Defendendo o livre mercado: utilitarismo ou ética?

Um defensor da liberdade tem como propósito a defesa de uma sociedade mais livre e próspera. Sendo assim, a melhor estratégia para alcançar esse objetivo é a propagação de suas ideias. Sim, é um trabalho de “formiguinha”. Um ensina para o outro que ensina para outro e por aí vai. Ainda que seja demorado, é um processo valioso. Imagine: se a mensagem é explicada, estudada e compreendida, dificilmente ela “evaporará” da cabeça das pessoas. 

Vamos a um exemplo. No Brasil, grande parte de nossa população é apaixonada pelo salário mínimo. Frequentemente ouvimos que, sem ele, “a pobreza seria maior”, e que um caminho para diminuir o número de pessoas com baixa renda é aumentando o rendimento mínimo delas. Sabemos, entretanto, que não é bem assim… 

A remuneração de um trabalhador é calculada por sua produtividade. Exemplificando, se ele produz R$500, mas ganha R$1000, o empregador está perdendo dinheiro. Concorda? Mas e se o valor de mil reais for o salário mínimo? Será mais vantajoso para o dono do estabelecimento deixar de contratar o indivíduo do que sair no prejuízo, não é? Pois é, no final das contas, o salário mínimo gera desemprego.  

Como disse Royal Meeker, acadêmico de Princeton e comissário do trabalho do ex-presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson, “é muito melhor decretar uma lei de salários mínimos, mesmo que ela prive os mais desafortunados de conseguir emprego. É melhor que o estado sustente totalmente os ineficientes e previna a sua procriação do que subsidiar a incompetência, afinal, isso permitiria que eles trouxessem ao mundo mais gente como eles.” 

Então, é importante e necessário desenvolver a argumentação para convencer as pessoas que a liberdade é o caminho para a prosperidade.  

Há dois métodos que podemos basear nossos argumentos: no utilitarismo ou na ética. O utilitarismo considera válido aquilo que é mais satisfatório para o indivíduo ou coletivo.

Baseia-se em sua utilidade, ou seja, uma forma positivada/empírica, que leva em conta a experiência de tal ação. Então, um argumento utilitário visa mostrar como o livre-mercado é benéfico e melhor que outras formas de organização social.  

Livre mercado e o utilitarismo 

Livre mercado: Defensores da liberdade tem o dever moral de lutar por uma sociedade mais livre. A propagação de suas ideias é uma estratégia.
Foto: Investidor Sardinha – R7

Alguns economistas e filósofos políticos, como Ludwig Von Mises, Milton Friedman e Friedrich Hayek, se destacaram no utilitarismo. Eles mostraram que a cooperação espontânea entre indivíduos, motivada pelo interesse próprio de sair de uma situação menos favorável para uma mais favorável, é melhor que uma instituição reguladora, controladora e intervencionista.  

Eles mostraram em suas obras que é muito melhor que a sociedade, por si só, produza e se desenvolva por meio de trocas voluntárias do que um estado que obriga uma população a agir de uma determinada forma. Por exemplo, ao querer comprar um tênis, você pode optar por inúmeras lojas: uma escolha facultativa. Se o governo intervisse em prol de uma loja em específico, todavia, a competição ficaria desigual e os estabelecimentos que não recebessem o auxílio tenderiam a fechar. Qual é a melhor opção, portanto? 
 
Uma outra amostra: para o desenvolvimento, é necessário trabalhos cada vez mais específicos. Para produzir um lápis, a madeira vem de uma região específica, o grafite vem de outra, o látex para produzir a borracha também vem de outra região, entre outras peças. Todos esses materiais têm origens diferentes, foram produzidos por pessoas de culturas diferentes, pessoas que podem até se odiar caso encontrem-se pessoalmente, mas estão cooperando para produzir um lápis. 
 
E dessa mesma maneira, todos os outros produtos no mercado. E esses trabalhos específicos são atribuídos da melhor forma com sistema de preços livre.  

Além do sistema de produção, a competitividade entre os serviços ou produtos ofertados faz com que os preços caiam e a qualidade aumente. Essa é uma explicação bem básica de como o livre mercado é superior ao monopólio estatal.   

A existência da ética da propriedade 

Livre mercado: Defensores da liberdade tem o dever moral de lutar por uma sociedade mais livre. A propagação de suas ideias é uma estratégia.
Foto: Exame

Já a ética é responsável por estabelecer normas, determinar o que é certo ou errado no convívio social. Diferente do utilitarismo, ela não se baseia no que trará mais felicidade necessariamente, mas sim no que é justo.

Filósofos como Frédéric Bastiat, Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe se destacaram na defesa da ética na propriedade privada. Para eles, a propriedade é a única lei que não entra em contradição e que resolve todos os conflitos, além do único direito universal e atemporal que nós temos. 

Atualmente, entretanto, a maioria das pessoas confundem direitos com necessidades, “direito à educação, saúde, moradia…” a lista nem sempre tem limites. Porém, na realidade, nós não os temos. Será mesmo que você tem o “direito” a uma saúde pública ou somente a necessidade de um atendimento? Observemos que uma saúde estatal depende do pagamento de impostos de toda uma população. Com isso, se ela existe, todos estamos pagando. 
 
Dessa forma entra a pergunta: até que ponto eu posso obrigar outra pessoa a fornecer minhas necessidades? 
 
Se eu não tiver uma moradia quem deveria ser punido? A resposta é que o ser humano é um fim em si mesmo, e não pode ser usado como meio para obter algo. 
 
Logo nossas necessidades não podem se tornar direitos. Sabendo disso, percebemos que a forma que a instituição governamental se mantém agride nosso direito de propriedade. 
 
Pois, como Frédéric Bastiat deixou claro, o estado se mantém de espoliação, ele nos obriga a pagar imposto, e se não pagarmos, seremos presos. Se qualquer pessoa comum tentar fazer essa mesma coisa será considerada criminosa. Então, o que legitima essas ações do Estado? São injustificáveis!!!  

Conclusão: não é nem um pouco ético exigir esforço dos outros para te sustentar. Portanto, é necessário proteger a ética da propriedade privada!

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