra empreendedor — como eu — o livro ainda lhe será útil da mesma forma. Afinal, o intraempreendedor é aquele que emprega sua criatividade em benefício da empresa de outra pessoa.

Embora não seja regra, estas pessoas geralmente lidam melhor com processos e definem como estabelecer a “ação empreendedora dentro de uma organização”.

Por fim, independente de quais sejam os seus objetivos, é importante conhecer e incentivar a atividade empreendedora. De acordo com os austríacos: o empreendedorismo é o motor da sociedade. Já a burocracia com a qual estamos acostumados é nociva aos empreendedores, que ficam reféns de advogados, cartórios, contadores e políticos.

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Kaique dos Santos

Por:

Coordenador Regional da SFL no Sudeste e co-fundador do Brasil Empreende Consultoria.

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