Domingos Martins: o herói brasileiro que morreu com a palavra ‘liberdade’ na boca

Há mais de 200 anos, Domingos José Martins foi baleado em Recife, capital de Pernambuco. Suas últimas palavras, interrompidas por seus algozes, foram: “Eu morro pela liber…”. Em seus últimos momentos de vida, a liberdade de expressão de Domingos foi agredida e ele não conseguiu terminar a palavra “liberdade”.

Domingos José Martins é um dos muitos heróis brasileiros que lutaram para promover a liberdade, ajudando a moldar a história do Brasil nesse processo. Uma sociedade mais próspera, livre e justa era o ideal que ele visava.

Além disso, sua história demonstra que o crescente aumento do interesse dos brasileiros pela liberdade e pelo livre mercado não é um fenômeno isolado ou sem precedentes. Na verdade, o que estamos vendo hoje é um renascimento de ideias profundamente enraizadas em nossa sociedade.

Em suma, é importante que os defensores da liberdade voltem na história e procurem indivíduos que exalam qualidades como coragem, integridade e heroísmo.

Esses exemplos podem nos inspirar a agir com ainda mais confiança. Portanto, aproveito esse artigo para apresentar Domingos José Martins, prestando particular atenção ao contexto social da sua época. Pois ele foi figura chave em uma das maiores mobilizações populares do nosso período colonial: a Revolução Pernambucana.

A Vida de Domingos José Martins

Nosso herói nasceu no ano de 1781 em Marataízes, cidade localizada na costa atlântica do Espírito Santo. Seu pai comandava um pequeno posto avançado dos militares brasileiros que servia para impedir o desembarque clandestino de escravos e proteger os viajantes dos ataques indígenas.

Quando completou sua breve carreira militar, Domingos estudou Administração na capital do estado, Vitória, concluindo posteriormente seus estudos em Portugal.

Depois de formado, Martins mudou-se para Londres e trabalhou para a Dourado Dias & Carvalho, empresa portuguesa. Durante sua estada lá, Martins se conectou com o movimento liberal inglês (clássico, pró-liberdade).

A partir daí, ele abraçou seus princípios e, ade início, teve esperança de que pudessem ser aplicados à Revolução Francesa em curso. No entanto, ele provou ser um observador astuto da evolução das ideias liberais na Europa.

Domingos esperava que as ideias pudessem eventualmente servir às aspirações emancipacionistas dos latino-americanos que se irritavam com o governo autoritário de portugueses e espanhóis.

Em 1813, aos 32 anos, Martins voltou ao Brasil, se estabelecendo em Pernambuco, a província mais rica do país à época. Foi uma cidade de grande influência política e econômica. E que também teve uma rica história de apoio popular às ideias de liberdade, entre viajantes estrangeiros e cidadãos nascidos em solo brasileiro.

A sociedade pernambucana estava pronta para a revolta. Novos impostos da coroa portuguesa haviam sido criados e existia presença maciça de portugueses na administração pública.

Além disso, restrições mercantilistas impostas ao comércio marítimo contribuíram à crescente insatisfação popular. Foi nesse contexto histórico que Domingos Martins encontrou um clima fértil para os ideais de liberdade que reverenciava.

Assim, ele rapidamente se tornou um líder respeitado e franco, ganhando grande influência em toda a região.

Pronto para a revolução

A arbitrariedade do governo central afetou toda a população pernambucana, que Martins queria libertar. Foi em 1817 que a revolta estourou, quando rebeldes locais portando armas atacaram as tropas monarquistas.

Enquanto isso, Domingos liderava líderes civis e religiosos. Por fim, eles conseguiram dominar o governo de Pernambuco e proclamar formalmente a república.

Em um curto período de três meses, uma Assembleia Constituinte foi convocada. Estabeleceu-se assim a separação dos poderes; permissão à liberdade de religião e à liberdade de imprensa; e a abolição de vários impostos. Um desenvolvimento sem precedentes no Brasil colonial.

O fim da Revolução Pernambucana

O movimento acabou com a morte de seus principais dirigentes, entre eles Domingos Martins, mas não só. Na prática, a jovem república estava sozinha. Após várias tentativas de obter apoio de outras províncias falharem, a revolução foi violentamente reprimida.

As tropas portuguesas marcharam para Pernambuco e a marinha bloqueou o principal porto da capital. Os revolucionários foram derrotados e seu governo provisório se rendeu. Depois, seus líderes foram baleados, enforcados e esquartejados.

Embora a Revolução Pernambucana tenha sido breve e malsucedida, seus princípios fundamentais ainda ressoam hoje. Foi nesse movimento que novas ideias começaram a se estabelecer em toda a sociedade brasileira; Os princípios de um governo limitado, de mercados livres e da liberdade individual.

Em suma, o jovem liberal Domingos Martins teve um papel muito importante em ascender a chama da liberdade no Brasil. Não à toa, a revolução que ele desencadeou é considerada a precursora da independência brasileira, que veio cinco anos depois.

O legado deixado por Domingos Martins

Hoje, uma cidade nas montanhas do Espírito Santo leva o nome de Domingos Martins, que também é o patrono honorário da Polícia Civil do estado. Mesmo assim, ele ainda é pouco reconhecido diante de seus méritos.

Também em homenagem ao herói, foi criado em 2014 um dos mais tradicionais grupos estudantis para formação de jovens lideranças liberais do país, o Grupo Domingos Martins.

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Pedro Mutzig

Por:

Assessor de investimentos e associado do Líderes do Amanhã, foi presidente do Grupo Domingos Martins em 2017.

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