Economia cubana: 5 coisas que você precisa saber

A economia cubana provavelmente não é o sonho de Che Guevara, mas a ilha poderá mudar muito nos próximos anos graças a uma abertura maior à livre iniciativa. Raúl Castro e agora Miguel Díaz-Canel sinalizam uma possível abertura e uma lenta reaproximação com os Estados Unidos. Em 2019, por exemplo, foi aprovada uma nova constituição que permite algum grau maior de livre iniciativa. Porém, enquanto isso não acontece, aqui estão cinco fatos importantes sobre a economia cubana que você deve saber.

1. Cuba é isolada

O país tem sido uma economia controlada, dependendo da generosidade de benfeitores como Rússia e Venezuela. Os EUA implementaram sanções contra Cuba em 1960, após a revolução de Fidel Castro transformar o país caribenho em um país satélite de Moscou, como parte de uma estratégia mais ampla da Guerra Fria contra o comunismo e a antiga União Soviética. O regime castrista conseguiu permanecer como uma fronteira comunista apesar da maior parte do resto da região ter se voltado para mercados livres. Como parte de seu isolamento econômico, Cuba rejeitou manter relações com o FMI e o Banco Mundial, ao contrário da maior parte dos 193 países do mundo.

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AGENCE FRANCE-PRESSE/GETTY IMAGES

2. Patronos em Crise

O país foi atingido por crises econômicas em seus maiores patronos, Venezuela e Rússia. Assim, Cuba precisa importar petróleo, e para isso depende muito de importações subsidiadas de Caracas. Contudo, os problemas econômicos da Venezuela pioraram, fazendo com que o país não consiga bancar o seu subsídio a Cuba. A Rússia, um dos maiores credores do país, está enfrentando seus próprios problemas financeiros. E a Europa, cujo comércio aberto com Cuba faz do continente o segundo maior mercado de exportações para o país, sofreu na última década com diversas crises e problemas no bloco da União Europeia, precisando se preocupar com riscos de instabilidades políticas e econôicas.

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A despeito do próprio equipamento, Cuba importa petróleo / AGENCE FRANCE-PRESSE/GETTY IMAGES)

3. Profundamente endividada

“A economia é uma loucura”, disse Roger Noriega, um pesquisador visitante do American Enterprise Institute e ex-Secretário de Estado Adjunto cujo mandato incluiu a América Latina e o Caribe. “Eles tem dívidas colossais” com Venezuela, Rússia, China e outros países, Sr. Noriega disse. A economia é gerenciada principalmente por empresas estatais e firmas controladas pela elite política e militar.

World Factbook da CIA estima que a economia cubana tem aproximadamente 121 bilhões de dólares, fazendo dela menor do que 67 outras economias mundiais. Com uma população de mais de 11 milhões, a renda per capita nacional bruta é de aproximadamente 5.890 dólares. Isso é mais ou menos um décimo da renda média americana e deixa Cuba atrás de países como o Turcomenistão, o Gabão e a Colômbia, de acordo com o Banco Mundial. Enquanto o governo cubano diz que sua taxa de desemprego é de cerca de 4%, a CIA diz que as estimativas não-oficiais são do dobro disso.

4. Celulares agora são permitidos

Em tempos de pobreza, Havana sabe que suas políticas fracassaram, mas teme perder o poder. “O governo continua tentando equilibrar a necessidade de abrir seu sistema socioeconômico com um desejo de manter o controle político firme,” a CIA diz.

Em 2011, o governo aprovou uma reforma econômica e lentamente tem aprovado medidas como permitir que a população possua celulares, propriedade privada de terras e mercados limitados. De acordo com o Departamento de Comércio americano, as exportações americanas para Cuba somam menos de $400 milhões por ano, em sua maior parte comida, e oficialmente existem zero exportações cubanas para os EUA.

O primeiro smartphone chegou a Cuba em 2021.

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Contudo, a partir de maiores facilidades para se comunicar, a população passou a compartilhar seu ressentimento e insatisfações, o que acabou por provocar protestos na ilha a partir de agosto de 2021, que foram duramente reprimidos pelas autoridades.

5. Potencial para crescimento

“Cuba atualmente é um desastre econômico mas existem chances de tempos melhores”, disse Gary Hufbauer, pesquisador sênior no Instituto Peterson de Economia Internacional e co-autor do livro “Normalização Econômica com Cuba, Um Guia Para Legisladores Americanos”.

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Com charutos, petróleo e belas praias, existe esperança para a economia. Uma normalização das relações políticas com os EUA, o maior motor do crescimento global, poderia colocar Cuba no caminho certo para forte crescimento. O país poderia atrair amplos investimentos nos setores turístico, agricultural e petrolíferoalém dos charutos, é claro.

O país também poderia se qualificar para empréstimos do FMI e do Banco Mundial, e obteria conselhos muito necessários para racionalizar sua economia, conforme a opinião do economista do Instituto Peterson. Hufbauer estima que o comércio potencial poderia somar quase $20 bilhões por ano sob condições políticas normalizadas. Isso se o estado cubano deixar, claro.

Ian Talley é reporter de economia do The Wall Street Journal

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