Como o empreendedorismo pode ser instituído nas escolas

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Como o empreendedorismo pode ser instituído nas escolas

A aplicação do empreendedorismo nas escolas deve ter dois objetivos claros: potencializar e direcionar foco neste potencial humano de realizar as coisas. Porém, ainda existem muitas dúvidas sobre como e em qual formato isso deve acontecer.

Inclusive, em relação ao comportamento dos docentes, decorrente da formação que recebem no Brasil e em outros países. A partir desta, é incorporada uma postura autoritária e impositiva. Como se o professor fosse o “sabe tudo”.

Contudo, há também problemas quanto à utilidade das tecnologias e sua função no processo de inovação do ensino. Portanto, para entender como o empreendedorismo pode ser instituído nas escolas, é preciso analisar o cenário da educação como um todo.

O surgimento de novos modelos educacionais

Atualmente, quando se fala em novos modelos educacionais é possível observar que a gama de soluções transitam dentro e entre dois espectros: inovação e tecnologia. O primeiro trabalha na busca de contextualizar o ensino com conteúdo demandado das inovações oriundas dos mercados, tanto corporativos quanto sociais.

Assim como no passado ocorreu a inovação do curso de datilógrafo para o de digitador, as novas realidades dos cursos os incitam a oferecer profissionais atualizados ao mercado.

Já quanto à tecnologia, existe o esforço de criar uma tecnologia educacional, buscando associar os estudos com a melhoria da performance por meio da criação, do uso e da organização dos mais recentes recursos.

De início, deve-se entender a inovação como um processo de mercado e sua efetiva aplicação na educação. Assim como, compreender que o melhoramento tecnológico educacional não está nas ferramentas tecnológicas, mas na tecnologia que envolve o ensino em si.

Ou seja, ir além da simples adaptação de novidades tecnológicas ao velho modelo de ensino. Por exemplo, com o uso de tablets no lugar de cadernos e livros, sem o mínimo de inovação no uso destas ferramentas.

Empreendedorismo como tecnologia nas escolas

É verdade que, nas últimas décadas vem ocorrendo o aumento de inclusão de disciplinas de empreendedorismo em uma série de cursos de bacharelado. Porém, o empreendedorismo é instituído nas salas de aula como um conteúdo, e não como uma tecnologia de aprendizado.

Ao elevar-se o empreendedorismo à uma condição tecnológica, o objetivo é: compreender que é possível aplicar técnicas de ensino que conduzam os alunos a uma perspectiva empreendedora. Ou seja, independente das disciplinas elencadas nas matrizes curriculares dos cursos.

O passo de inserir disciplinas, tais quais empreendedorismo, é importante, mas não pode ser simplesmente isolado dentro do processo de ensino. Inclusive, não deve também ser instituído como uma exigência, fruto de um desencargo de consciência dos coordenadores de curso.

Uma vez que, é preciso um processo de mercado como fio condutor da inovação, a capacitação dos alunos ao empreendedorismo deve ir além da leitura de textos sobre o tema.

Métodos de ensino radicados no empreendedorismo

Na prática, a questão de desenvolver habilidades perpassa pela vivência e experiência de determinados fenômenos das áreas que se pretende estudar e ensinar. Como então ensinar empreendedorismo, quando este muitas vezes nos é apresentado como um “feeling”, um dom que não se aprende?

Este processo que simula o mundo real também transforma a escola em um ambiente inovador e gerador de inovação. Dentro de uma rede que utilize o empreendedorismo nas escolas como ferramenta de aprendizado, empreendedores surgem, independente de existir uma disciplina na grade curricular ou não.

Porém, o modelo educacional de hoje possui algumas barreiras a essas tecnologias, como os métodos de avaliação e a ausência de recompensas claras pelo aprendizado. Logo, algumas mudanças estruturais precisam acontecer primeiro.

Padronização das avaliações

As instituições deveriam abandonar os processos avaliativos de final de etapas – as famosas provas – que só provam duas coisas: a habilidade do jovem em decorar o máximo de informação. E, quão psicologicamente o aluno suporta essa pressão de ser avaliado constantemente unicamente pela capacidade de realizar provas.

Nesse sentido, o ensino deveria ser conduzido com o Ensino de Projetos, cuja avaliação depende do uso efetivo e instrumental dos conteúdos aprendidos.

Ou seja, o máximo de disciplinas possíveis – o melhor seria que fossem todas – é transformado em instrumento para a realização de projetos por parte dos alunos.

Para tanto, desafios podem ser lançados e os professores assumem o papel de tutores do conhecimento para dinamizar o acesso à informação. Ponto este muito importante para a execução do projeto.

Falta de engajamento e desconexão com a realidade

Para garantir a máxima adesão dos alunos a esse novo processo avaliativo, dá-se pela transformação das etapas do projeto em fases de um jogo. Afinal, do que adianta substituir o livro impresso, se os computadores continuam com a mesma função conteúdista?

A Gamification, ou como se diz em português “Gamificação” vem ganhando muita aplicabilidade em treinamentos empresariais e engajamento de profissionais para desenvolvimento de habilidades. E, essa inovação é ainda mais natural a jovens e crianças, os nativos digitais de hoje.

Além disso, ainda existe o Desing Thinking, cuja metodologia foi criada para pensar os problemas e encontrar soluções. Esta é uma excelente forma de abordar os conteúdos das disciplinas e condução dos projetos de ensino. Assim, cumprem-se quatro etapas: entendimento, criação, teste e aplicação. 

Em suma, as barreiras são derrubadas a medida que o protagonismo dos estudantes é incentivado, que novas habilidades são desenvolvidas e há a promoção práticas colaborativas.

Enfim, é possível ensinar empreendedorismo nas escolas

Todas essas ferramentas tornam possível o desenvolvimento empreendedor dos alunos no processo de aquisição de saberes. Visto que, isso acontece de forma ativa, garantindo o acesso às habilidades que se espera dos alunos.

A não existência de uma disciplina de empreendedorismo na matriz curricular não causa prejuízos na implantação deste como tecnologia de ensino. Entretanto, esta só terá uma contribuição efetiva caso funcione como suporte às demais disciplinas e se os professores trabalharem de forma integrada para atender aos alunos.

De acordo com a perspectiva dos pensadores da Escola Austríaca, entre estes, Hayek, Kirzner e Lacmann, o empreendedorismo pode ser ensinado, pois é algo que faz parte do processo de aprendizado do ser humano. Isto é, no que tange à sua relação com o meio em que vive.

Ou seja, a mais importante tecnologia para ser aplicada em sala de aula já está instalada dentro de cada aluno.

*Adriano Paranaiba é Editor-chefe da Revista Mises

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Por | 2020-06-08T08:16:43-03:00 08/06/2020|Educação|Comentários desativados em Como o empreendedorismo pode ser instituído nas escolas